Senhora,
Que é padroeira
Da sua terra
Hospitaleira.
Moura é uma terra de gente aficionada, gente do campo, que vive a tauromaquia de uma forma muito particular. O dia de corrida em Moura é dia de romaria até à sua castiça Praça de Toiros. Se assim é em maio, em julho o tauródromo mourense é irrompido por uma afición que o enche até não caber uma agulha.
A tradicional corrida noturna de domingo de feira realizou-se este ano à sexta-feira, também em horário noturno. A mudança dever-se-á possivelmente à realização da final do europeu de futebol no domingo. A mudança de data não teve qualquer impacto na afluência de público, que encheu as bancadas da praça de toiros.
O empresário José Maria Charraz esmerou-se e apresentou, tal como anunciavam os cartazes, o “cartel da temporada”. Anunciou em Moura um cartel digno de qualquer praça de primeira categoria. Três cavaleiros da primeira fila, o GFA Montemor em ano de comemoração dos seus 85 anos, o grupo da terra e um curro de toiros de uma das ganadarias mais apreciadas pelos aficionados.
Antecedeu a corrida uma procissão à luz de velas com a presença de Nossa Senhora do Carmo, com música pela voz do cantor alentejano Luís Trigacheiro, que também teve um momento musical durante o intervalo da corrida.
Relativamente ao espetáculo propriamente dito, foi uma corrida longa (demasiado…) muito por culpa da exagerada demora na recolha dos toiros, sem que possam ser atribuídas culpas aos campinos. Foram demasiados tempos mortos durante este período que esfriam o público e fizeram com que não estivesse tão metido na corrida. Foram mais de três horas para ver lidar cinco toiros, dado que os dois do lote de Miguel Moura denotaram evidentes problemas de locomoção, sendo por isso de imediato recolhidos, lidando o Miguel apenas o toiro sobrero.
Da Herdade de Pedrógão veio um curro de toiros sério e rematado, talvez com algum excesso de quilos nalguns casos. Relativamente ao comportamento foram díspares. O primeiro, um toiro sério, cumpriu, tendo como virtude principal a mobilidade. O segundo da ordem revelou-se distraído durante a função, evidenciou algumas dificuldades de locomoção e pediu que se estivesse bem com ele. Depois de recolhido o que seria terceiro da ordem, foi lidado o destinado a sair em quarto lugar, um toiro desinteressado do cavalo de princípio a fim. Em seguida, Miguel Moura toureou o sobrero, que revelou alguma crença nos médios, embora de lá saísse com facilidade. Cumpriu. O quinto e que acabaria por ser último da corrida serviu para a função e pediu contas. O que deveria ser último da corrida foi recolhido por problemas físicos. Não lhe terá feito bem por certo o toque mesmo junto à porta dos curros…
João Moura Jr. lidou em primeiro lugar o toiro de melhor comportamento e lidou-o da melhor maneira. Depois de estar discreto com os compridos, realizou uma lide a mais nos curtos, com bons momentos de brega ladeada e “trincherazos” ajustadíssimos por dentro. Terminou com dois ferros de palmo. No segundo do seu lote teve que “bailar com a mais feia”. Esteve muito por cima do toiro de Veiga Teixeira e tentou a todo o custo tirar água deste poço seco. Cravou a ferragem da ordem com empenho e terminou a lide com uma mourina.
João Ribeiro Telles teve uma feliz passagem por Moura, com duas atuações consistentes e que chegaram ao público. Na sua primeira atuação, diante de um toiro que pediu ofício, o cavaleiro esteve em muito bom plano, com boa brega e cravagem muito correta da ferragem da ordem. Diante do segundo do seu lote voltou a estar em bom plano, numa atuação com mais eco no conclave, sobretudo quando trouxe à arena o Ilusionista, com o qual cravou dois ferros que o público aplaudiu com muita força, sendo o segundo de melhor execução.
Miguel Moura não teve certamente a noite sonhada. Viu os dois toiros do seu lote serem devolvidos aos currais. Diante do toiro sobrero, o único que lidou, realizou uma lide correta, sem alardes de triunfo. Atuação a ir a mais, terminando com dois bons ferros de palmo superiormente rematados, sendo este o melhor momento da sua passagem por Moura. Certamente melhores dias virão!
No capítulo das jaquetas de ramagens estiveram em praça os Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Real de Moura, respetivamente capitaneados por António Pena Monteiro e Valter Rico.
Por Montemor, abriu praça Vasco Ponce que concretizou a pega da noite. Bem a citar, viu o toiro partir pronto e aguentou alguns derrotes, concretizando com muito mérito à primeira tentativa. José Maria Marques esteve bem com o terceiro toiro e concretizou mais uma boa pega ao primeiro intento. Joel Santos concretizou também ao primeiro intento a última pega da noite.
O Real de Moura viu o seu lote reduzido a dois toiros. Diante do primeiro, Rui Branquinho foi protagonista de três duras tentativas onde suportou violentos derrotes, mas não conseguiu consumar. Com as ajudas mais carregadas, concretizou à quarta tentativa. Nesta última tentativa, o forcado teve de sair de maca por ter uma bandarilha cravada na zona do pescoço. Desejo uma rápida recuperação! Fechou a atuação do grupo da terra Gonçalo Borges ao primeiro intento.
Dirigiu a corrida Agostinho Borges assessorado pelo médico-veterinário Dr. Feliciano Reis.
Imagem de destaque: Instagram João Telles

