O Cartaxo voltou a honrar a tradição do dia de Todos os Santos

O Cartaxo voltou a honrar a tradição do dia de Todos os Santos

  • 1 de Novembro de 2022, Cartaxo
  • Cavaleiros: Marcos Bastinhas, Luís Rouxinol Jr e António Ribeiro Telles filho
  • Forcados: Azambuja, Arruda dos Vinhos e Cartaxo
  • Ganadaria: José Pereira Dias
  • Direção de Manuel Gama assessorado por José Luís Cruz
  • Praça a quase 3/4 de lotação

 

Ontem dia 1 de Novembro, dia de todos os Santos, fazia precisamente nove meses desde que se deu início a esta temporada do ano 22 em Mourão! Depois de nos terem castrado durante dois anos a normalidade devido ao tal Corona… Para mim, com alguns altos e baixos esta temporada que acabará no próximo dia 12 de Novembro em terras da Golegã foi uma grande vitória de todos e teve bons momentos de toureio, toiros bravos e grandes pegas. Agora virão as tertúlias apaixonadas, os balanços e opiniões, a Feira do Cavalo, o Natal, Ano Novo e se Deus quiser daqui a três meses já estaremos a comentar o que se passou novamente por terras de Mourão. Só faltam três meses se Deus quiser!

