Os dias e os meses iam passando deste atípico ano… A incerteza crescia entre os aficionados primeiro com o maldito “bicho”, depois com as medidas de saúde pública discriminatórias em relação à Tauromaquia. A pergunta corria de boca em boca, percorria o pensamento de todos, haverá toiros este ano?! O Luís Miguel Pombeiro empresário da praça de toiros de Estremoz, contra ventos e marés deu-nos a resposta. Primeiro sonhou, depois meteu mãos à obra e montou uma corrida exemplar na bonita cidade alentejana. Praça Esgotada, a vontade de ir aos toiros era muita, “mandamos o bicho” às urtigas e com todas as medidas de segurança impostas assistimos a uma agradável noite de toiros.
Foram lidados seis toiros díspares de apresentação e jogo da Ganadaria Vinhas em ano da sua comemoração dos 70 anos. O primeiro foi nobre, veio a mais e teve recorrido; O segundo um toiro grande ao qual faltou entrega e não foi “pêra doce”; O terceiro teve querenças acentuadas mas delas saia com facilidade, foi nobre e veio a menos; O quarto teve mobilidade, vindo a menos com o decorrer da lide. O quinto foi um toiro pronto, com mobilidade, bom toiro. O sexto foi o mais encastado do curro, toiro com raça e a pedir as coisas bem feitas a cavaleiro, bandarilheiro e forcados.
Coube a Rui Salvador abrir praça, realizou uma lide de menos a mais. Nos compridos os ferros teimavam em não ficar no morrilho do toiro, a primeira fase da lide de curtos também não foi a melhor… Mudou de montada e aí veio o Salvador entregue, o Salvador de raça, o Salvador dos grandes ferros.
António Brito Paes teve por diante um toiro que não facilitou em nada a sua lide. Nos compridos o primeiro ficou demasiado descaído, emendou a mão e cravou o seguinte de boa nota. Nos curtos a brega foi exímia mas no momento do ferro por vezes faltava toiro, outras o toiro cortava terreno afeiando o momento da sorte, lide sóbria e resolvendo os problema que teve por diante.
João Moura Caetano, foi o primeiro grande triunfador da corrida, desde cedo disse ao que vinha. Bem nos dois compridos, nos curtos foi senhor de uma grande brega, com bonitos recortes toureiros. Destaque para o excelente segundo ferro curto e o espetacular quinto em sorte ao pinton contrário.
Manuel Ribeiro Telles, veio a Estremoz com fome de triunfo e triunfou! Recebeu o toiro com um espectacular ferro em sorte de gaiola, mais dois compridos de grande nota. Nos curtos o Manel transpirou classe e toureria… O Terceiro e quarto curtos foram um recital de bom toureio a cavalo.
Ana Rita, que substituiu Emiliano Gamero, entusiasmou Estremoz! Cavaleira cheia de raça, espectacularidade, agarra o público com a sua simpatia e arrojo. Correcta nos compridos, nos curtos cravou bons ferros, rematando a lide com dois violinos que levantaram o público das bancadas.
Fechou a corrida Parrerita Cigano, cavaleiro a qual lhe reconhecemos raça e vontade mas esta noite andou por vezes “atacado” de toiro, sobrepondo o valor à razão. Alguns toques nas montadas intercalaram com alguns ferros de boa nota, não foi certamente a noite sonhada por este cavaleiro mas valeu a vontade que mostrou em praça.
Dois grupos de forcados em praça, Amadores de Arronches e Académicos de Elvas disputavam entre si o prémio para a melhor pega. Sendo a eleita a realizada a quinto toiro da corrida concretizada por Rodrigo Picão de Abreu dos Amadores de Arronches.
Abriu praça Tiago Policarpo numa pega correcta ao primeiro intento; Rafael Pimenta, bateu as palmas ao terceiro da corrida, tentativa dura saindo o forcado maltratado. Saltou para a dobra Luís Marques que à primeira realizou uma boa pega. Fechou a noite para os de Arronches Rodrigo Picão de Abreu, três tentativas duras, com o toiro a sair solto e a meter a cara com dureza no momento da reunião.
A noite foi dura para os Académicos de Elvas, Paulo Maurício foi cinco vezes à cara do segundo… O toiro tinha pouco “pau” o que dificultava e de que maneira o forcado ficar-lhe na cara. João Bandeira à segunda tentativa realizou uma pega vistosa e de boa nota. António Machado, para além de ter que enfrentar a dureza do Vinhas teve que se bater com o mau estado do piso… Dificultado o forcado em reunir, por duas vezes quase que cai na cara do toiro. Resolveu à quinta tentativa a sesgo.
Foi guardado um emotivo minuto de silêncio em memória do matador Mário Coelho.
Uma palavra aos campinos pela forma como conduziram o jogo de cabrestos desta corrida, trazendo as faenas de campo à praça, bravo!
Dirigiu com acerto o Director Marco Gomes.
Resistiremos, sempre que houver paixão, valor e raça!










