Coruche | As Dinastias

Coruche | As Dinastias

  • 24 de junho de 2022, Coruche
  • Confronto de Dinastias
  • Cavaleiros: António Ribeiro Telles, João Salgueiro, João Salgueiro da Costa e António Ribeiro Telles filho
  • Forcados: Coruche e Alcochete
  • Ganadaria: Passanha
  • Direção de Manuel Gama assessorado por José Luís Cruz

 

Faz precisamente hoje cinquenta e um anos, que nasceu na Cidade das Caldas da Rainha o Grupo de Forcados Amadores de Coruche, apadrinhados pelos Amadores do Montijo que teve que se enfrentar, em noite de estreia com exemplares da ganadaria de João Gregório e faz também, neste mês de Junho, os mesmos cinquenta e um anos, que nasceram os Amadores de Alcochete.

Só por isto era motivo mais que suficiente para levar público às bancadas, se acrescentarmos um confronto de duas Dinastias, Telles e Salgueiros, que muito dizem às Terras Sorraianas, então estavam reunidos os condimentos necessários para uma extraordinária noite de toiros.

E de fato, o público correspondeu, preenchendo mais que dois terços da lotação da Monumental do Sorraia, numa noite amena em que os exemplares da Pina, deram jogo regular, não complicando o desempenho dos artistas, mas faltando um pouco de sal e pimenta, para dar mais uns rasgos de transmissão às lides.

Antes do início do espetáculo, foi prestada uma singela homenagem, ao Cabo Fundador do Amadores de Coruche, João da Costa Pereira, recentemente falecido, que passou a ter o seu nome gravado no mural taurino, frente ao tauródromo de Coruche.

 

Pelos representantes da Torrinha, começando pelo Mestre António, não teve um adversário à altura, precisava de mais toiro, para poder explanar toda a sua essência toureira, no entanto, na lide em solitário, procurou em todos os terrenos da praça, dar a vantagem bastante para no momento do ferro, cravar com verdade e emoção, sortes que nem sempre saíram como desejava, mas que num computo geral, poderá considerar-se de grande pundonor e dedicação toureira.

António Ribeiro Telles Filho, lidou a sós o terceiro da ordem, um mansote colaborante, que permitiu ao jovem ginete da Torrinha, explanar toda a sua tauromaquia, própria da juventude, nem sempre nos melhores terrenos, que lhe valeram algumas passagens em falso, todavia, quando deixou os ferros, fê-los com verdade e querer, próprios de um jovem que muito terá a dizer ao toureio equestre nacional.

Na lide a duo, receberam o Passanha, à porta da gaiola e depois de o deixarem em sorte, despacharam a ferragem comprida. Sem perder tempo, trocaram de montada e após a cravagem da primeira bandarilha curta e ao som de música, desenvolveram uma lide homogénea, ligada, terminada com a cravagem de dois palmitos de grande efeito bem do agrado do público.

 

Pela parte dos cavaleiros de Valada, abriu as hostilidades, o jovem Salgueiro da Costa, dado que o Passanha saído em segundo lugar, para o seu progenitor, foi devolvido aos currais, pois, ao investir na trincheira, partiu o corno e foi substituído pelo primeiro sobrero que saiu em quarto lugar. O mais jovem de Valada, porfiou bastante, para fazer as coisas bem feitas e conseguiu, chegando ao publico, que não lhe regateou aplausos.

Por sua vez João Salgueiro, na lide do quarto, o tal primeiro sobrero, esteve diligente, fazendo lembrar os seus melhores tempos, desenvolvendo uma brega cuidada, para deixar o toiro em sorte, e depois cravar o ferro em reuniões cingidas e emotivas.

Na lide a duo, que encerrou o festejo, foi possível observar bons momentos de toureio, em que não faltou a ligação, o aproveitamento dos remates das sortes e o entrosamento próprios de quem sabe o que faz e o que quer.

 

Noite de Aniversário, para ambos os Grupos em praça, os Amadores de Coruche, que há cinquenta e um anos atrás, na nem noite de estreia, nas Caldas da Rainha, foram solistas, os saudosos António Roberto e Joaquim Lopes e ainda o Luis Tomás, hoje o cabo José Tomaz, escalou para a primeira pega, João Ferreira Prates, que na primeira tentativa, não conseguiu a reunião perfeita, emendando à segunda tentativa, com a eficiência que lhe é reconhecida, na segunda intervenção, tal como à cinquenta e um anos, uma estreia, Bernardo Cortez, que no primeiro intento foi derrotado nas terceiras ajudas, retificando na segunda tentativa com uma pega de belo efeito. Para encerrar a participação dos Amadores Sorraianos, foi para a cara do quinto da ordem António Tomaz, que esteve sóbrio a citar, consumando uma rija pega, ao primeiro intento, com todo o Grupo a reagir com a eficácia necessária.

 

Pelos Amadores de Alcochete, também eles aniversariantes, foram solistas, Afonso Matos Correia, à primeira tentativa, Henrique Teixeira Duarte, ao segundo intento e encerrou a participação dos Amadores de Alcochete, Manuel Pinto, numa rija e vistosa, pega de caras, à primeira tentativa.

 

Abrilhantaram o espetáculo as Banda de Música da Sociedade de Instrução Coruchense e Sociedade Imparcial 15 Janeiro 1898 de Alcochete, ambas brindadas pelos Grupos de Forcados.

A direção da corrida esteve a cargo do delegado Manuel Gama, assessorado pelo médico veterinário José Luís Cruz e pelo cornetim José Henriques.

Todos os toiros da corrida foram recolhidos pelos campinos João Inácio “Janica” e Mário Gordo, que manejaram um jogo de cabrestos da Quinta da Silveira.

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