Murteira Grave, Gilberto e Suissas vencem no Montijo

Junho é o mês em que se comemoram os Santos Populares, com festas muito animadas, em que Portugal sai para a rua para se divertir, comer e beber pela noite dentro e onde as ruas são decoradas com arcos e balões de todas as cores, flores e manjericos. Também a Festa dos toiros tem uma forte ligação a este mês e a estas Festas populares.

No Montijo São Pedro é o seu Santo Padroeiro e as suas festas são de arromba! Toiros na rua, música, procissões emblemáticas, convívio e a sua tradicional corrida de toiros fazem destes dias da cidade ribeirinha um retrato de um Portugal em Festa.

Dia 30 de junho dia de São Marçal, Santo que fecha o ciclo do período junino também é muito popular por aquelas terras e este ano foi dia de toiros já que São Pedro nos pregou uma partida na sua noite… São Marçal é o Santo da multiplicação dos pães e este ano também pode ser considerado o Santo da multiplicação de público… Grande entrada registaram as bancadas da Amadeu Augusto dos Santos na tarde de domingo.

Corrida comemorativa dos 20 anos de Alternativa de Gilberto Filipe e das dinastias toureiras. Também um concurso de ganadarias e um concurso de pegas…

Sete ganadarias a Concurso que disputavam entre si os prémios de Apresentação e Bravura, sendo jurados deste Concurso os excelentíssimos senhores: Vasco Lucas, Lourenço Vinhas, Rafael Vilhais, José Caceres e António Sécio.

Abriu a tarde um toiro bonito de Cunhal Patricio, foi um toiro com um comportamento interessante, veio a mais com o decorrer da lide, foi nobre e teve casta.

Uma estampa foi o de Canas Vigouroux, com cara, rematado de carnes mas equilibrado de tipo. Teve uma saída fria, mas mostrou casta depois do primeiro comprimido. Teve teclas e acabou por ter pouca entrega.

De António Silva foi o terceiro, toiro com praça, cornamenta desenvolvida mas basto de tipo… Foi um manso metido em tábuas.

O quarto foi de Murteira Grave, toiro bonito de tipo sem exagerações. Foi nobre, meteu de maravilha a cara nos capotes, veio a mais com o decorrer da lide. Bom toiro!

Um Sommer foi o quinto, grande, com cara mas também basto de tipo. Toiro difícil, não teve classe nenhuma, nem entrega.

Um taco era o de Veiga sexto, saiu distraído e desinteressado. Com o decorrer da lide veio a mais, teve casta e raça. Toiro interessante!

Bonito era o de São Martinho que fechou a tarde, toiro com som, bom tranco mas que escarvou em demasia com a cara no chão… pediu sempre muita ligação. Também foi este um bom toiro.

Decidiu o Jurado que o prémio de apresentação era para o toiro de Canas Vigouroux e o Prémio de Bravura para o toiro de Murteira Grave.

João Moura, no Montijo abriu a tarde com uma lide interessante… Entendeu o de Cunhal Patrício de princípio a fim… escolheu bem os terrenos, lidou na perfeição, cravou o ferros com eficiência e ainda se recriou de forma bonita nos dois palmos com que rematou a sua lide.

António Ribeiro Telles, nesta tarde do Montijo esteve muito bem! Tapou muitos defeitos ao seu oponente, lidou com a classe que lhe é característica, cravando um par de ferros de grande nota, rematando as sortes com sabor de toreria antiga.

Luís Rouxinol andou nesta tarde de emoções e sentimentos para a sua família… num plano superior de ofício! Luís quanto a mim teve uma grande lide, teve por diante um toiro muito complicado, rachado, fechado em tábuas e que se tapava no momento das sortes. Rouxinol não voltou a cara e cravou bons ferros, tentou contrariar as querenças do de Silva e rematou as sortes com a raça que lhe são características.

Gilberto Filipe em tarde de comemoração de alternativa diante do seu público, teve uma lide redonda! Aproveitando de cabo a rabo o nobre toiro de Murteira. Bem nos compridos, abrindo os caminhos ao toiro. Nos curtos as sortes tiveram bonitas execuções, rematadas com gosto toureiro, levantando o publico das bancadas. Rematou a lide com um violino e um ferro com o cavalo sem cabeçada.  Público rendido a esta lide de Gilberto.

O quinto da tarde complicou a vida a Miguel Moura mas o de Monforte andou em plano lidador… tapando os defeitos ao complicado de Sommer, mostrando uma frieza e um saber estar diante das dificuldades impostas. Grande porta gaiola a começar e mais um comprido correcto. Nos curtos deixou os ferros com a solvência e ofício, lidando com sabedoria. Rematou a sua actuação com dois palmos de boa nota.

Luís Rouxinol Jr. triunfou nesta tarde, Luís foi a emoção, o querer e raça. Quis receber o de Veiga na porta dos curros mas este saiu distraído… mais um comprido e remate de boa nota. Na ferragem curta conseguiu meter na lide um toiro que cara ou cruz… Andou ligado, interessando o toiro na montada, cravando ferros de belo efeito, rematou as sortes com eficiência. A finalizar a sua lide um par de bandarilhas que emocionou os presentes.

António Ribeiro Telles filho fechou esta corrida com chave de ouro! Que grande lide de António, assim dá gosto ver tourear a cavalo! Três compridos, rematados como mandam as regras do toureio clássico. Nos curtos houve gosto, classe, bom toureio, ferros cravados com sentimento e remates cheios de aroma toureiro. O terceiro curto foi soberbo, entrando pelo toiro dentro e cravando ao estribo. Rematou a lide com dois palmos que levantavam o respeitável dos assentos, o último soltando as rédeas do cavalo no momento de cravar. Olé!

Nesta tarde também havia um prémio para a melhor lide a cavalo. Sendo jurados os excelentíssimos Senhores João Folque, João Pedro Bolota e João Samuel Lupi que outorgaram o prémio a Gilberto Filipe.

Nas pegas uma competição caseira dos dois grupos da terra, Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Amadores do Montijo, também disputando o troféu para a melhor pega sendo o jurado composto pelos excelentíssimos Senhores Hugo Branquinho, João Vilaverde e por mim próprio. Decidindo que a melhor pega foi a quarta da tarde executada pelo forcado José Suissas, cabo dos Amadores do Montijo.

Abriu a tarde pelo grupo da Tertúlia Jorge Malagão, á segunda tentativa numa boa pega. Na primeira tentativa não esteve correto a receber o de Cunhal Patrício.

Armando Costa, correto á primeira tentativa, bem o grupo a ajudar.

Paulo Carvalheira, a dobrar João Paulo que saiu magoado na sua tentativa. Pega dura e correcta.

Fechou a tarde Pedro Tavares que compartilhou grupo com os Amadores, boa pega deste forcado, bonito a citar, receber.

Pelos Amadores abriu a tarde o veterano Hélio Lopes ao segundo intento, numa grande pega.

José Suissas, numa pega impressionante que levantou o publico das bancadas. O toiro arrancou de largo e entregue, o forcado recebeu a investida com raça, a viagem foi longa chegando às tábuas, voltando o toiro para o centro da arena com o forcado fechado na cara do Grave.

Filipe Santiago bateu três vezes as palmas ao de Veiga, toiro a derrotar com violência e a tirar o forcado da cara.

No início da corrida foi guardado um minuto de silêncio em memória de Alfredo Vicente e Manuel Fernandes.

Dirigiu a corrida Tiago Tavares, sendo o médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Artigos Similares

Destaques