Rodrigo Alves Taxa aficionado e Assessor Jurídico do Chega na AR, fez-nos chegar um artigo no seguimento das propostas do PAN e BE, sobre a alteração de idades mínima para assistir a uma corrida de toiros.
Transcrevemos na integra o artigo:
E A LIBERDADE DE PODER GOSTAR/ASSISTIR A TOURADAS ÀS CRIANÇAS DEVE CONTINUAR A PERTENCER
Impressionante como num mundo e num país repleto de problemas e dificuldades, ao Bloco de Esquerda e, particularmente ao PAN, apenas parece interessar transformar Portugal na Venezuela da Europa, sendo a demanda das suas vidas a eliminação da tauromaquia em Portugal.
Mas sendo que hoje vou escrever menos sobre política e mais sobre os direitos, liberdades e garantias que a minha esfera pessoal e jurídica detém, no que respeita à primeira dinâmica deixo apenas duas considerações para que o leitor, seja ou não aficionado, possa sobre elas pensar.
A primeira para registar que, uma vez mais, como vem sendo hábito, Bloco de Esquerda, mas particularmente o PAN, pese embora quando falem encham a boca com a palavra liberdade, passando da oralidade para a escrita das suas iniciativas legais logo se esquecem dessa palavra substituindo-a por proibição.
A segunda, dirigida em particular ao PAN, para aclarar que não deixa de ser cómico que um partido que nas últimas eleições legislativas teve apenas cerca de 174.000 votos, correspondentes a 3,49% do universo eleitoral, considere que é representativo da maioria dos portugueses insistindo em afirmar que Portugal é contra a tauromaquia.
Realmente na vida ninguém tem culpa de ser burro. Mas passa a tê-la se para lá de ser burro ainda decidir ser parvo.
Mas deixemos por momentos a política de lado porque estando eu nela com funções activas tudo quanto diga pode ser imediatamente levado para questões meramente político-partidárias, questões essas que, naturalmente existindo e as quais discuto sempre que me apetecer ou quando alguém para isso me desafie, neste artigo não são o foco principal de exposição.
O que hoje me interessa fazer notar é o verdadeiro desprezo que estes dois partidos revelam para com a dignidade da pessoa humana, em particular porque não se importam de querer anular a identidade pessoal e cultural de cada um, se a sua, com ela não se identificar.
Mas, uma vez mais, tudo isto resulta de serem burros. Burros por considerarem que a dignidade da pessoa humana se consubstancia e esgota, apenas, na dimensão física do ser humano.
Nestes diplomas legais o mais preocupante já nem é a questão tauromáquica, mas sim a invasão gratuita que se faz na personalidade pessoal jurídica de cada um. Na personalidade pessoal e jurídica dos pais e na personalidade pessoal e jurídica dos filhos. Na personalidade pessoal e jurídica de um adulto e na personalidade pessoal e jurídica de uma criança.
É preciso ser desprovido de qualquer seriedade intelectual para considerar que uma proposta desta natureza é legítima.
Aproveitando um slogan cuja autoria não me pertence, mas ao qual nesta sede recorro, antes de qualquer outra coisa, a educação dos filhos apenas aos pais pertence, mas também a liberdade de gostar/assistir-ou não- a touradas às crianças deve continuar a pertencer. Nunca ao Estado. E ainda que, por remota hipótese a um qualquer Estado pudesse pertencer, nunca poderia ser a um Estado como o nosso que está maioritariamente dominado por pulhas e amorais.
Eu vou repetir que na minha vida nunca tive medo de chamar os bois pelos nomes e não é com quase 32 anos que começarei a ter: pulhas e amorais.
Para dar um exemplo concreto vou servir-me da minha própria existência para relatar aquilo que enquanto criança sempre senti ao ir aos toiros. Uma alegria imensa. Chegava a andar uma semana inteira a apoquentar os meus avós para me levarem aos toiros no Sábado seguinte porque queria ir ver este ou aquele toureiro.
Notaram o que eu acabei de escrever?
Sempre tive uma família maioritariamente aficionada, mas nunca ninguém me impôs que eu também o fosse. Fui e sou porque gosto de ser. Nunca na minha família alguém me obrigou a ir a uma corrida de toiros. Era eu que enquanto criança verdadeiramente chateava a cabeça a toda a gente lá em casa para que fôssemos muitas, muitas e muitas vezes.
E não raras foram aquelas em que lá em casa a vontade em ir aos toiros não era muita e ainda assim lá me faziam a vontade e acabávamos sempre por ir.
A minha experiência de vida, no que nesta dinâmica diz respeito, é também a experiência de vida de milhões de pessoas. De milhões de crianças, de milhões de jovens, de milhões de filhos, de milhões de pais, de milhões de avós.
Alguém imagina que tendo eu um filho e que este ao pedir-me para ir a uma corrida de toiros, ouça da minha boca que não pode ir, não só porque o Estado não lhe permite a ele ir mas porque não me permite também a mim decidir se ele vai ou não? (enquanto for menor, naturalmente)
Só um completo atrasado mental propõe, admite ou aceita uma coisa destas!
Já agora: Tal como em criança já fazia, nos meus tempos livres gosto de pintar/desenhar cenas taurinas.
Qual é o próximo passo? Proibirem-me que o possa fazer? Haja vergonha!
Termino com um apelo e uma frase:
O apelo faço-o para que nas próximas eleições todos os aficionados portugueses, sem excepção, saiam à rua e contribuam para que se dê uma estocada inteira e final em qualquer partido que proponha uma alarvidade destas. No dia em que se proibirem as crianças de ir onde quer que seja ou retirar-se aos pais o direito/dever de decidir onde elas vão ou não vão até serem maiores de idade, estaremos no início de um caminho sem retorno onde deixaremos de ser pessoas para sermos apenas animais. (Tal como eles gostavam que assim fosse, e alguns, na verdade, são)
A frase, essa, que não é minha, deixo-a apenas para que nela pensem, caso sejamos levados ao limite de, imagine-se, continuarmos a poder ser quem somos:
Sempre que uma proposta de lei for manifestamente injusta, façam-se ouvir, saiam à rua, não deixem nas mãos dos outros as rédeas da vossa vida!
Rodrigo Alves Taxa










