BASTA!

Crónica

Decidi neste artigo não escrever sobre cavalos mas sim dum tema muito actual na tauromaquia: os sucessivos ataques terroristas à nossa Festa por parte de anti-taurinos!

Quero, antes de mais, deixar bem claro que respeito qualquer opinião ou ideologia com a qual não concorde. Porém, não consigo aceitar fundamentalismos nem desleais ataques, totalmente desprovidos de ética e até, por vezes, ilegais por parte desta gente que nos provoca, difama e ataca sem quaisquer escrúpulos. É tempo de os aficionados se unirem e organizarem para dizer “Basta”! Há um lobby anti-taurino muito bem organizado, estrategicamente posicionado e com esquemas muito bem engendrados para nos enfraquecerem de forma a ganharem terreno a pouco e pouco, vitimizando-se, desrespeitando-nos e incitando ao ódio contra os taurinos. O que está em causa e pelo que nos devemos debater contra é a humanização dos animais, não faz qualquer sentido maltratar animais, devemos respeitá-los, mas tendo a noção que ao longo da História, os animais foram sendo domesticados ou utilizados pelo Homem seja para alimentação, trabalho, ou simplesmente lazer, e há que ter noção do enquadramento de cada espécie e raça e a função que pode desempenhar para servir os seres humanos. Os cães são animais de companhia, os toiros bravos são animais para tourear, sendo ainda a única raça na espécie que vive no campo até ao estado adulto em plena liberdade e em que a cada indivíduo é dada a hipótese de lutar pela vida com a sua bravura.

Pois bem, urge que deixemos de ser passivos e mansos em relação a estes ataques. Há que contra-atacar para marcar a nossa posição e defender os nossos interesses. E para isso temos de estar preparados, bem informados e em sintonia para agir e ripostar em consonância e conformidade.

Há uns dias, em conversa sobre as recentes e deploráveis declarações da Sra Ministra da Cultura em relação à redução do IVA nos espectáculos proposta no Orçamento de Estado, dizia-me um amigo: “É que mesmo que seja demitida, tem mesmo ar de quem fica satisfeita com o que disse em nome da causa. Como aqueles gajos que atravessam a arena com uma t-shirt contra as touradas. Não adianta de nada mas ficam todos contentes, saem de lá a achar-se os maiores!”. Discordo totalmente desta opinião, e é importante que aqueles que nos preocupamos com o futuro da tauromaquia, dediquemos algum tempo a debruçar-nos sobre estes problemas. Nem a Sra Ministra se dá por satisfeita se for demitida, nem os activistas anti-taurinos invadem as praças para simplesmente passar a mensagem da sua causa. Em relação à Sra Ministra da Cultura, já ficou bem claro que está determinada a acabar com as corridas de toiros, usando-se da sua inadequadamente da sua posição privilegiada numa atitude totalmente contra a ética e a tão apregoada Democracia do nosso estado de direito, ignorando totalmente a responsabilidade que tem no cargo que assumiu, insurgindo-se contra a tauromaquia, constitucionalmente contemplada como “ cultura popular portuguesa”, estando esta assim, inegavelmente e sem margem para dúvidas, inserida no pelouro do ministério do qual é a responsável. Tem obrigação de a defender e promover o melhor que conseguir enquanto desempenhar funções na pasta da Cultura, independentemente da sua opinião pessoal, ponto! Esta situação tem a agravante de que a ministra está claramente protegida e com as “costas quentes”, caso contrário já se teria retratado ou sido por isso criticada pelo chefe de governo. Já os activistas anti-taurinos quando invadem um espectáculo taurino têm um único objectivo, para além de que incorrem num acto criminoso: Provocar e ofender os taurinos, levando a sua paciência ao limite até conseguirem ser agredidos, que é a sua grande vitória, podendo viralizar imagens dos acontecimentos, deturpando a informação para argumentar que os taurinos são gente rude, violenta e retardada que a única maneira que tem de responder às críticas é com a agressão física. Não é difícil imaginar que se invadissem consecutivamente hipotéticos espectáculos da cultura Vegan com entradas pagas e zona interdita ao público, restrita aos intervenientes, para perturbar o espectáculo e chamar de criminosos aos intervenientes de uma prática legal por, por exemplo, quererem arruinar a vida das gentes ligadas à produção pecuária, que ao fim de várias vezes, levando ao limite os apreciadores e agentes deste espectáculo, os criminosos invasores fossem agredidos. Na verdade, os invasores das corridas de toiros são quase invariavelmente vegans fundamentalistas.

Estou convencido que muito podemos fazer na defesa deste Arte que tantos apaixonados tem, para que não continue a ser condicionada e marginalizada. Em primeiro lugar deveremos seguir a conduta da instituição Pró-Toiro, as suas directrizes na luta pela Festa e manifestar junto deles o apoio e disponibilidade para colaborar no que for preciso dentro das possibilidades de cada um. Em relação às invasões dos espectáculos, todos temos de ter o sangue frio para não agir, mantendo-nos impávidos e serenos deixando as autoridades actuar; posto isto, não podemos deixar de denunciar o crime que cometem, de divulgar envolvência de um militante do PAN candidato a um cargo público, de apontar o dedo ao deputado do PAN que se recusa a condenar este crime. Em relação à Sra Ministra da Cultura, não podemos deixar de insistir na sua demissão até que, pelo menos, se retrate e tenhamos da parte do Primeiro Ministro a garantia de que a sua ministra não voltará a desonrar o cargo, regendo-se pela Constituição e cumprindo as funções para que foi destacada, alheando-se da opinião própria. Devemos também pressionar e responsabilizar as empresas e outras entidades com ligação directa ou indirecta à tauromaquia e ao meio rural a tomarem uma posição de apoio à Festa Brava, fazendo-os perceber que não há espaço para se posicionarem num “limbo”, pois isso é dar força aos detractores e que, a longo prazo, isso também os prejudicará. Deveríamos também lutar pela proibição das manifestações contra as corridas nas imediações das praças de toiros nos dias de corrida, como já acontece em França, pois nestes moldes, não fazem mais do que incomodar os aficionados e perturbar o bom funcionamento do espectáculo, se se querem manifestar faz todo o sentido que o façam em sede própria junto das entidades competentes, como por exemplo, o Palácio de São Bento.

Acredito que vivemos um momento fulcral dos destinos da Festa, insisto que há espaço para todas as opiniões e lutas pelos valores em que se acredita, mas essas lutas devem ser realizadas dentro dos limites do bom senso e do respeito pelas opiniões contrárias, a luta contra as corridas de toiros tem sido imensuravelmente desrespeitadora e descriminatória. Por isso, precisamos de mobilização de todos e uma atitude pró-activa na defesa da nossa Arte! Chega de passividade, é o momento de fazermos o que está ao nosso alcance em prol da tauromaquia! Citando Fernado Pessoa em “A Mensagem”:

“É a Hora!

Valete, Frates”

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