Monty Python ensinou-me que tudo na vida tem um lado brilhante, por muito negra que nos possa parecer, se olharmos bem, lá estará o bright side of life.
Então cá estamos nós, num desses períodos sombrios da Humanidade, controlados por um estado de calamidade onde para além de se propagar a doença, mais rápido se propaga o medo, a par dos abusos de quem governa.
Se para nós, pelo menos a maioria de nós, há um estado de calamidade, para os que mandam nisto e para uma minoria que se movimenta na sua teia, há um estado de graça.
Estado de Graça na Saúde, estado de Graça na Cultura e estado de graça num governo com subserviência presidencial.
O que melhor pode acontecer para um governo poder governar a seu bel prazer? Um estado de calamidade, desculpem, de graça.
Temos um governo que nos diz para não fazer o que faz, juntamente com partidos políticos, organizações sindicais e grupos ativistas.
Temos uma oposição que não concorda com o que o governo diz, mas não se opõe.
Temos um vírus seletivo que se espalha exclusivamente em festas ilegais e não em manifestações legais, festivais promovidos por partidos políticos, concertos no Campo Pequeno.
Temos uma lotação nesse mesmo Campo Pequeno para os tais concertos e outra para as corridas de touros.
Temos apoios para todos os setores, mas para o setor tauromáquico não vem nem um euro, uma moratória, um beneficio fiscal.
Quanta esquizofrenia há nestes comportamentos?
Pode até nem haver nenhuma, certo que há é um desenvergonhado aproveitamento politico para selecionar o que se gosta ou não se gosta: gostando-se permite-se, não se gostando, é o vírus que não deixa, e por uns poucos, não devem pagar muitos.
Por um azar dos diabos a tauromaquia ficou no lado do não se gosta, por nada de especial, até porque sempre foi bem tratada, de forma igual e justa, até mereceu uma taxa de IVA só para ela.
A Graça da Saúde diz o que não sabe, a Graça da Cultura não sabe e não diz, (parece-me até que faltou às aulas de civismo), o Chefe de Governo diz para não irmos a festas e ajuntamentos, à porta de um concerto, e o de Estado para evitarmos a praia, de calções e toalha à tiracolo, no paredão de Cascais.
Se isto não fosse triste, até tinha piada.
Se os touros dão cornadas porque é só aquilo que sabem dar, se dessem caramelos, todos tourearíamos e até aos 90, esta gente faz isto porque é só isto que sabe fazer.
Eles não sabem é que nem assim nos vergam e mesmo de escudo pandémico, com todas as estratégias mais baixas e desleais, cá estaremos para de uma maneira ou de outra, pôr isto de patas p’arriba.
Pode demorar e até para alguns ser fatal, todas as crises tem baixas, infelizmente é a crua realidade, mas já diz o ditado, “as pressas são para ladrões e maus toureiros”.
Por enquanto e como se diz, pensa e faz no Alentejo, vai-se andando, por entre o estado de calamidade, perdão, de graça.










