O cavaleiro Paco Velásquez iria tirar a prova de praticante esta temporada, mas devido ao Covid-19 não foi possível realizar o festival da Moita e este sonho teve que ser adiado. No entanto, Paco não desiste dos seus objectivos e conta como tem sido a sua história até aqui.
Tauronews: Conte-nos um bocadinho sobre a sua história e como começou esta paixão?
Paco Velásquez: Não sei precisar quando começou porque na verdade sempre quis ser o que, graças a Deus, tenho conseguido. Em pequeno enfeitava pedaços de plástico que fingia serem bandarilhas e espetava nos vasos de terra que tínhamos em casa. O meu pai ofereceu-me o meu primeiro traje curto, teria eu 13 ou 14 anos. Recordo também uma ida a casa do meu amigo Manuel e ter ficado impressionado com as fotografias e pinturas, toda a história do seu avô, o toureio Manuel dos Santos. Aí, posso dizer que tive o “click” em relação ao toureio a pé. Pensei que gostaria de um dia atingir aquela dimensão. No que ao toureio a cavalo diz respeito, lembro uma uma ida ao campo na companhia do Diego Ventura em que tive oportunidade de partilhar o dia com ele, aprender da sua experiência e de montar o cavalo Duelo da Broa que mais tarde pude adquirir. É hoje em dia um dos cavalos mais importantes da minha quadra.
T: Quem são as pessoas mais importantes na sua carreira?
PV: É uma questão ingrata esta.Uma carreira da qual posso desfrutar e na qual quero evoluir, requer uma estrutura sólida, para além de profissional, familiar que vem de sempre. Ao longo da minha vida tenho tido a sorte de poder ser guiado por gente que me quer bem. Pessoas directa ou indirectamente ligados à festa brava mas que em circunstâncias diversas me demonstraram o seu apoio e confiança. Então, colocar alguém em lugar de destaque parece-me sempre injusto. Ainda assim, lembro o Pedro Faria e o Vasco Durão que me apoiaram incondicionalmente desde a primeira hora. A família Espartaco e mais tarde a família mexicana Labastida que me acolheram. O matador Alejandro Amaya, pilar fundamental na minha vida. Mais recentemente Diego Ventura. Sabem o quanto lhes estou agradecido e reconhecido.
T: Quando pensa tirar a Alternativa?
PV: O meu objectivo é continuar a praticar e evoluir. Aprender e desfrutar. Quero, com certeza, tomar alternativa mas a seu tempo, sem precipitação, de forma consistente. Não dando um passo maior do que a perna.
T: Tem um novo apoderado. Fale-nos um bocadinho dessa ligação e do que espera em relação à sua carreira?
PV: A relação com o Dr. Tiago Gomes é antes de mais uma relação de amizade. É uma pessoa pela qual tenho a maior consideração e carinho. Uma relação honesta que se traduz agora no apoderamento.
T: Mesmo estando de quarentena, vai conseguindo treinar ou suspendeu tudo?
PV: Felizmente consigo manter uma rotina quase diária de treino que me permite manter o foco e os cavalos preparados. É essencial para os animais e um privilégio que tento aproveitar, para não cair na teia da ansiedade que toda esta situação provoca.
T: Como tem gerido, a nível familiar, esta situação? Tem medo pelos seus familiares?
PV: Todos tememos pelos nossos, nesta ou em qualquer situação de risco. A gestão tem sido feita de forma natural, sem exageros. Mantemo-nos em casa saindo apenas para o indispensável. A pandemia veio trazer alterações imediatas e preocupantes na gestão diária de todos e na minha actividade em particular mas tento viver o dia a dia focado na solução e não no problema. Mantenho-me confiante, informado, cumprindo as regras estabelecidas.
T: Que mensagem de ânimo deixaria aos aficionados?
PV: A mensagem terá de ser de esperança. Confiando que se cada um de nós cumprir, enquanto cidadão, para o bem estar comum rapidamente voltaremos ao que nos apaixona. Mais fortes depois disto, certamente.










