O radicalismo e a gestão governativa urbano-depressiva, tomaram conta de nós… Acaba por ser deveras fatigante esta batalha que o mundo rural trava diariamente.
Amanhã, serão votados no Parlamento projectos de lei, que visam o fim de qualquer apoio público aos espetáculos tauromáquicos. Foi esse o mote para o debate no Jornal da Noite da TVI hoje, entre Inês Sousa Real, líder parlamentar do PAN e o comentador Miguel Sousa Tavares.
Quando a senhora deputada apresenta uma sondagem feita pela Universidade Católica sobre os apoios aos espetáculos tauromáquicos, em que esta é feita especificamente e apenas na região de Lisboa, deveria lembrar-se que Portugal não é só Lisboa. Infelizmente, muitos que se sentam no hemiciclo e “desgovernam” as nossas vidas, tendem a desvalorizar a vida além da grande metrópole. Curioso foi o facto de não ter falado de uma sondagem criada pelo próprio PAN de Lisboa onde foram derrotadas na sua página e a pergunta era: Queres um Campo Pequeno sem touradas?
Seria de extrema importância uma palavra por parte dos autarcas de localidades, com uma forte expressão tauromáquica, como Vila Franca de Xira, Montijo, Moita, Alcochete, Azambuja, Benavente, Samora Correia, Santarém, Angra do Heroísmo, Coruche, Barrancos, bem como da zona Raiana, entre tantas outras, se opusessem categoricamente contra o discurso de hoje e de sempre deste partido com assento parlamentar.
Porque, senhora deputada, o retorno financeiro que as festas taurinas, obtêm nestas localidades (entre outras) é absolutamente vital não só para a economia local, gerando ainda grandes receitas para o estado através de impostos directos e indirectos. Alojamento, restauração, transportes, comercio tradicional, são alguns exemplos de sectores que grande parte do budget anual é obtido nessas alturas. Imagine senhora Deputada a receita que gera um Colete Encarnado em Vila Franca, as Capeias Arraianas na Beira Alta, a Feira de Maio em Azambuja, as mais de 200 Corridas à Corda nos Açores, a Festas do Barrete Verde de Alcochete e das Salinas entre outras…Ou seja a Tauromaquia produz mais lucro ao estado do que despesa.
Já para não falar na importância e legado histórico cultural, que as festas em torno do Touro Bravo têm, não só localmente como nacional. Onde as gentes da terra se preparam um ano inteiro, para receber milhares de pessoas nas suas festas, onde os imigrantes vêm matar saudades “à terra”. Onde os turistas levam o que há de melhor do nosso canto para os seus países, encantados com a beleza das nossas paisagens, da nossa gastronomia e claro da bravura do nosso toiro nas largadas, nas capeias, nas corridas à corda, nas garraidas e corridas de toiros.
Senhora deputada , por isso acabar com os apoios nessas determinadas festas seria, aniquilar toda uma riqueza cultural e económica. Porque verdade seja dita, a tauromaquia de praça não vive de apoios, vive sim, dos milhares de aficionados que enchem as praças de norte a sul do País todos os anos.
Quando a mesma senhora deputada afirma que a tauromaquia não gera emprego, deveria também saber, as milhares de famílias que “comem do toiro bravo” em Portugal, tais como, Campinos, Maiorais, Bandarilheiros, Cavaleiros Tauromáquicos, Ganadeiros. E a senhora deputada deveria também saber que para organizar uma Corrida de Toiros são necessárias, em média, 175 pessoas, que vão desde o pessoal encarregue dos curros, aos bilheteiros, passando pela banda, não esquecendo os transportadores, bombeiros, polícia ou trabalhadores dos bares.
Caro Miguel Sousa Tavares, queria agradecer-lhe todo o apoio, mesmo não se afirmando aficionado, que tem prestado à tauromaquia. No entanto hoje achei que a refutação poderia ter sido mais acutilante. Queria relembrar-lhe, tal como saberá, que se algum dia conseguirem acabar com as manifestações tauromáquicas, muito provavelmente deixará de poder caçar, e muito provavelmente deixaremos de poder montar a cavalo, pescar (entre outras actividades) e aí já será tarde de mais. Já para não falar dos hábitos alimentares.
É hora de nos unirmos, e de mostrarmos a nossa força, não só na tauromaquia, mas de todo o mundo rural que cada dia que passa é discriminado tratando-nos como autênticos marginais fora da lei… É hora!!!










