Gilberto e Rouxinol Jr. exibem bom momento em Évora

Gilberto e Rouxinol Jr. exibem bom momento em Évora

  • Arena D’ Évora, 1 de outubro de 2022
  • Cavaleiros: Gilberto Filipe, Manuel Telles Bastos e Luís Rouxinol Jr.
  • Forcados: Évora e Vila Franca de Xira
  • Ganadarias: Sommer D’ Andrade e José Luís Vasconcellos e Souza D’ Andrade
  • Lotação a 3/4
  • Direção de Marco Gomes , assessorado por Carlos Santana

Deve ser motivo de prestígio para qualquer ganadero lidar na Arena D’ Évora, ainda para mais vendo os seus toiros anunciados como “o curro mais impressionante da temporada”. A expectativa dos aficionados era enorme para assistir a uma corrida tourista. Mas o que saiu ontem pela porta dos sustos da Arena D’ Évora deixou todos surpreendidos. Os toiros eram, de facto, os anunciados nas fotografias, mas não eram, de todo, como as fotografias anunciavam. Diga-se que, no final da corrida, para aqueles que ficam até ao fim (que, infelizmente são poucos, sendo que a maioria tem o hábito de sair logo após a última pega), a empresa pediu desculpas à afición pela apresentação dos toiros.

Os toiros das Ganadarias Sommer D’ Andrade e José Luís Vasconcellos e Souza D’ Andrade tinham esqueleto, mas estavam escorridos de carnes, faltando-lhes o trapio exigido pelo exigente público da Arena D’ Évora. Na sua generalidade até tinham algum fundo, à exceção do quinto e sexto da ordem, faltando-lhe poder, e nalguns casos a força, para levar a bom porto o navio das suas intenções. No último, o mais leve do curro, o público protestou.

Abriu praça Gilberto Filipe, que esteve em bom plano na sua primeira atuação, em especial na ferragem curta, dando vantagens ao toiro, que tinha como ponto positivo trazer alguma emoção ao momento dos ferros. Terminou com um bom ferro em sorte de violino uma lide que se saldou como positiva. No seu segundo, e após cumprir com a ferragem comprida, partiu para uma atuação muito templada, estando destacado na brega ladeada, levando o toiro, que foi nobre, embebido na garupa do cavalo. Cravou bons ferros, terminando com um ferro em sorte de violino.

Manuel Telles Bastos abriu a sua passagem pela Arena D’ Évora com uma lide correta, indo a mais com o decorrer da função. Deixou três bons compridos e corretos foram os primeiros curtos da atuação. Destaque positivo para o bom ferro curto com que encerrou a atuação, o melhor de toda a sua passagem pela cidade museu. No quinto as coisas não correram bem. Andou irregular na ferragem comprida e nos curtos também custou a entender-se com o oponente, resultando a lide sem brilho e história. O diretor de corrida foi benevolente na concessão de música e volta.

Luís Rouxinol Jr. veio a Évora com ganas de triunfo. Iniciou a sua primeira lide recebendo o toiro à porta gaiola. Esteve em bom plano na ferragem comprida, com três boas cravagens, rematando superiormente as sortes. Nos curtos, montando o Jamaica, a lide foi positiva, mas sem alcançar o triunfo de outras tardes. Destaque bastante positivo para o terceiro curto, ao pitón contrário, dando primazia de arrancada ao toiro. No último da tarde, viu a sua prestação prejudicada pelos protestos do público para com o toiro. Realizou uma lide pautada pela correção e regularidade, indo a mais no final da prestação cravando um grande ferro a encerrar a atuação.

Destaque especial para a presença na trincheira do matador de toiros espanhol Álvaro de la Calle, que em abril deste ano teve a dura tarefa de lidar cinco toiros de diferentes ganadarias e encastes na Monumental de Las Ventas, em Madrid, depois da colhida sofrida por Emílio de Justo. Luís Rouxinol Jr. teve o bonito gesto de brindar a sua última atuação a Álvaro de la Calle, suscitando uma bonita ovação por parte do público eborense.

No capítulo das pegas, a tarde prometia competição acesa entre os Grupos de Forcados Amadores de Évora e Vila Franca de Xira, que disputavam o troféu para o melhor grupo em praça.

Pelos Amadores de Évora, abriu praça José Maria Passanha que não se conseguiu fechar na tentativa inicial. Fechou-se com decisão à segunda, concretizando uma boa pega. José Maria Caeiro concretizou uma muito boa pega ao primeiro intento. Fechou a prestação do grupo eborense Miguel Direito que não se conseguiu fechar na primeira tentativa. Na segunda, viu o toiro passar-lhe ao lado, concretizando depois à terceira tentativa, fechando-se com decisão.

Por Vila Franca de Xira, abriu praça Pedro Silva que viu o toiro passar-lhe ao lado na tentativa inicial. Na segunda, o toiro derrotou, não conseguindo o forcado suportar o derrote inicial. Consumou à terceira com o grupo a ajudar coeso. Luís Valença Cardoso concretizou uma boa pega à primeira tentativa. Fechou a tarde Guilherme Dotti que concretizou a pega da tarde à primeira tentativa.

No final, o prémio para o melhor grupo em praça foi atribuído ao Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.

Fechou assim a temporada na bonita Arena D’ Évora, a Catedral do Forcado, com o desejo que a temporada 2023 não tarde em chegar.

A corrida foi abrilhantada pela Banda Filarmónica da Casa do Povo de Nossa Senhora de Machede.

Dirigiu a corrida o delegado técnico Marco Gomes, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santana

Artigos Similares

Destaques