Tal qual como em Fevereiro esta corrida no Cartaxo já é feita em tempo frio, assim o ditam as regras das estações. Mas ontem, sim estava frio ou melhor dizendo mais frio que nos últimos dias, nada de exagerado… Cavaleiros, forcados e toiros puseram algum calor à tarde/noite desta corrida do Cartaxo. Resultando para mim um espectáculo agradável e com bons momentos de toureio a cavalo.
Homenagem justa e merecida a Mestre Manuel Jorge de Oliveira por parte da empresa “Praça para Todos” e da câmara municipal ao qual nos juntámos todos que nesta tarde estivemos presentes, e que preenchemos quase três quartos da lotação.
Os cartazes anunciavam três toiros da ganadaria Manuel Veiga e três da ganadaria de José Pereira Dias mas foram lidados seis de José Pereira Dias. Informando a empresa da substituição nas bilheteiras da praça. Estes antigos Noberto são toiros com características muito próprias, primorosamente guardadas por José Luís Dias, um homem do Ribatejo que vivia intensamente a sua ganadaria, que morreu recentemente e agora pelos seus filhos José Luis e José Manuel. Como disse toiros muito próprios tanto em morfologia e comportamento e para quem gosta disto do toiro ontem ficou agradado com o que viu. O primeiro atirou-nos a séculos passados, toiro gravito, muito sério de tipo, negro chorreado, baixo e reunido, um regalo para a vista. E que bom que foi! Arrancou sempre que solicitado com nobreza, teve muita mobilidade e veio a mais com o decorrer da lide, caráter este muito definido neste curro. Pois sendo melhores ou piores todos tiveram essa característica, ou seja todos foram encastados. O segundo foi o mais “simples” de todos, não sendo mau foi o que menos transmitiu às bancadas; O terceiro baixo e também muito em tipo, teve génio, transmitiu emoção e pediu tudo bem feito a cavaleiro e forcados; O quarto foi pronto nas acometidas ao cavalo e forcado, teve som, bom toiro; O que fez quinto, cornalão de cara mostrou muitas querenças em tábuas mas de lá saía sempre que solicitado, teve por diante um Rouxinol inspirado que lhe limou defeitos e cantou qualidades, nos capotes foi o que melhor meteu a cara. Fechou a já noite um toiro sério, talvez o de menos mobilidade, dos seis, elegeu os médios como os terrenos de luta e proporcionou boa lide ao António Ribeiro Telles filho.
Abriu a corrida Marcos Bastinhas que desenvolveu uma lide com ritmo! Recebeu o de José Dias na porta dos curros para o levar embebido no cavalo até o parar, citando depois com distância cravando assim um primeiro comprido de valor. Citou novamente de largo o toiro partiu e ferro teve emoção, pena não ter partido. Nos curtos mostrou-o e aproveitou as características do toiro, lidando bem o oponente, cravou os ferros com acerto, com destaque para primeiro e segundo rematando com piruetas que agradaram aos presentes. No fim da lide, cravou um ferro em sorte de mourina.
No quarto Bastinhas aqueceu o conclave com uma lide marca da casa, sempre comunicativo e alegre com o público. Cravando um par de curtos de mérito, deixando vir o pronto José Dias, aguentando o cavalo e cravando os ferros, destaque para os grandes primeiro e segundo. Nos restantes repetiu a dose e o público gostou do que se via na arena não lhe regateando os aplausos. Rematou a lide com um palmo, citando de forma exuberante, e com um bom par de bandarilhas.
Luís Rouxinol Jr andou inspirado esta tarde no Cartaxo, o Luís é um toureiro que regra geral lhe correm bem os finais de temporada (já o ano passado assim foi), parece que quando isto acaba é que ele está no ponto de maturação ideal. No primeiro cravou um grande comprido a abrir, rematando bem o ferro. O segundo não partiu e cravou um terceiro de boa nota. Viu que o toiro humilhava pouco mas que era nobre, sacou o Douro para os curtos e deixou chegar o toiro a sítios proibidos em ladeios de bonita nota. Cravou um primeiro curto em terrenos de dentro, partido depois para os terrenos dos médios executando as sortes com valor e pondo o que faltava ao toiro. Lide de inteligência deste cavaleiro de Pegões. Rematou a lide com um palmo de boa nota, levando depois o toiro toureado em bonito ladeio.
No quinto a lide parecia que não ia romper… O toiro saiu distraído e meio frio… até perdeu as mãos um par de vezes, parecendo que as forças não eram muitas. O Luís acreditou e realizou uma das lides da tarde! O segundo comprido em sorte de sesgo poderá ter sido a chave para esta actuação, atacando o toiro na querença e obrigando este a acometer ao cavalo. Nos curtos de início lide de muito sovar o oponente, para o desenganar, o toiro cresceu e a actuação também acabando em plano de triunfo. Que bonitas foram as preparações dos palmos com que fechou a sua última lide da temporada. Começou por citar de largo, trouxe o cavalo recuando até perto do toiro, levou o mesmo até onde achou que eram os terrenos de eleição, cravando as sortes como mandam as regras. Boa lide esta do Luís!
O terceiro cavaleiro em praça era o praticante António Ribeiro Telles filho e que bem esteve o António esta tarde! Abriu a função com um bom comprido, o segundo não ficou cravado embora tenha desenhado bem a sorte, cravou um terceiro que ficou no morrilho do exigente José Dias. Nos curtos o toiro vinha a comer terreno o António lidou e cravou em curto para lhe tirar a manha. Os ferros tiveram emoção deixando sempre partir o oponente e cravando ao estribo sortes de belo efeito. Rematou a lide com um palmo e um desplante toureiro na cara do salgado escuro.
O sexto foi um toiro também ele exigente, muito formal em todo o que se lhe fez, transmitiu seriedade às bancadas, sendo senhor de um porte altivo. Por diante teve um António inspirado e arrojado que lhe deu uma grande lide. Que grande ferro foi aquele primeiro curto, cravado no centro da arena com ligeira batida ao piton contrário. O que se seguiu já com a música a tocar foi de nota, rematando o mesmo de forma toureira. A inspiração tomou conta da lide e os ferros que se foram sucedendo tiveram emoção e verdade. Cravou um quinto ferro a pedido dos presentes em que a preparação teve gosto e toureria, novamente partiu recto e de frente, para cravar o último ferro desta sua temporada que certamente será a sua última como praticante.
Nas pegas três grupos pegaram toiros à unha Cartaxo, Arruda dos Vinhos e Cartaxo, os toiros quase todos saíram francos para os forcados, somente o terceiro fez um estranho no momento da reunião e causou as maiores dificuldades da tarde.
Abriu pelos Amadores da Azambuja Bernardo Gonçalves numa pega exuberante, o toiro quando sentiu o forcado na cara derrotou por alto, tentou tirar o cara, mas o grupo entrou e resolveu a pega.
Carlos Silva noutra boa pega à primeira tentativa, bem a citar, receber e o grupo a ajudar como mandam as regras.
Pelos Amadores da Arruda dos Vinhos João Costa à segunda tentativa, na primeira o toiro saiu pronto, o cara não se fechou de forma correta acabando por sair. Na segunda tentativa realizou uma boa sorte de caras, recebendo agora bem o oponente e o grupo ajudou de forma correta.
César Simão ao primeiro intento, citou e recebeu de forma superior, para se fechar de pernas e braços, o grupo entrou e foi assim realizada uma boa pega.
Pelo grupo da terra, Cartaxo, Francisco Gonçalves à terceira tentativa, pega dura com o toiro a meter o corno esquerdo por diante, exigindo talvez que o forcado lhe recuasse mais na cara. Mas de realçar a valentia do Francisco que se mostrou sempre decidido a resolver os problemas, boa primeira ajuda de Duarte Campino.
Fechou a corrida Manuel Silva à segunda tentativa, na primeira o toiro entrou duro e sacudiu o forcado para baixo. Na segunda tentativa exigiu que lhe fossem pisados os terrenos com decisão, bem o forcado a citar e receber, novamente destaque para a boa primeira ajuda de Duarte Campino.
O bandarilheiro Manuel Santos “Becas”, foi colhido aquando da colocação do segundo toiro para a pega, ficando com algumas mazelas num pulso e num tornozelo.
Dirigiu a corrida Manuel Gama e foi o médico veterinário José Luís Cruz.

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