Corrida da CAP em Santarém

Data: 16 de Junho 2019

Hora: 18h

Local: Monumental Praça Celestino Graça

Cartel:

Corrida CAP

João Moura JR, João Ribeiro Telles e Francisco Palha

G.F.A. Santarém e G.F.A. Montemor.

Toiros de Veiga Teixeira

Director. Sr Lourenço Luzio

Veterinário:  Dr José Luis Cruz

Lotação: entre 8500 e 9000 espectadores

 

Preâmbulo

Sou e antes de mais, um aficionado ao toiro.

Não vejo tantas corridas como gostaria; em primeiro porque existem outras prioridades na vida e em segundo, infelizmente, porque os toiros que gosto, poucas vezes os vejo anunciados. O que avanço já… não era o caso desta 2ª corrida da feira.

Outra coisa que quero que fique bem claro: não sou um cronista típico, não sou crítico, não escrevo a soldo de ninguém e muito menos escrevo coisas que não vi ou para agradar a alguém. Posto isto, o que segue dentro de momentos é a minha perspectiva sobre um espectáculo que foi visto em simultâneo por quase 9000 pessoas e todas elas, se necessário for, com opiniões distintas.

 

Crónica

Tinha grandes expectativas nesta corrida, não só pelos artistas que a constituíam, mas fundamentalmente pelo corridão que o nosso amigo António Francisco Teixeira tinha apartado para esta tão querida corrida da CAP e igualmente pela afluência de publico à ultima da Feira.

Relembro que a corrida CAP em Santarém era há uns anos atrás, uma das corridas de maior postim no panorama taurino, rivalizando em importância com outras corridas tradicionais e quase todas elas mais antigas.

 

A praça tinha muita gente no exterior, muito boliço de um lado para o outro e mais uma vez a cidade a facturar pela quantidade de visitantes que permaneceram no planalto desde a manhã e até ao fim de jantar. Em boa hora decidiu a Associação “Praça Maior” efectuar um estudo sobre o impacto económico das corridas na cidade. Estou curioso em saber os resultados!

Junto á Celestino, era um mar de gente a tentar comprar bilhetes e a tentar entrar na zona de admissão á porta principal. Enorme ajuda a deslocalização das bilheteiras para outros pontos e fundamentalmente a possibilidade de adquirir bilhetes, à distância e antecipadamente.

Já dentro do átrio principal, ouvia-se os acordes das guitarras como fundo musical às conversas das centenas pessoas que aí se juntaram e tudo isto antes de se acomodarem na bancada ou nos camarotes. Havia várias bancas de venda, entre as dos Celestes e Arrepiados, aos vinhos da região, passando pela já tradicional banca do Grupo de Santarém.

Já agora aproveito e sugiro uma visita mais demorada ao seu Museu, local de inquestionável gosto, “depósito” da história e acervo do Grupo mais antigo do Mundo.

 

Vamos à corrida !!!

Como eu, devia estar muita gente. Tudo à espera da saída dos Teixeira dos curros; como é que os artistas lhe iam dar a volta…enfim, sentia-se um frisson no ambiente!

E Teixeiras diga-se, não defraudaram.

Sem serem extraordinariamente bravos, vieram com uma apresentação irrepreensível, sérios, com trapio, uns toirassos.

 

João Moura JR

1º Toiro: “Jogadorito” Peso: 600 kg

O João toureou a muito bom gosto este pesado toiro do Pedrogão, começando a lide com um sempre muito acarinhado e espectacular ferro porta-gaiola.

Foi em crescendo, muito regular, muito correcto começando o toiro nos curtos a dar sinais evidentes de algumas e preocupantes reservas, com arrancadas de manso nas trapadas dos capotes e por fim, a buscar refugio no tabuado dificultando muitíssimo o culminar da actuação do ginete.

Destaco o 3º ferro curto pela forma como conseguiu traze-lo de longe e 4º por ter conseguido arrancar um ferro onde parecia não suportar mais nenhum. Esteve muito bem em recolher ao pátio sem cair na vulgaridade de tentar cravar o 5º ferro da ordem.

