28.04.2019
Praça de Touros de Sobral de Monte Agraço
Festival taurino
Cavaleiros:
Rui Salvador
David Gomes
Joaquim Brito Paes
Grupo de Forcados Amadores de Santarém, capitaneados por João Grave
Matadores:
António João Ferreira
Nuno Casquinha
Manuel Dias Gomes
Ganadaria Calejo Pires
Direção do espetáculo a cargo da Exma. Senhora Sandra Alves, que se estreava em funções: discreta, acertada e intérprete da vontade popular, direção e estreia acertadíssimas.
Meia Casa de lotação.
No início do espetáculo foram homenageados os Matadores de Touros Nacionais:
António dos Santos
Francisco Mendes
José Trincheira
José Júlio
Armando Soares
José Simões
Fernando Santos
Mário Coelho
Júlio Gomes
Oscar Rosmano
Ricardo Chibanga
José Manuel Porto
Alguns dos quais deram-nos o privilégio de os voltar a ver a fazer o paseíllo nesta tarde de primavera.
É habitual ver nos antigos cartazes de toiros uma frase que em quase todos figurava:
“Se Deus Quiser e se o tempo o permitir”.
Pois no passado dia 25 de Abril, data tradicional deste festival sobralense, o tempo não permitiu, e talvez Deus não Tenha Querido, razão pela qual passou, com critério, para o domingo dia 28, dia de sol e calor, saiu sem dúvida a Primavera para ir aos touros.
Quiçá o futebol e o final enervante do campeonato português, jogo SC de Braga – SL Benfica, tenham tirado algum público à tarde sobralense, que de outra maneira teria seguramente passado a meia casa.
Novilhada correta e parelha de apresentação, maiores os primeiro, segundo e terceiro, para lide a cavalo, mais harmoniosos os três para pé, o sexto, um “taco” de hechuras.
Abriria praça o veterano Rui Salvador perante um novilho rematado, chorreado, não tivesse este saído com problemas de locomoção, que rapidamente o devolveram aos currais.
Alterou-se a ordem e saiu David Gomes, o cavaleiro da região, um novilho que se movia bem nos voos dos capotes, abrindo-se e demonstrando qualidade, para o cavalo era exigente, não permitindo veleidades a Gomes, andou sóbrio, profissional e demonstrou sítio e querer, juntando-se-lhe a experiência que o tempo trará, os ingredientes estão misturados para poder deixar bom sabor de boca.
Abriu funções pelos Amadores de Santarém, em tarde de muita juventude e estreias, o forcado António Queiroz e Melo, mostrando-se bem, deixando-se ver e com presença, carregou ainda distante e o novilho saiu pronto para reunirem ambos ao primeiro e único intento.
Volta para ambos.
O segundo, sobrero, tocou a Rui Salvador, cavaleiro experiente, calejado e muito conhecedor de terrenos e investidas, no cômputo geral foi a lide mais completa, vale a experiência e veterania, e nunca são ou serão demais.
Para pegar o segundo novilho saltou a trincheira Francisco Cabaço, um jovem que não ficou indiferente a ninguém. Fazia a sua primeira pega, não se consegue explicar essa sensação, e normalmente as ânsias toldam a razão.
Francisco só consumou a pega à quarta tentativa, umas vezes porque os ajudas se atrasaram, outras porque não recuou, mas que importa? O que me ficou gravado foi a cara do Francisco que em pouco mais de 5 ou 6 minutos mostrou alegria, tristeza, raiva e dever cumprido.
Volta para Salvador e Cabaço, que embora se tenha recusado, como manda a galhardia e regras de bem-fazer dos Grupos Bons, foi unanimemente chamado à praça.
O terceiro Calejo Pires, mais basto e brusco nas investidas, com arrancadas perigosas e pedindo mais contas, deu lide Joaquim Brito Paes, o mais novo desta Dinástica Família Taurina.
Foi um lide com um pouco de tudo, alguns toques, boa brega, alguns ferros passados, e um muito bom a favor da querença natural. Faz parte da inexperiência conhecer todos os cambiantes do toureio.
Para a terceira e última pega, outra estreia, outro forcado de Dinastia, Joaquim Grave, bonito e sério no cite, deixando-se ver em toureiro, andou, citou e carregou para se fechar com querer e moral num animal que derrotou e viajou fugindo aos ajudas, mas que não desfeiteou o forcado e grupo, pega boa à primeira.
Volta para ambos, após insistência do público para que Brito Paes agradecesse.
Para a segunda parte estava reservado o toureio a pé.
António João Ferreira recebeu um novilho forte e com mobilidade, transmitia muito pela mobilidade, embora tardo em bandarilhas, repartidas entre si e o seu irmão João, na muleta e já centrado manteve a mobilidade e toureabilidade, proporcionando duas primeiras tandas de derechazos compridos e ligados.
Não permitia a mão muito baixa e a meia altura deixava ligar circulares bem rematados que chegaram com facilidade às bancadas. António João sentia-se confortável e transmitia essa sensação, sem pressas, pausado, num animal que lhe permitiu isso mesmo.
Duas voltas, a segunda acompanhado, com justiça, do Ganadero Francisco Calejo Pires.
Seguiu-se-lhe Nuno Casquinha com o novilho, dos três, com menos brilho, mais curto de passes, protestando nos finais, mas que não foram impedimento para que Casquinha lhe pudesse ter espremido todo o sumo que tinha, por ambos os lados, faena de cercanias, valor e desplantes, igualmente de grande efeito no público.
Volta.
O sexto e último, o novilho com mais classe da tarde, um “taco” de hechuras, com tudo para investir, meio adormecido no princípio, nas verónicas lentíssimas de Dias Gomes, com o capote nas pontas dos dedos, e depois já na muleta começou por investir por baixo, com pouco empuje, talvez por força no limite, mas foi crescendo e Manuel confiando-se até ao ponto de uma tanda de derechazos ligados, largos e compridos, lentos e com o queixo metido no peito que nos fizeram sorrir a todos.
Talvez a volta de campana que deu a meio da lide tenha feito algo de bom e mudado, acordou-o e transbordou a classe que tinha meio escondida.
Volta.
Se o quarto teve mobilidade e repetição, chegando talvez mais ao público, o sexto começando adormecido, veio a mais e investiu com classe e por baixo.
Sobral e Calejo Pires é um binómio, quase sempre de conta certa.
Saiu a Primavera para ver um paseíllo de tempos idos, saiu a Primavera para ver uma novilhada de categoria, saiu a Primavera para ver meninos fazerem coisas de homens, saiu a Primavera Taurina.
Bernardo Salgueiro Patinhas 28.04.2019










