Não foi um acaso, que deixei para o “Dia de Reis” esta minha crónica.
Mesmo tendo em conta da importância do dia 6 de Janeiro para a maioria da população na Península Ibérica, mesmo sabendo que este dia assinala o “fim das Festas” e o terminus da melhor época do ano (para o meu gosto), também não é menos verdade que já se sabia que era dia 6 que a Assoc. Praça Maior despertava publicamente do seu merecido descanso e que avançaria com a primeira noticia bomba para a época de 2020. E não falhou!
No fim da fatídica época de 2018, tinha eu “escrito um escrito” – passo a redundância -, um desabafo amargurado, onde apelava às nobres gentes scalabitanas que saíssem da sua letargia aficionada e que de qualquer forma lutássemos pela nossa Celestino Graça, que de tombo em tombo, tinha chegado a um quase pre-requiem, na Feira do Ribatejo desse mesmo ano. Escrevia eu deste modo; “Acorda Santarém!”
Bem, a verdade é que efectivamente Santarém acordou. E acordou em grande; e acordou Maior…muito Maior e bem viva!
Nesse mesmo inverno ainda (de 2018), foi cozinhada e a meu ver, a maior, a melhor (resultados apurados) mais inteligente e trabalhosa estratégia da tauromaquia Portuguesa contemporânea.
Não me vou desculpar pelo exagero até porque tenho a certeza que os nossos leitores saberão como eu, distinguir o “antes e o depois” e tenho a certeza até, que poucas serão as possibilidades de comparação, tal foi a diferença com que a “Praça Maior” se destacou de outras empresas na gestão da Praça da minha cidade e só falo desta Praça mesmo.
Também escrevi em Março de 2019 e após a 1ª corrida da Associação Praça Maior, que os aficionados Scalabitanos e desde que os cartéis foram apresentados (soberbamente diga-se), “que viviam num mundo à parte”; num mundo de expectativa. Não da (triste) expectativa de se realizarem ou não corridas em Santarém, mas sim da expectativa em saber qual a dimensão do sucesso. E quanto a isso, ficou tudo muito bem explicado não só pelos resultados apresentados mas fundamentalmente pela satisfação das pessoas que foram às corridas.
Santarém, no ano passado, deixou de ser um marco de memoria taurina apenas, para voltar a ser e em poucos meses, um ponto de encontro de milhares de aficionados ávidos de toiros, de olés, de sorrisos, de anseios, de tertúlias e de opiniões, de cavaleiros e de forcados, de ganadeiros e toureiros, enfim, Santarém acordou e ficou Maior…muito Maior!
Bem, mas até agora, quem vos tem escrito estas palavras – eu mesmo – é suspeito.
E sou suspeito porque: sou daqueles que ama “mesmo à séria” a cidade onde nasceu; que a defende com unhas e dentes e sempre que a julgo mal-tratada, vilipendiada, usada, reajo por vezes intempestivamente. Sou suspeito e porque desde muito novo, sempre levei comigo o nome de Santarém a muitos sítios, em Portugal e no estrangeiro e sempre respeitei em absoluto a sua historia, as nossas gentes e tradições. Sou suspeito porque habituei-me desde criança a respeitar a Praça Celestino Graça, toda a sua história e monumentalidade. Sou suspeito porque conheço todos os membros da “Praça Maior” e a maior parte deles desde muito novos. Sou suspeito porque e antes de serem “ A Praça Maior” já eram os maiores por tudo aquilo que fizeram pela minha cidade e pela Celestino Graça.
Obrigado por não a terem deixado cair e os meus parabéns pelo inquestionável e estrondoso sucesso da época de 2019.
Daqui para a frente, deixo a parte emotiva de lado e passarei a abordar factos. E os factos são conhecidos. “ e contra factos não há argumentos” …mesmo que tentem.
FACTOS
25 160 mil pessoas com bilhetes passaram pelas portas, no somatório das 3 corridas efectuadas. Desses 3 espectáculos, o que menos publico levou, foi a 1ª corrida da Feira com cerca 7500 pessoas. Esta lotação, ainda que a menor das 3 corridas, chegava para esgotar o Campo Pequeno e sobrava.
Na caracterização do publico que afluiu ás corridas, chegaram à conclusão e por intermédio de questionários distribuídos e preenchidos ou na Celestino Graça (560) ou pela Internet (145), que aqueles clássicos argumentos de que a tauromaquia é um acto masculino e de gente velha, estão mais que gastos e não são válidos, já que 40% dos espectadores são senhoras e a faixa de idade predominante é de indivíduos entre os 18 e os 24 anos. A manter-se assim, teremos corridas por muitos e bons séculos.
Apesar de ter-se noção que as corridas geram vários e diferentes fluxos de impacto nas cidades, não havia registos que tivessem afluído a Santarém, espectadores de 17 distritos e de 54 concelhos diferentes. Cai aqui por terra que a tauromaquia é uma actividade circunscrita apenas a regiões onde a mesma é tradicional. Já agora: desses espectadores (dos 57 concelhos) que visitaram a Praça, os de Santarém foram apenas 36%.
Outro fluxo importante – e o é cada vez mais – tem a ver com o impacto económico que as corridas geram.
Na restauração: 74% dos 25000 espectadores que foram às corridas, efectuaram gastos em restaurantes da cidade. Esses, geraram directamente mais de €300 mil em refeições. Média de gasto; €24,93/refeição. Em estadias foram gerados cerca de €142 mil.
Tendo em conta que mais de 60% dos espectadores são de fora de Santarém, foi gerado de forma directa também, mais de €135 mil em gastos de combustível e portagens.
Outra entidade – além da cidade obviamente – que beneficiou com as corridas, foi a feira Nac. Agricultura, já que mais de metade dos espectadores respondeu que não iria visitar a feira não fosse a vinda à Praça de toiros. Nessas visitas – Feira da Agricultura e Festas da Cidade em Março – foram gastos pelos visitantes nos diferentes locais, €153 mil.
Só faltam aqui os custo operacionais da “Praça Maior” que geraram a muitíssimas empresas de Santarém e arredores, mais de €270 mil em facturação, nomeadamente para o restauro e manutenção da Praça, publicidade, etc, etc.
Resumidamente: se juntarmos todos os dados económicos apurados, chegamos à consideração, que o Total do Impacto Económico da cidade e em consequência das 3 corridas realizadas, foi superior a 1€ milhão…repito, € 1 000 000,00. É obra!
Além destes resultados, vimos uma Praça bem cuidada, limpa, com gosto, funcional, cartéis de 1ª, novos serviços, um apoio incondicional das empresas que adquiriram todos os camarotes, os abonados satisfeitíssimos pelas regalias criadas, enfim, melhor seria impossível!
Quanto a outros resultados, aos artísticos, ficou-me na memória as pegas do Taurino e do Câmara, as lides do Francisco Palha e do António Telles (ambos em Março) e o curro de Antº José Teixeira. Pode parecer pouco para tanto e tão bom que vi, mas estas foram efectivamente as imagens que perduraram. Os highlights como chamam agora!
E a 2ª época está aí!
Santarém está viva e Maior !










