A dificuldade que os alguns partidos e deputados anti-tauromaquia enfrentam em consomar a proibição desta arte performativa obriga-os a engendrar esquemas e artefactos no sentido de tentar enfraquecer o meio e afastar os aficionados das praças.
Não é novidade que existam pessoas que não partilham dos mesmos gostos culturais. As diferenças são sobejamente conhecidas e quando respeitadas, encarando a liberdade como valor máximo, são saudáveis.
Também já não é novidade que certos movimentos contra a festa brava tenham ganho mais espaço mediático nos últimos tempos e vindo a engrossar uma voz que não têm.
Mas o que eu espero destes movimentos e partidos é frontalidade, é a assunção de responsabilidade naquilo que acreditam e propõem, é verdade e honestidade naquelas que são as suas ideias. É saber agarrar o toiro pelos cornos e debater aquilo em que verdadeiramente desejam e não ir de cernelha à procura de uma boa sorte. É apresentar sem rodeios aquilo que pretendem ao invés de se encapotarem.
Estes atributos, infelizmente, escasseiam neste meio e quando são barrados naquilo que é o seu fim, a proibição e abolição da cultura tauromáquica, enveredam por outras estratégias.
Essas estratégias podem ser resumidas em: enfraquecer para destruir.
Assim é a arte de depenar o ganso, pena a pena, como dizia Jean Baptiste Colbert, ministro do Estado e da Economia, de Luís XIV de França. De entre aumento do IVA das corridas de toiros até à proibição de financiamento estatal à tauromaquia. Nunca pela proibição frontal e direta, de resto esta já prontamente chumbada em sede parlamentar e com resposta popular na enchente de aficionados cada vez maior que se tem vindo a verificar nas praças.
Na tentativa de maquinar mais um ataque à tauromaquia surgem argumentos que passam por aritméticas bacocas àquilo que dizem ser o financiamento à tauromaquia, matemáticas contorcidas daquilo que dizem existir de milionário no investimento público na cultura tauromáquica e opções de aplicação desses mesmos fundos em áreas como saúde e cultura.
Mas se a preocupação passa pela boa aplicação do dinheiro dos contribuintes há algo que podemos sempre questionar: qual foi a dimensão da indignação referente a mais uma injecção de capital no valor de 850 milhões de euros no Novo Banco? E relativamente à injecção de 1200 milhões de euros na TAP? Qual o valor que poderia ser aplicado em saúde ou cultura com os montantes despejados nestas organizações neste passado recente? Porque é que não se vêm aberturas de telejornais com estes movimentos e partidos apregoando veementemente: “Capital público na TAP é tortura!” ou “injecção no Novo Banco é Barbarie!” ?
Porque a estes partidos e movimentos não preocupa verdadeiramente o dinheiro dos contribuintes, não preocupa o que podia ou não ser financiado com o dinheiro empregado pelo estado central e local na cultura tauromáquica, preocupa sim em fazer proibir a festa brava a todo o custo. E quando assim não é possível a preocupação passa para a busca incessante de mecanismos de argumentação apelando ao bolso dos portugueses. Depenando o ganso pena a pena. Secundarizando aquilo que desde inicio traçaram como objetivo: a censura imediata dos gostos de um povo.
Caro aficionado, apesar destas incessantes e permanentes tentativas de limitação daquilo que são os gostos culturais de um povo, a festa brava só terminará e só se deixará enfraquecer quando deixarmos de encher praças, quando deixarmos de lado a nossa tradição, quando os valores que acreditamos deixarem de ser passados para as gerações vindouras.
Só por ai seremos derrotados. Eu farei a minha parte, faça também a sua!










