Nos dias de hoje, grande parte da sociedade não vê com bons olhos um setor que se preocupa em manter os valores e tradições dos nossos antepassados, que conferem sentido à existência humana.
De facto, ser aficionado é um desafio que nos é lançado por pessoas que pouco ou nada conhecem este setor, que revelam uma atitude crítica muito acentuada e que não manifestam qualquer interesse em conhecer antes de opinar, baseando os seus argumentos em muitas notícias falsas como habitualmente se tem verificado nos dias de hoje. Deste modo, diria que este é o primeiro desafio que nos é lançado: ensinar a esta parte integrante da nossa sociedade que uma crítica bem validada e estruturada tem de ser antes aprendida e interiorizada com base em informações verdadeiras. Para além disso, atrevo-me a questionar se vale a pena perdermos tempo com este desafio, uma vez que muitas destas pessoas não têm qualquer interesse em aprender nem estão dispostas a ouvir opiniões distintas das suas. A todas estas pessoas, gostaria de colocar algumas questões, para que possam refletir: A liberdade individual de uma pessoa é mais importante do que a liberdade individual de outra? O gosto de uma pessoa vale mais do que o gosto de outra? Para os anti taurinos estas respostas são muito evidentes. Estas pessoas não se preocupam com os meios para atingir os fins, sendo isso desumano em pleno século XXI nem sabem dar valor ao que nos foi deixado pelos nossos antepassados, evidenciando o típico comportamento da sociedade moderna: uma ideologia extremista e animalista, que em certos casos são capazes de dar mais valor à vida dos animais em detrimento da vida humana.
Nestas pessoas é visivelmente notório a sua alteração e incoerência de comportamentos, pessoas cada vez mais citadinas que não sabem dar o devido valor ao campo, de onde provêm todos os seus vegetais, para a sua alimentação vegetariana. Posto isto, gostaria de vos lançar um repto: tendo em conta a nossa capacidade de saber ouvir as vossas opiniões, de sabermos respeitar os vossos gostos e de aceitarmos muitos dos desafios que nos lançam, será que podem aprender a respeitar as pessoas que têm um gosto diferente do vosso? Vivemos numa democracia, e como tal, não podemos querer proibir uma tradição simplesmente porque não se gosta. Respeitamos que não gostem, só não aceitamos que a proíbam e que a queiram extinguir! Por isso um concelho que vos damos é: aprendam a respeitar as diferentes opiniões e a respeitar o essencial numa democracia, a liberdade individual de cada cidadão!
Face ao exposto, conseguimos perceber que grande parte dos desafios que nos são colocados são desafios externos. Contudo não nos podemos focar apenas nesses desafios. Temos igualmente de olhar para os desafios internos, que nos fazem crescer enquanto aficionados e simultaneamente enquanto cidadãos. Destes desafios fazemos parte todos nós, que somos responsáveis por garantir que todo o meio taurino está unido com o objetivo de preservar a nossa cultura e esta tradição que tanto nos caracteriza enquanto nação. Para isso necessitamos de olhar para os reptos que nos são lançados e utilizá-los a nosso favor. A nós cabe-nos apoiar os artistas, encher as praças e manter todo o ambiente de festa que se vive neste meio.
Apesar de todas as nossas fragilidades internas e também de algumas coisas que possamos não concordar, não podemos defender a tauromaquia se não apoiarmos quem dá a cara por nós. Por isso, temos de nos manifestar quando necessário e não podemos ter medo de nos assumir como aficionados! Seguramente que nenhum de nós quererá que esta tradição termine. Não nos queremos dar por vencidos e para tal, temos de agir ponderadamente e rapidamente mostrando a nossa união e a nossa força. Para isso necessitamos de recorrer aos valores essenciais de todos os aficionados como o respeito, a humildade, a fraternidade, entre muitos outros, que podemos aprender e pôr em prática em todo este meio taurino. Efetivamente, são estes valores que nos destacam numa sociedade onde o respeito pela liberdade individual e o respeito pelos distintos gostos pessoais começam a ser cada vez mais atacados.
Em suma, podemos concluir que todos estes desafios que nos são lançados diariamente dependem exclusivamente da maneira como todos nós os enfrentamos. Sempre fomos pessoas que enfrentámos as nossas adversidades de frente, desta vez não irá ser diferente. Vamos agir enquanto é tempo, depois poderá ser tarde de mais… Seremos nós capazes de estar unidos para mantermos viva esta nossa paixão? Viva a Festa, viva os Touros!










