A dimensão e a importância de duas figuras: João Ribeiro Telles e Borja Jimenez

Angra, espaço de encanto e alegria! Veste-se de gala para receber as suas festas, olhando para a sua baía fantástica , para as ruas engalanadas, para os sorrisos que se cruzam na azáfama de tudo se querer sentir e tudo querer saborear nestes dias em que por vezes nos falta o tempo…
Angra, cidade do Atlântico que se projecta muito para além dele… É por estes dias uma das capitais se não a capital do toureio a nível mundial… Angra é um espaço de viagens intemporais, transformando-se com o tempo mas mantendo as suas memória e tradições, num processo criativo constante que faz das Sanjoaninas momento de afirmação, deste povo magnífico e hospitaleiro… dando um brilho e um encanto ímpares, como se de uma jóia rara se tratasse, nestas Festas em que se comemora a portugalidade de uma forma genuína e única!

Rumei à sua monumental Praça de Toiros para a última de Feira, dia 25 de Junho do ano 24 já com um sentimento de alguma nostalgia para assistir a uma corrida que contava um cartel misto magnífico, João Ribeiro Telles a cavalo, Javier e Borja Jimenez a pé, forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, sendo lidados toiros da ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes. Novamente as bancadas se encheram de um público expectante. Três casas cheias é obra! A Tertúlia Tauromáquica Terceirense pôs esmero e dedicação na elaboração dos cartéis, “o homem sonha e a obra nasce” e o público correspondeu.

O homem propõe, Deus dispõe e o toiro decompõe…

Da casa Agricola José Albino Fernandes foram os toiros lidados, exemplares desiguais de apresentação… Se os da lide a cavalo tiveram bom tipo e finas “hechuras”, os da lide a pé foram bastos de tipo. Quanto ao comportamento, só o primeiro e a espaços o segundo tiveram qualidades…

O negro que abriu praça, foi nobre, teve tranco e bom som. O segundo da tarde tinha bom tipo mas num embate contra um burladero, partiu em corno, sendo devolvido rapidamente aos currais. Saiu o sobrero, que teve coisas interessantes como a nobreza nas suas investidas tanto a capotes, como muleta mas não humilhava muito. Em terceiro lugar saiu um toiro bastito de tipo, que não tinha maldade de maior, mas faltou-lhe raça, classe e entrega. O quarto era uma pintura de toiro, mas tinha tanto de bonito como de manso… rachado e metido em tábuas desde o primeiro comprido. O quinto foi um toiro enorme, rachado e manso, sendo verdade que deixou estar o matador sem problemas de maior. O que fechou a tarde teve poucas forças, ficava curto por ambos os lados e rematava por cima.

João Ribeiro Telles saiu a por todas nesta última tarde, vinha para triunfar forte! No primeiro da tarde cravou dois grandes ferros compridos, no remate do segundo houve toureio a cavalo caro e bonito. Nos curtos houve grandes momentos artísticos, cravou ferros de grande nota, destaque os dois primeiros, entrando em terrenos de compromisso, cravando ao estribo e rematando as sortes a ladear, deixando chegar o bravo às sedas do cavalo. Brilhante! Preparou as sortes com gosto, elegendo os terrenos com a inteligência que lhe são características. Como disse o João vinha a por todas e para finalizar a lide cravou dois curtos com o seu cavalo estrela, O ilusionista que levantaram o clamor das bancadas.

Diante do quarto da tarde, o primeiro comprido foi dos grandes e o remate em curto magnífico por ambos os lados. Tudo antevia uma lide de triunfo mas o toiro disse rotundamente que não estava ali para colaborar… e foi para as tábuas e de lá mais não saiu. João lidou e bregou com autoridade, tentando sempre desenganar o toiro mas este não queria de maneira nenhuma. E aí surgiram ferros a sesgo de muito mérito, porque o de José Albino Fernandes além de não querer sair da querença, media, tapava a sorte ao cavaleiro e queria fazer mal… João foi a vontade e o querer nesta sua lide, o público reconheceu o valor e a vontade do cavaleiro da Torrinha e aplaudiu e acarinhou o feito na arena.

Novamente o Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense foi o convidado a pegar esta corrida das Sanjoaninas 2024 e novamente mostram o seu brio, valentia e raça.

Abriu a tarde João Vieira, numa pega tecnicamente perfeita à primeira tentativa. bonito a citar, recuar e reunir, com o grupo a entrar perfeito.

João Sousa Bettencourt foi o escolhido para bater as palmas um toiro que se mostrou remisso a investir de qualquer terreno da praça o forcado da cara tentou várias vezes mas o toiro disse sempre não… Só a sesgo a sorte foi consumada à primeira tentativa, com o toiro a entrar duro e os ajudas estarem magníficos.

Javier Jimenez foi a versatilidade e a adaptação, este toureio de Espartinas entregou-se em duas numa faenas templadas, firmes, bem pensadas e medidas. Esteve bem nos lances de recebimento aos dois toiros que teve que parar, toureando por verónicas. Na faena de muleta ao seu primeiro deixou a impressão de um toureiro adulto, confiante e valente. Não houve apenas a disposição ambiciosa do toureiro, houve o assento, o valor diante de um toiro que foi fazendo à media que a faena ia avançando. Séries de redondos a meia altura acompanhando a investida nobre mas com pouca transmissão de um oponente falto de quase tudo… Pela esquerda desenhou bom naturais, rematados com bonitos passes de peito e trincheiras de bom sabor toureiro.

Diante do quinto desenhou boas verónias a um toiro que mostrou templado de saída mas que logo escolheu os terrenos de dentro para estar… Na muleta Javier foi querer, vontade, disposição! Conseguiu roubar um par de muletazos de um em um a um toiro manso e não querer investir.

Borja Jiménez “cuajo” com capa e muleta o primeiro do seu lote. Recebeu com faróis de “rodillas en tierra” , toreando depois bonito à verónicas e chicuelinas. Na muleta houve muletazos templados pela direita, séries com profundidade, mostrando firmeza diante de um toiro que se ia apagando como o pavio de uma vela… Ao natural deixou o perfume do seu toureio em passes isolados mas com gosto. Rematou as séries com passes de peito e “del desprecio”.

Diante do último toiro da Feira, Borja Jiménez recebeu por verónicas e no quite houve bonitas tafalleras. Este sexto também não foi fácil. Muito tardo e parado, o sevilhano toureou sempre próximo e cosido à muleta, muito metido nos pitons. Houve toureio de arrimón importante, dando os naturais com uma mão de baixíssima mostrando a classe do seu toureio. Em pela direita em redondo também de um em um meteu o público na faena que não lhe regateou os aplausos. Dimensão importante de um toureiro maduro.

Tomou a prova de bandarilheiro, Francisco Honrado, estando bem de capote a lidar e cravando dois bons pares de bandarilhas.

Dirigiu a corrida Ricardo Costa, sendo o médico veterinário José Paulo Lima.

Ilha Terceira: “El torero sigue siendo mítico y, cuando expresa la valentía el pueblo se enardece y los viejos entusiasmos reaparecen.”

Artigos Similares

Destaques