Pegou pelo Grupo de Santarém o forcado António Taurino ao 3º intento.

Na minha opinião e na 1º tentativa, o toiro deu-lhe uma tarrascada lateral antes de o António estar perfeitamente fechado, precipitando com isso uma saída extemporânea da cara do toiro. O toiro batia forte e essa característica acabou por ser determinante para que na 2ª tentativa, o forcado não tivesse terminado na cara do toiro, decidindo o Grupo e sem a menor hesitação arrancar para a 3ª tentativa quando o publico na Praça assim não percebeu. Assumo que fui uma das pessoas que não entendeu o motivo da repetição mas sei que nos de Santarém essas coisas são tratadas assim, sem espinhas nem duvidas! Já vi e por muito mais evidente deixarem o toiro por pegar.

Volta para o cavaleiro.

 

João Moura Jr

4º Toiro: “Secretário” Peso: 605 kg

Nova porta-gaiola a abrir uma lide que foi em crescendo, com bons ferros de grande nota, correndo os riscos inerentes a uma tão séria corrida, com um toque ligeiro pelo caminho e culminando no 4º e 5º ferro com as revisitadas “Mourinas” de sempre grande espectacularidade.

Uma chamada de atenção aqui e neste caso: a Praça de Santarém tem uma arena enorme. E por esse motivo, a espectacularidade deste tipo de ferros aumenta exponencialmente com a aproximação do cavalo ao toiro. Creio eu que a distância usada pelo cavaleiro numa praça como o Campo Pequeno (por exº) não pode servir como matriz para todas as praças e muito menos para a de Santarém pelos motivos que apresentei acima.

Pegou pelos de Montemor, Francisco Bissaia Barreto à 1ª, numa tentativa em que os ajudas podiam ter sido mais lestos a ajudar mas que ainda assim permitiu ao seu irmão Ia Barreto ser determinante para a conclusão da mesma, juntamente com os restantes terceiros ajudas.

Volta para o cavaleiro e forcado

 

João Ribeiro Telles

2º Toiro: “Pintoto” Peso: 595 kg

O João teve pela frente um seríssimo Teixeira (como os restantes), irrepreensível de apresentação, veloz e inicialmente móvel. Cravou-lhe a ferragem comprida de forma regular, destacando o 2º pela velocidade com que se arrancou para o cavalo.

Nos curtos andou impecável e cheio de “toureria” como é seu timbre, destacando-se o 2º, 3º e o 5º (para mim o mais conseguido) com pena por ter saltado no momento da cravagem, tendo o ginete da Torrinha que repetir a sua cravagem mas já sem o impacto do anterior.

Pegou à 1ª tentativa o forcado de Montemor João da Câmara, com o toiro a vir com muita pata, com muita velocidade mas pelo seu caminho, a entrar pelo Grupo a dentro e a ser parado com estrondo pelas tábuas e pelos terceiros ajudas que fecharam a cara ao toiro e dessa forma o pararam. O João veio completamente alapado na cara do toiro, ajudando por esse motivo a que fosse uma das pegas da tarde.

Volta para cavaleiro e forcado e chamada ao centro apenas do forcado da cara.

 

João Ribeiro Telles

5º Toiro: “Escapadito” Peso: 545 kg

“No hay quinto malo” e esta foi exactamente a toada que o “Escapadito” de Teixeira levou desde o princípio ao fim. Foi efectivamente um belíssimo toiro, melhor que os restantes, mais cooperante, mais alegre, mais repetitivo e mais pronto. E o João teve arte e engenho para o aproveitar.

Se nos compridos passeou classe e andou regular, abriu com os curtos em altíssimo nível num dos ferros da tarde Scalabitana. Nota 20 para este (1º curto) e para o 3º, ficando o 2º e o 4º a pouca distância.

