Tenho nos últimos dias acompanhado a mais recente polémica sobre a não transmissão de conteúdos tauromáquicos por parte da RTP. Com algum agastamento pessoal, confesso, mas ainda assim, tenho acompanhado.
E confesso-me agastado porque ainda que uma vez mais o disfarcem, parece-me errada a forma como todo este processo está a ser conduzido pela RTP, e a forma como a ele estamos a reagir, caindo no velho erro de colocar o assunto apenas no domínio do “gosto”.
O verdadeiro ponto não deve ser esse.
É por isso que devo também confessar, o que não significa que não compreenda, não valorize, não respeite quem o decida fazer ou que até eu próprio o possa fazer, que me custa estarmos agora a embarcar num caminho meio espúrio em que quase parece que quem apresentar mais nomes numa qualquer lista a favor ou contra a transmissão de touradas, é quem tem pela sua dimensão ou aglomeração de nomes mais sonantes, razão.
Não é, em minha opinião, por aqui que devemos ir.
Devemos ser pragmáticos, contundentes e objectivos. Porquê?
Porque os argumentos pela continuidade das transmissões são simples de defender sem que ao distrairmo-nos com discussões paralelas nos afastemos do essencial, o que acontecendo, só nos prejudica.
A RTP tem o dever de transmitir conteúdos tauromáquicos. Porquê? É simples.
Nos últimos anos tem-se adensado o debate bem como as movimentações externas daqueles que não querendo que o canal público de televisão os transmita, o pressionam também externamente, sobretudo junto de organismos ou entidades que sobre ela tenham influência.
A par desta realidade, como bem sabemos e das mais variadas formas, algumas políticas, tem-se também agudizado um certo jogo parlamentar em que necessitando o Executivo de garantir alguns apoios parlamentares para a sua manutenção no poder, tenha calhado à tauromaquia, a fava do bolo.
Pese embora como digo, se sinta essa agudização, o Governo não ilegalizou a tauromaquia nem tão pouco vetou ao esquecimento todos os seus artistas ou partidários. Não por não o desejar fazer, mas apenas porque não pode fazê-lo. Mas isso é outra conversa. E dela já falámos várias vezes.
Agora, aquilo que para o caso interessa, é que esta proibição não pode, naturalmente, ser decretada por um qualquer diretor de programas, ou, muito menos, por um qualquer Conselho de Administração, seja ele qual for.
Não havendo qualquer proibição expressa pela tutela nesse sentido e não existindo, pelo menos que se saiba, um respaldo nesse sentido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o caminho terá de ser o da retoma das transmissões até aqui sempre realizadas.
A RTP, enquanto concessionária de serviço público televisivo pago por todos os portugueses, tem de ser imparcial nesta batalha e a ela lhe devemos exigir o escrupuloso cumprimento do respeito pela diversidade de opiniões e opções culturais.
Rodrigo Alves Taxa










