O cabo do Grupo de Forcados Amadores de Santarém, João Grave, não tem dúvidas que esta quarentena vai fazer com que se aproveite mais a família e os projectos pessoas. João acredita que todos se vão reerguer e a tauromaquia também.
Tauronews: Considerando a actual situação em Portugal, quais acha que serão as principais repercussões que o Covid-19 irá causar na nossa sociedade e em particular na tauromaquia?
João Grave: É difícil prever quais serão todas as repercussões e como é que a sociedade vai responder, no entanto, já sabemos que vêm aí tempos difíceis. Empresas que deixam de produzir, aumento do desemprego, inflação (dada a quebra de produção), perda de poder de compra, quebra no turismo… Tendo em conta todo este panorama de crise e o cancelamento de grande número de espectáculos, a tauromaquia também vai sofrer bastante.
T.: Até ao momento já teve festivais e corridas cancelados/adiados?
JG.: Já. A corrida que estava agendada para o dia 22 de Março em Santarém, está suspensa.
T.: Quais as implicações económicas que esta situação poderá ter a curta/médio prazo no seu caso em particular?
JG.: Relativamente aos Grupos de Forcados em geral e ao Grupo de Santarém em particular, esta é a fase em que estamos a preparar as nossas temporadas. O normal é termos treinos, corridas, passarmos tempo todos juntos… Agora estamos a viver circunstâncias diferentes e inesperadas. Nesta fase em que não nos podemos juntar fisicamente, é importante manter o foco e encontrar soluções para que os Grupos se mantenham em contacto e cada um se vá preparando (individual e colectivamente).
T.: Esta temporada já tinha corridas marcadas fora de Portugal? Em que medida pode afectar a sua carreira?
JG.: Se compararmos com os restantes agentes da festa os Grupos de Forcados têm a vantagem de ser amadores. O nosso desafio acredito que está em encontrar as tais soluções para que este período tenha o menor impacto possível na saúde, ligação entre todos os elementos e preparação dos Grupos. Está nas nossas mãos lutar por isso.
T.: Como tem gerido, a nível familiar, esta situação? Tem medo pelos seus familiares?
JG.: Custa-me não poder visitar os meus avós, mas até isto passar tem de ser.
T.: Mesmo estando de quarentena, vai conseguindo treinar ou suspendeu tudo?
JG.: Todos os eventos colectivos estão suspensos, mas está nas nossas mãos continuar a preparamos-nos física e psicologicamente. Temos de puxar uns pelos outros. Vai ser uma preparação diferente, mas vai ser bom.
T.: Que mensagem de ânimo deixaria aos aficionados?
JG.: Quase todas as gerações atravessaram períodos mais difíceis, quer seja por guerras, crises e outras epidemias e todas ultrapassaram as dificuldades. Nós também vamos ultrapassar! Às vezes é bom abrandar o ritmo e ter tempo para dar mais atenção à família, projectos pessoais, fazer voluntariado e ajudar quem precisa, etc. Quando tudo tiver passado acho que vamos encarar a vida duma forma mais madura, solidária e saber valorizar coisas às quais não dávamos o devido valor. Com empenho todos nos haveremos de reerguer e a tauromaquia também!