Pegou este toiro e à 1ª tentativa, o forcado de Santarém Lourenço Ribeiro, denotando muita técnica, muito conhecimento e a maior calma, quando o toiro na sua investida teimava em descair. Grande pega.

Volta para o cavaleiro e para o forcado.

NOTA 1: Na minha modesta opinião, era aqui, neste toiro, que se deveria ter chamado o ganadeiro à Praça. Arriscar e levar este prémio ao último toiro, sabendo como estava a noite, corria-se o risco de ter pouco publico para poder retribuir os aplausos.

 

Francisco Palha

3º Toiro: “Fartazan” Peso: 580 kg

O Francisco vem duma recuperação física chata (ombro) resultado duma colhida em Salvaterra em meados do mês de Maio.

Para o comum mortal, uma luxação ou fractura na zona do ombro é terrível, agora imaginem o que será no caso dele (e dos cavaleiros na generalidade) que tanto precisa de ter o ombro bom para poder trabalhar (cravar ferros)

Para um toiro que se distraia muito facilmente; um toiro que passou boa parte da lide a olhar para as bancadas, que pareceu ganhar várias crenças em vários sítios, teve que ter pela frente um toureiro à sua medida.

Começou o Francisco por agradecer apeado à equipa medica que o tem ajudado a recuperar (Dr Passarinho) e de seguida posicionou-se de forma a poder receber o toiro com uma porta-gaiola que resultou muito bem. O 2ºferro comprido igualmente bem conseguido.

No capitulo dos curtos: grande destaque para o 2º, 4º e 5º ferro

Pegou este toiro e por Santarém o jovem forcado Francisco Graciosa.

O Francisco e tendo – para mim – um dos toiros mais complicado da corrida, soube e juntamente com os ajudas desembaraçarem-se duma “rolha” á antiga. Pega limpa à 1ª, com um toiro a pedir meças cá atrás.

Volta para o cavaleiro e o forcado

 

Francisco Palha

6º Toiro: “Gitanero” Peso: 575 kg

O ginete de Vila Franca inicia o seu labor, voltando a apear-se e desta vez para oferecer a lide aos elementos presentes na trincheira da Associação “Praça Maior”.

Andou regular, correctíssimo mas quanto a mim, por força do comportamento do Teixeira e da lesão contraída, uns furos abaixo ao que nos habituou.

Destaque para o 1º e 3º curto da lide, tendo cumprido em plano regular a ferragem da ordem

Saltou para a pega o forcado de Montemor, Francisco Borges.

Podia ter sido uma enorme pega (1ª tentativa) mas infelizmente vi juntarem-se alguns factores que não contribuíram para isso. O Francisco fez o esperado mas não conseguiu aguentar sozinho os derrotes que o “Gitanero” lhe impunha. Voltou para a 2ª e derradeira tentativa, desta vez com os ajudas mais avisados e lestos e conseguiu fechar com chave de ouro a ultima pega da Feira em Santarém.

Volta para cavaleiro e forcado (inicialmente) e depois, forcado da cara, para o 2º ajuda (Antº Pena Monteiro) e para o ganadeiro Sr. António Francisco Teixeira.

 

Para fechar a cronica;

Devemos à Associação Praça Maior um enorme agradecimento.

Voltamos todos a acreditar que a Festa em Santarém está viva e recomenda-se. Sabemos que são o bastião dos taurinos nesta cidade e é nesse sentido que vão as palavras que se seguem.

Caros “Celestinos”, venho aqui prestar-vos a minha devida homenagem, agradecendo do coração terem dado o passo em frente que era necessário e porem de pé, com destaque, com seriedade, com organização, com gosto, com profissionalismo (sem o serem), com muito de vós…com o melhor de vós e obviamente com o sacrifício da vossa própria vida em detrimento desta causa.

O resultado final dificilmente poderia ser melhor.

Os aficionados deste pais agradecem o vosso empenho, toda a dedicação e pedem-vos que continuem o bom trabalho.

Um grande abraço e “venha vinho”

 

 

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