Warrior

Hoje decidi escrever sobre um grande Forcado que, com a graça de Deus, é meu amigo, o Nuno Carvalho. O Nuno Miguel, como gosto de o chamar, chegou ao grupo ainda miúdo, não era dos mais humildes, com aquela postura dele, muito senhor de si, mas sempre com sorriso fácil e alegria contagiante, rapidamente criámos uma empatia que viria a ser o início desta amizade. O tempo passou e, fruto do seu esforço e amor ao Grupo, conquistou o lugar que ambicionava de Forcado de primeira linha no Aposento da Moita.

Até que chegou o dia que todos nos lembramos e que preferíamos que nunca tivesse acontecido. No Campo Pequeno e em direto para a televisão, numa corrida TV. O Nuno não estava nos dias dele, como tantas vezes acontece a quem pisa uma arena e, naquela pega, veio a lesão que o deixou tetraplégico. Foram dias de choque para todas as gentes da Festa, meses e anos de revolta e tristeza no Aposento da Moita, mas a lesão permanente e perpétua só o Nuno Miguel ficou com ela.

Uma das razões que me levou a escrever este texto sobre ele é a de poder expressar publicamente a admiração que tenho por este Homem. Só quem convive com ele tem a noção da alegria que transmite a quem o rodeia, da palavra sábia e sincera que tem para os seus amigos, da recusa em se entregar ao lado mau do seu dia-a-dia.

É, para mim, uma grande fonte de inspiração e alguém que merece todas as coisas boas que lhe possam vir a acontecer. Escrevo este artigo, principalmente por achar que o Nuno merece e devia ser mais ajudado pelos Forcados. Aqui, importa esclarecer, à partida, que isto não é uma crítica aos Grupos de Forcados, ainda mais porque sei que muitos foram aqueles que, das mais variadas formas, angariaram donativos e ajudaram o “nosso” Mata.

O objetivo deste texto, é, sim, a descrição de um caminho que eu acho que deve ser seguido, para o bem desta arte e, por conseguinte, da Festa. O Nuno é uma pessoa dinâmica e, graças a isso, depois do acidente, já criou uma marca de roupa que comercializa, tirou o curso de coaching e está, nesta fase a explorar mais essa vertente e, graças a ele e às pessoas que o rodeiam, é uma pessoa independente financeiramente.

No entanto, todos concordaremos que, a nível físico, o Nuno não tem a mesma independência que a maioria das pessoas, para desenvolver a sua atividade profissional. Não seria justo que alguém relacionado com os Grupos de Forcados lhe perguntasse de vez em quando: – Nuno, precisas de alguma coisa? Podemos ajudar?

Há que ser prático e, na prática, o carro dele avaria, a casa precisa de obras, ele quer ter filhos, etc. e seria, certamente, um enorme orgulho para todos nós, que os Forcados estivessem ao lado dele nestas e noutras conquistas.

O caminho que considero adequado é o da criação de um Fundo de Assistência ao Forcado, gerido pela ANGF e com Regulamento próprio onde estariam definidos o financiamento, as regras relativas à transparência do processo, eventuais beneficiários do mesmo, etc. Julgo que, normalmente, ocorrem, em Portugal, 150 corridas por ano e nas quais, em média, atuam 2 grupos de forcados: – se cada grupo contribuir com 10€/corrida, irão acumular 3000€/ano.

Estes valores são um mero exemplo, mas, certamente, nenhum Grupo se importaria de doar esta importância e os valores acumulados poderiam fazer a diferença para os destinatários. Não considero que o Mata devesse ser o único beneficiário deste Fundo e aqui reforço a importância de um regulamento próprio, penso sim que seria uma garantia para qualquer Forcado que, se tiver a infelicidade de se lesionar gravemente, o próprio ou eventuais descendentes poderão contar com todos aqueles que também vestem ou vestiram uma jaqueta.

Em suma, considero ser um dever dos Forcados, não deixar cair no esquecimento que o Mata ficou tetraplégico a defender esta arte que é nossa e única no Mundo. Se somos admirados por todos os que veem o que fazemos dentro de praça, está na altura de mostrar que, também fora de praça, cuidamos dos Nossos como ninguém.

Fica o desafio para esta ANGF renovada, conseguir enaltecer aquilo que existe de melhor e em comum nos Grupos que a compõem, que são valores como entreajuda, amizade, valentia, afición e conseguir levar a cabo esta iniciativa que considero fundamental.

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