Palhas impõem emoção no São Pedro em Évora

O São Pedro é por tradição a data forte da cidade de Évora, e é neste dia que a afición se desloca em peso à sua praça. Este ano com a particularidade de a corrida se realizar precisamente no dia feriado, que coincidiu com o fim-de-semana. Há precisamente 5 anos que tal não acontecia.

Enquanto aficionado, a corrida de São Pedro em Évora sempre me traz felizes recordações, é talvez a data que mais significado tenha para um aficionado eborense. Lembro-me em pequeno da tradição ser corrida noturna, o que aconteceu até 2018, data a partir da qual passou a ser vespertina.

Este ano decidiu a empresa que a corrida voltasse a ser noturna. Decisão arriscada, dado que à mesma hora se realizou no recinto da Feira de São João um dos concertos fortes do cartaz. Ainda assim, o público respondeu à chamada e preencheu três quartos fortes da Arena D’ Évora.

Relativamente ao espetáculo, decidiu a empresa NEPE montar um cartel variado e diferente do que costumamos ver nesta data. Aposta arriscada! Francisco Palha, o artista mais velho em cartel, é um toureiro conhecedor da praça de Évora, já aqui toureou por diversas vezes, mas faltava-lhe quiçá um triunfo redondo nesta praça! António Prates é um toureiro muito acarinhado em Évora. Foi aqui que tirou a prova de praticante em 2016. Depois disso, toureou no São Pedro de 2018 junto a duas figuras do toureio e obteve um assinalável triunfo. A presença de Tristão Telles neste cartel é um bom exemplo de meritocracia. Apresentou-se em Évora na passada temporada com uma corrida dura de Adolfo Martín, triunfou e foi repetido. É assim que se impõe! O grupo da terra a pegar seis toiros como é tradição e um imponente curro de toiros de uma das mais importantes ganadarias do campo bravo português. Ingredientes de sobra para uma enchente nas bancadas!

Foi uma corrida repleta de emoção, daquelas que fazem aficionados. Certamente que os aficionados deram por bem empregue o dinheiro do bilhete.

Da ganadaria Palha vieram seis toiros bem apresentados na generalidade. No geral foi um bom curro de toiros, a transmitirem emoção às bancadas. O primeiro, foi bravo e encastado, a meu ver o melhor da corrida. O segundo pedia que se lhe fizessem as coisas bem feitas e não beneficiou das batidas ao pitón contrário. O terceiro da ordem teve como virtude a prontidão para o ferro, vindo a menos com o decorrer da função. O quarto da ordem teve algumas crenças e adiantou-se à montada. O quinto foi o mais complicado da corrida. O sexto foi bravo e encastado, indo a mais com o decorrer da função. O maioral da ganadaria deu merecida volta ao ruedo após a lide do último.

Francisco Palha é neste momento um dos cavaleiros da linha da frente, enfrentando todo o tipo de ganadarias. É talvez o cavaleiro que revela atualmente melhor entendimento dos toiros da ganadaria Palha. Diante do primeiro da ordem, um toiro que acompanhou as intenções de triunfo do cavaleiro, realizou a lide da corrida. Esteve bem na ferragem comprida, recebendo o toiro de forma bastante positiva e cravando dois bons ferros. Na ferragem curta esteve em nível elevadíssimo, destacando-se sobretudo o segundo da função, um ferro emocionante que chegou com muita força ao público. Esteve bem a preparar as sortes e no remate e triunfou! Em segundo lugar, tocou-lhe um toiro com mais complicações que o anterior e Francisco Palha agigantou-se. Esteve novamente em bom plano na ferragem comprida para nos curtos contrariar as complicações do toiro, com a faena a ir subindo de tom a cada ferro. Nota muito positiva para o quinto curto e para o remate do quarto, levando o toiro ladeado ao redor das tábuas. Noite muito positiva de Francisco Palha!

António Prates tem toureado pouco esta temporada e isso notou-se nesta noite. Iniciou a função com um bom ferro em sorte de gaiola que pecou apenas pela colocação, mostrando que vinha com ganas de triunfo. O segundo comprido resultou aliviado e a colocação defeituosa. A faena decorreu de forma irregular, apostando nas batidas ao pitón contrário, que nem sempre resultaram. Ainda assim a lide foi a mais destacando-se o quarto curto soberbo, com o cavalo a tirar-se num palmo de terreno, rematando de forma excelente. No quinto da ordem, o mais complicado do curro, o jovem cavaleiro desenvolveu uma atuação regular, sem grandes destaques de maior, tentando suplantar as dificuldades do toiro. Optou por não dar volta no final de ambas as lides, embora autorizadas.

Tristão Telles Queiroz é um dos cavaleiros da nova vaga em quem se depositam maios esperanças, sendo notável a sua pronta evolução. Diante do seu primeiro, sentiu algumas dificuldades na primeira fase da lide com algumas passagens em falso e um toque na montada no primeiro curto. A lide foi a mais e terminou com os melhores ferros da função, aproveitando a arrancada pronta do toiro. No último da corrida mostrou a vontade de triunfo e cravou um excelente ferro em sorte gaiola. O segundo comprido de praça a praça foi também de boa nota. Na ferragem curta esteve em bom plano e chegou com força ao público. Deu distâncias ao toiro e a atuação resultou em triunfo. O remate do quarto curto é de nota elevadíssima. Aproveitou as qualidades do toiro e agarrou a oportunidade.

No capítulo das pegas, como é tradição, o Grupo de Forcados Amadores de Évora encerrou-se com os seis toiros, um desafio importante e que foi suplantado pelo grupo.

Abriu praça João Madeira que nesta noite se despediu das arenas. Concretizou a pega da noite à primeira tentativa, suportando viagem longa. Destaque para a primeira ajuda de Francisco Ferreira. O primeiro-ajuda foi chamado a dar volta à praça. Praça em pé na despedida deste grande forcado dos Amadores de Évora.

Henrique Burguete aguentou imensos derrotes na primeira tentativa mas não conseguiu consumar a pega. À segunda o grupo ajudou bem e a pega consumou-se.

Ricardo Sousa sofreu um violento derrote no primeiro intento e por isso não conseguiu consumar. À segunda concretizou uma grande pega.

A abrir a segunda parte da corrida, António Prazeres viu o toiro passar-lhe ao lado na primeira tentativa. Na segunda não conseguiu consumar. Concretizou a pega à terceira com as ajudas mais carregadas.

João Cristóvão foi o forcado escolhido para a pega do quinto toiro. Protagonizou uma duríssima primeira tentativa em que suportou uma barbaridade de derrotes, mas não conseguiu consumar. Pegou à segunda com grande mérito.

Fechou a corrida o cabo do grupo, José Maria Caeiro. Não conseguiu consumar na dura primeira tentativa, fechando-se bem à segunda e contando com mais uma grande primeira ajuda de Francisco Ferreira, que voltou a dar volta à praça.

Nota de destaque para a dupla de campinos que recolheu os toiros a cavalo com muito mérito e ofício.

Dirigiu com acerto Maria Florindo assessorada pela médico-veterinária Dra. Ana Gomes.

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