Praça de Touros do Campo Pequeno, 01.10.2020
Cavaleiros:
António Ribeiro Telles
Marcos Bastinhas
Duarte Pinto Francisco Palha
Andrés Romero
Luís Rouxinol Jr.
Ganadaria: Passanha
Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e Ramo Grande, capitaneados, respetivamente, pelos Senhores Pedro Maria Gomes e Manuel Pires.
Decorreu ontem a corrida que fechava o abono do Campo Pequeno, com uma moldura humana razoável num ambiente morno que raramente aqueceu, não se podendo dizer que tenha havido um triunfador absoluto.
Um cartel diversificado, com estilos para todos os gostos, no entanto, faltou demasiadas vezes o ingrediente principal para que a receita resultasse mais a gosto.
De facto, esse ingrediente principal,o toiro, passou um pouco ao lado da corrida, pois embora os exemplares da ganaderia Passanha que viajaram desde a Herdade da Pina estivessem com apresentação digna, o que é certo é que na generalidade pouco transmitiram, muito por culpa da falta de força que evidenciaram, emprestando menos brilho e emoção às sortes.
Houve toiros colaboradores, voluntariosos e com nobreza, mas a falta de força condicionou em demasia a sua performance em praça, ainda assim, serviram para um espectáculo que teve bons pormenores e deixaram os artistas exprimir o seu toureio, salvo raras excepções.
Abriu a corrida o veterano António Ribeiro Telles, que deu uma lição de cátedra na forma como se deve lidar um toiro, porque tourear não é só espetar ferros.
Discreto nos ferros compridos, conseguiu com a sua maestria dar a volta nos curtos a um toiro que saiu distraído e que custava a fixar-se na montada. Deixou bons ferros curtos depois de belíssimas e sábias preparações, com destaque para o cravado em último lugar onde templou bastante a investida do toiro, para cravar de alto a baixo como mandam as regras.
Seguiu-se Marcos Bastinhas, que surgiu na arena tal e qual um furacão, arrebatando o público por completo logo nos ferros compridos. Após uma emotiva porta gaiola em que aguentou muito bem a investida do toiro que lhe calhou em sorte, talvez o mais bravo da corrida, coloca dois soberbos compridos de praça a praça, dando vantagens ao oponente e reunindo a preceito. Ainda no mesmo cavalo, coloca mais um curto no mesmo registo.
Troca de montada e com um cite carregado de espectacularidade, coloca mais um bom curto, volta a trocar de montada para colocar um bom par de bandarilhas deixado no corredor.
Foi uma actuação impactante, mas que resultou demasiado curta, tendo o cavaleiro sem razão aparente abreviado e precipitado o fim da lide. O que fez foi bom e emocionante, o público correspondeu com forte ovação, mas ficou a ideia que poderia ter tirado mais partido da lide.
Duarte Pinto toureou no seu estilo clássico, dentro dos parâmetros do seu conceito de toureio e também logrou atingir bons momentos na arena lisboeta.
Cumpriu na ferragem comprida, deixando depois bons ferros curtos de frente e com verdade, perante um Passanha “mal visto” mas que tinha vontade de investir.
Francisco Palha é um toureiro de risco e isso ficou provado na forma como iniciou a lide, esperando o toiro numa sorte gaiola que não resultou em pleno pois faltou toiro no momento do “embroque”, ainda assim o cavaleiro não desarmou e cravou enquanto se dobrava com o oponente, que foi o de apresentação mais justa para a primeira praça do país.
Nos curtos alcançou bons momentos, quer através da brega vistosa que realizou, quer através da colocação dos ferros que resultaram empolgantes e de belo efeito, atacando com valor o toiro que transmitia no momento das sortes, resultando estas mais brilhantes. Actuação valorosa e sólida de Francisco Palha.
O Espanhol Andrés Romero veio a Lisboa exibir o seu rejoneio e foi isso mesmo que se viu.
Colocou dois compridos em sortes que não resultaram cingidas, pois o engano dado ao toiro foi demasiado. Nos ferros curtos, optou por sortes cambiadas das quais resultou alguma emoção, com destaque para o mérito de rematar todas as sortes por dentro. Mudou de montada e as sortes não resultaram da mesma maneira, no entanto adornou-se com piruetas temerárias na cara do toiro que empolgaram o público presente.
Fechou praça o jovem valor Luís Rouxinol Jr., que após uma sorte gaiola de muito mérito, exemplarmente executada, coloca um segundo comprido de valor também de praça.
O toiro acusou falta de força a par dos seus irmãos de camada e condicionou o resto da lide do jovem de Pegões, que ainda assim conseguiu colocar bons ferros curtos, alguns em sortes sesgadas, rematando a lide com um bom ferro de palmo.
No capítulo das pegas, os toiros não apresentaram dificuldades de maior, à excepção do terceiro toiro que era “mal visto”, tendo os grupos de forcados cumprido com seriedade abnegação a tarefa que tinham pela frente.
Pelos Amadores de Lisboa foram caras: Daniel Batalha à primeira tentativa, correcto tecnicamente e o grupo a ajudar coeso, Tiago Silva à terceira tentativa, superiormente ajudado pelo primeiro ajuda João Abreu, depois de não conseguir reunir nos dois primeiros intentos, em parte por culpa dos aparentes problemas de visão do toiro, e fechou a actuação dos Lisboetas João Varanda que executou uma boa pega, com o forcado a mandar e a reunir bem.
Pelos Amadores do Ramo Grande foram caras: Carlos Silva à primeira tentativa depois de templar bem a investida do toiro que ensarilhou, Tomás Sousa, apenas à terceira conseguiu consumar com ajudas bastante carregadas, depois de ter feito uma boa primeira tentativa em que o grupo foi pouco lesto a fechar a pega, fechou com chave de ouro o Cabo da formação da Ilha Terceira, Manuel Pires, que evidenciou uma técnica superior, executando a pega mais vistosa da corrida.










