Sair pela porta grande ou pela enfermaria

Boa corrida inaugural da feira de Olivença, que esperamos que seja um bom prenúncio para o que aí vem.

Com três quartos fortes de casa e com uma temperatura agradável, os toiros quiseram investir e os toureiros estavam dispostos a tourear.

Um curro da ganadaria de “El Tajo y la Reina” com apresentação “q.b.” para praça em questão,  que revelou alguma falta de força, mas que serviu para o triunfo dos matadores, tendo os seus exemplares como denominador comum investidas humilhadas e repetidoras contribuindo de sobremaneira para o sucesso do espectáculo.

Um cartel composto por três jovens Matadores com ganas de marcar posição neste início de temporada e que deram sempre a cara com olhos postos no triunfo.

Abriu as hostilidades o estremenho José Garrido, que no primeiro do seu lote não teve muitas opções face á falta de força e transmissão do exemplar que lhe coube, no entanto, inventou faena e não fosse o mau da espada teria certamente cortado um troféu.

No seu segundo, que teve mais transmissão, realizou uma faena completa, mostrando todo do seu reportório, podendo com o toiro por todos os lados, rematando uma estocada inteira ao encontro que lhe valeu duas orelhas e a consequente saída em ombros pela porta grande.

Devido ao percalço sofrido pelo seu colega Toñete, teve de tourear um terceiro toiro, o último da corrida, porém este toiro cedo demonstrou que não daria grande hipóteses de triunfo, devido á falta de força e raça evidenciada desde cedo. Teve de abreviar a faena que terminou sem pena e sem glória.

O triunfador da tarde haveria de ser o Mexicano Luís David Adame, que estava deveras inspirado, sacando duas importantes faenas aos dois toiros que lhe couberam em sorte.

Na primeira faena, ante um mansote de pouca presença, demonstrou todo o temple e suavidade que o seu toureio envolve, com séries bem desenhadas e bem rematadas por ambos os pitons, matando com um “estocadão” fulminante, valendo-lhe uma orelha.

No seu segundo, Luís David abriu o livro e após um tércio de capote magistral em que se destacaram as bem executadas “Lopezinas”, realizou uma faena variada onde o bom gosto e a profundidade estiveram presentes. Matou com outra estocada de livro, desta vez a receber, acabando por cortar justamente as duas orelhas do hastado, que lhe valeram também a saída em ombros pela porta grande.

Para terminar, e como o toureio é feito de glória e tragédia, a “fava” calhou a Toñete, pois no seu primeiro toiro, após ter realizado uma faena de mérito, levou uma cornada quando entrou a matar com verdade, que o obrigou a recolher à enfermaria, donde já não saiu.

Acabou premiado com um orelha que não chegou a “passear”.

Resumindo, a corrida resultou num bom espectáculo, que deixou água na boca para as corridas que se seguem nesta feira de Olivença de 2019.

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