A “Nossa Casa”, é uma casa de Liberdade e Cultura!

A ignorância do ser humano costuma dar lugar a uma ousadia miserável… E nesta sociedade em que vivemos existem uns quantos pseudo ousados que nos querem castrar direitos culturais enraizados por séculos dos nossos povos… Todos os anos uma e outra vez com uma pontualidade quase “litúrgica” aparecem os ataques à Festa que são tão previsíveis quase como o Advento, o São João, a Quaresma ou a Festa do Avante. Renascem com o começar de cada temporada, este ano a atingir níveis quase absurdos… Qualquer desconhecedor alvitra do tema tauromaquia; Se acontece alguma “desgraça” levamos com aberturas e primeiras paginas de jornais, se algum politico ou jornaleiro medíocre quer protagonismo nada melhor que dar lições de urbanidade e europeísmo anti tauromaquia…

 

O problema de querer proibir a Festa dos Toiros, não é proibir a Festa mas sim a proibição! Desejo autoritário e moralista de uma sociedade, que curiosamente se descreve como tolerante e aberta!

 

A Festa dos Toiros para esta sociedade em que vivemos é um escândalo, uma aberração! Porque esta Festa que defendemos trata de temas que se querem ocultar das nossas vidas… A morte, o sangue… Cada vez estamos mais submetidos a viver uma vida de filmes encantados, uma ingenuidade fabricada, a um mundo sem sentimentos, cheiros, cores, sabores. Esta gente aspira à criação de um homem angelical e artificial e os exemplos que temos desse tipo de sociedade/homem não são nada bons…

 

Parece estar na essência da Festa não deixar ninguém indiferente, esta suscita entusiasmos arrebatadores e ódios absolutos e viscerais. Ontem, os que vivemos o Dia da Tauromaquia saímos do Campo Pequeno com um entusiasmo desbordante e os “outros” ao verem o que lá se passou, terão que pensar noutras formas de nos “combater”, porque quando juntamos uma massa humana entregue, a defender com alma a sua paixão, somos imbatíveis!

 

Milhares de pessoas passaram pelo Campo Pequeno dizendo presente na defesa de uma das formas culturais mais enraizadas dos portugueses; Milhares de pessoas defenderam e disseram esta é a nossa casa; Milhares de pessoas vibraram com todas as actividades que decorreram ao longo do dia dentro e fora da praça de toiros; Milhares de pessoas presentes na praça ou através das redes sociais vibraram e aplaudiram um Festival que decorreu de forma brilhante; Milhares de pessoas viram toiros bravos, lides a cavalo fantásticas, faenas empolgantes, pegas valentes e vibrantes.

 

Foram lidados exemplares de David Ribeiro Telles para a lide a cavalo: Primeiro, com mobilidade e encastado; Segundo, com mobilidade e nobre; Quinto, Bravo; Sexto, mais reservado. Nas lides a pé foram lidados dois novilhos de Calejo Pires: Terceiro, nobre, com classe mas sem romper até ao fim as investidas; Quarto encastado, com vibrantes e humilhadas investidas por ambos os lados.

 

António Ribeiro Telles, abriu a tarde com uma lide cheia de pormenores, bem na brega, equilibrando o toiro que tinha tendência a emparelhar com o cavalo. Cravou com requinte bons ferros ao estribo, agradou e de que maneira os presentes.

 

Ana Batista, teve uma lide interessante, cravando os ferros com boas abordagens com destaque para um grande curto, o terceiro.

 

Francisco Palha “partiu a loiça” e triunfou forte no Campo Pequeno! Três grandes compridos, o primeiro em sorte de gaiola, rematado soberbamente. Nos curtos, Palha, levantou o público das bancadas, de praça a praça, de alto a baixo, ao estribo cravou ferros “cheios” de arte de bem tourear a cavalo.

 

Luís Rouxinol Jr. também recebeu o seu toiro numa exuberante porta gaiola, a lide foi do agrado do público cravando bons curtos.

 

Nas pegas Santarém e Lisboa.

Abriu praça Salvador Ribeiro de Almeida à segunda tentativa, bem a receber o toiro com o grupo a ajudar com eficiência, António Queiroz e Melo pegou o quinto pelos scalabitanos numa boa boa pega à primeira tentativa. Pelos Amadores de Lisboa António Galamba à quarta tentativa, fechou a tarde para a forcadagem Tiago Silva bem à primeira tentativa.

 

Nas lides a pé, Nuno Casquinha e João Silva “Juanito”.

Casquinha, veio a Lisboa com atitude e uma ambição inequívoca para alcançar um grande triunfo. Recebeu com verónicas de bom traço, nas bandarilhas andou bem como é seu habito. Na faena de muleta desenhou as tandas por ambos os lados em curto,deixando a muleta posta na saída dos passes para poder ligar as séries, no fim da lide andou com ares mais arrojados, com desplantes de joelhos muito do agrado do público.

 

Juanito, recebeu o oponente com uma larga cambiada de joelhos, para depois  desenhar uma grande faena, primeiro ensinando o bonito burraco a investir na muleta e quando o teve na mão e entregue, executou tandas que chegaram com força ao público. Em redondo pela direita baixou a mão levou embarcadas as vibrantes investidas do novilho, pela esquerda brotaram naturais cheios de toreria e garbo, rematados com bonitos passes de peito. Finalizou a lide com um “ramillete de manoletinas”.

 

No fim das lides dos terceiro e quinto toiros deram voltas à arena o maioral da Ganadaria Calejo Pires e o Ganadero Manuel Ribeiro Telles.

 

No fim do Festival todos os toureiros, forcados e ganaderos foram convidados a irem à arena do Campo Pequeno reivindicar a continuidade das corridas nesta praça de toiros sob o lema “Esta é a nossa casa”.

 

Dirigiu a corrida Fábio Costa.

 

 

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