O PAN a fazer PANices

Crónica

Ontem circulou pelas redes, em modo viral, como se de um surto de ébola extremamente mortífero se tratasse, contagiando e espalhando morte à sua passagem, o conteúdo programático eleitoral do PAN onde, no capitulo da Justiça, Transparência, e Combate à Corrupção, Secção Sistema Prisional, o partido pretendia e transcrevo, porque neste caso as palavras importam efetivamente:

Instituir a obrigatoriedade de reclusos condenados por crimes violentos contra outras pessoas fazerem uma sessão semanal de reconciliação com os familiares das vítimas, mediante aceitação destas e, caso não se trate de um homicídio, também com as próprias vitimas.”

Por curiosidade, com uma boa dose de prudência e medicado contra as notícias falsas fui consultar o site institucional do dito partido e tentar encontrar a informação anteriormente veiculada.

Encontrei em

https://www.pan.com.pt/eleicoes/eleicoes-legislativas-2019/programa-eleitoral/justica-transparencia-e-combate-a-corrupcao/

E volto a transcrever excertos, podendo o texto integral ser consultado no link em cima

Sistema Prisional

(…)

  • Permitir sessões semanais de reconciliação entre reclusos condenados por crimes violentos, com excepção dos crimes de violência doméstica ou violação, e familiares das vítimas ou com as próprias vítimas, desde que todas as partes assim o pretenda.

À primeira vista há logo uma diferença que nos ressalta, em ambos os textos, e já vamos ao conteúdo, com dois dias de diferença, de um suposto único programa eleitoral.

No primeiro: “instituir a obrigatoriedade de reclusos condenados por crimes violentos (…)

No segundo: “Permitir (…) reclusos condenados por crimes violentos, com excepção dos crimes de violência doméstica e violação (…)

A primeira mensagem, não foi efetivamente notícia falsa, também já confirmei, o PAN quis programar, comunicar e convencer eleitores de que no seu programa eleitoral e sendo eleitos, pretendem:

Instituir a obrigatoriedade de reclusos condenados por crimes violentos contra outras pessoas fazerem uma sessão semanal de reconciliação com os familiares das vítimas, mediante aceitação destas e, caso não se trate de um homicídio, também com as próprias vitimas.

Se me choca? Não, nada, é o PAN a ser PAN, discricionário, parcial, ditador, sectarista, separatista, fundamentalista, à boa maneira Socialista Soviética ou Norte Coreana: vai ser assim porque queremos e ponto.

No 25 de Abril cabe tudo.

Com o vírus espalhado pelas redes, veio o PAN emendar a mão, assumir uma eventual má redação, interpretação e coiso, tipo e é assim.

E surge a segunda proposta:

“Permitir sessões semanais de reconciliação entre reclusos condenados por crimes violentos, com excepção dos crimes de violência doméstica ou violação, e familiares das vítimas ou com as próprias vítimas, desde que todas as partes assim o pretenda.

Muito melhor, assim já ninguém chateia, não vamos impor a obrigatoriedade, vamos permitir vá, e depois não são tooodos os reclusos condenados por crimes violentos que vão estar em amena cavaqueira com as famílias das vitimas de crimes violentos, calma! Com agressores domésticos e violadores não há cá conversas!

Mudar de opinião é positivo, só não o faz quem não pode por não ter capacidade intelectual para isso, mas mudar de opinião como se muda de cuecas (e assumindo que somos todos asseadinhos) e apenas para agradar as hostes perturbadas, é chato e feio, mas é o PAN a fazer PANices.

Passemos ao conteúdo,

Então, mas o que quer o PAN (já não impor, pronto, só permitir, tipo muito mais soft) é juntar criminosos violentos com as famílias das vitimas que abusaram, violentaram, magoaram, perturbaram, deixaram marcas inimagináveis e incuráveis para se curarem numa espécie de encontro semanal de A.A.s? Porreiro pá, era mesmo o que Portugal precisava.

Com mais esta proposta se vê o fundo, escopo e intencionalidade de um partido que suportado pela democracia e pelo 25 de Abril, acha que tem crédito sem prazo para dizer, fazer e impor o que quiser, ultrapassando os pilares das sociedades, no caso a Justiça, o direito penal, espezinhando as funções preventivas e punitivas das penas.

Isto o melhor é nem haver condenações e penas, vai tudo almoçar um cozido ao parque, destapam-se uns garrafões de vinho, choram-se os mortos enquanto se come uma talhada de melão e meia gamela de arroz doce e pontapé para a frente, porque somos um Pais moderno.

Importa dar a conhecer estes encapotados, não pela mesmo método deles, criando, inventado, desvirtuando, mentindo, mas apenas transmitindo o que quer esta gente e o perigo real que representam.

É para o universo de eleitores do PAN que existem instruções de abertura e utilização nos pacotes de leite.

Bernardo Patinhas 11.09.2019

 

 

 

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