Temporada Nazarena abriu em Grande!

Temporada Nazarena abriu em Grande!

  • Nazaré, 23 de julho de 2022
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Francisco Palha e Andrés Romero
  • Forcados: Portalegre, Caldas da Rainha e Académicos de Coimbra
  • Ganadaria: Engº Jorge de Carvalho
  • Direção de José Soares assessorado por José Luís Cruz
  • Praça quase Cheia

 

A Nazaré iniciou a sua feira taurina com a casa praticamente cheia para ver Luís Rouxinol, Francisco Palha e Andrés Romero, ante touros de Eng. Jorge de Carvalho e com os grupos de forcados de Portalegre, Caldas da Rainha e Académicos de Coimbra.

A alegria contangiante do ambiente desta que é a mais pequena arena do País, fez ultrapassar o fresco da noite no Sítio da Nazaré. O calor humano tocou os artistas e todos deram tudo perante o curro de bem apresentados touros, sem excesso de peso (todos na casa dos 500 quilos) e com trapio. No entanto, não foram lineares de comportamento e, felizmente, não foram todos similares na atitude que traziam dentro.

O primeiro do lote, que coube ao versado Rouxinol, era um listão com muita presença mas sem colaboração. O maestro bem procurou trazê-lo ao de cima, mas não houve dúvida de que não tinha muito mais para dar do que a falta de nobreza com que se adiantava ao ginete. Rouxinol entregou-se, mas não teve correspondência, e no terceiro ferro o touro começou a refugiar-se cada vez mais, tornando o papel do cavaleiro ainda mais o de saca-rolhas. E nesta noite couberam-lhe as duas rolhas da corrida. Mesmo assim, rematou a lide com um palmito cravado nos médios e teve uma cravagem correcta na sua actuação.

A pega coube ao grupo de Portalegre, sendo Ricardo Cardano a dar caras numa pega quase inesperada pelo arranque rápido do touro que mal foi citado, mas consumada neste primeiro intento.

Com o seu segundo touro, Rouxinol voltou a ter um oponente sem vontade de o ser. Outro touro com trapio e, desta feita, que não se adiantava, apesar de ser retraído e um tanto ou quanto apagado, permitiu ao cavaleiro das Faias uma lide esforçada, após os três ferros compridos, mas a verdade é que não se viu mais do que arreões de manso neste touro, pelo que a opção de lidar em cima do touro foi a mais lógica. Não quis defraudar o seu público e fechou com um par de bandarilhas e um ferro de palmo arriscados ante um opositor que se queria fechar em tábuas, procurando os curros.

Para a cara deste touro foi Gonçalo Costa, de Portalegre, que suportou derrotes brutos para se conseguir fechar à segunda tentativa, muito bem ajudado.

 

Francisco Palha teve as lides mais coesas e mais Marialvas da noite, num tom triunfal. Com o seu primeiro hastado, começou a bordar o seu toureio desde o início da lide por curtos, citando praça a praça e cravando com elegância e correcção, sereno a conduzir o touro pelas sedas do cavalo. O seu oponente foi pouco entregue, mas cooperante. Antes de sair da arena, pediu mais um ferro que rematou a lide com outra sorte frontal de grande timbre.

O grupo das Caldas enviou Joaquim Milho para a cara deste touro, tendo o jovem fechado-se com o touro ao primeiro intento.

Com o seu segundo da noite no Sítio, Palha teve menos sorte, o touro não tinha grande vontade de se ligar ao artista, mas o jovem conseguiu estar por cima do touro dando à lide o brilho que o touro não quis dar. Belíssima cravagem e colocação do touro briosa, deram-lhe merecida música. O oponente nunca despertou e pouco material havia para se recriar nas sortes, mas não entediou ninguém. De tal forma que foi (mesmo!) o público que lhe pediu mais um ferro, e muitas vezes esse é um erro para o artista, o que não foi de todo o caso.

A pega das Caldas ficou a cargo de António Appleton que executou muito bem, ao primeiro intento.

 

Andrés Romero trouxe o seu estilo de rejoneio puro às arenas nazarenas e ganhou o público na sua arte equestre. O seu primeiro touro também saiu muito bem apresentado, mas sobretudo era um dos dois melhores do lote desta nocturna. Dois compridos no ritmo de pasodoble e os curtos foram bregados com alegria de bulerias. Foi no terceiro e quarto ferros que tornou a brega mais vistosa e o remate mais emocionante, com a tal arte equestre na medida certa e sabendio fechar a lide com um quiebro que conquistou os tendidos. Pediu mais um ferro e foi outro quiebro rematado a remoinhos da sua montanda, que levantaram a praça.

A pega foi efectuada à primeira, por João Gonçalves dos Académicos de Coimbra.

Mas foi o último touro da noite, o melhor do curro, um castanho bociblanco que fez a representante da ganadaria dar volta com o cavaleiro. Foi desde logo que se percebeu que Romero teve os dois melhores da noite para lidar, e soube aproveitar a sua sorte: desenhou boas passagens na cara do touro durante a brega e protagonizou bonitos cites ao píton contrário, bem como emocionantes passagens entre tábuas. Arrebatou a plateia que lhe pediu mais um ferro, tendon escolhido um ferro de palmo para fechar a sua actuação, que cravou após muita exibição da capacidade da sua montada. O público exigiu mais outro ferro e novamente um palmito foi cravado com emoção de pôr a praça de pé.

A pega dos Académicos de Coimbra foi de excelente qualidade e realizada por Martim Rodrigues.

 

Sílvia Vinhas

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