João Moura Jr. O novo rei dos Açores

João Moura Jr. O novo rei dos Açores

  • Ilha Terceira, 23 de julho de 2022
  • 15º Aniversário do GFA Ramo Grande
  • Cavaleiros: João Moura Jr e João Telles
  • Forcados: Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Ramo Grande
  • Ganadarias: Passanha e Rego Botelho
  • Praça Cheia

 

A Tauromaquia é assim. Um espectáculo de emoções, que faz ídolos e desperta paixões. Moura caiu aqui dentro das sopas do Santo Cristo, que por aqui quer dizer nas graças das gentes, com grandes atuações na arena de Angra tanto nas Sanjoaninas como agora no mano a mano com o seu amigo João Telles, nesta corrida organizada em comemoração dos 15 anos dos forcados do Ramo Grande.

Uma casa cheia para ver os Passanhas e também a eterna competição entre os forcados terceirenses da Tertúlia e do Ramo Grande.

Todas as corridas têm uma história e esta também tem a sua. Há imponderáveis que alteram as intenções, mas isso ninguém comanda. Diogo Passsanha é um ganadero consciente e  por isso sabe bem a importância desta praça. Escolheu seis das suas estampas, mas não poderia saber que dois deles não iriam sobreviver à sempre arriscada travessia do Atlântico. Um morreu em Lisboa, em dia de calor sufocante e o outro só resistiu até á ilha de S. Miguel. Daqui resultou a entrada do sobrero nos lotes da corrida e a inclusão de outro toiro de Rego Botelho.

Lotes feitos, sorteio em marcha e resultados diferentes para cada um dos cavaleiros. A João Moura tocou comer a fatia do bolo e ao Teles tocou a fava. Eu explico-me.

Um Rego Botelho de bom jogo, o melhor da corrida e um mais complicado, tocaram ao Moura. Um Passanha pequeno e fora de tipo, lidavél mas de pouca importância, que seria o sobrero em condições normais, um manso de livro e um bom, foram para João Telles. E parecendo que isso foi apenas importante para os cavaleiros, a verdade é que também ditou a sorte dos grupos de forcados. Os da Terceira pegaram o lote de Moura e os de Ramo Grande o de Telles.

Resumindo e concluindo, podemos dizer que os Passanha deixaram a marca da sua classe e apresentação, com destaque para um toiro “de vacas”, bravo e sério que saiu em terceiro lugar, que Rego Botelho, chamado a remendar a corrida esteve à altura das circunstâncias, que os forcados da Tertúlia tiveram uma grande tarde com três brilhantes pegas ao primeiro intento e que os do Ramo Grande, em tarde de festa, apenas brilharam com a pega do seu cabo Manuel Pires.

 

João Moura

O seu cavalo Londres recebeu com classe todos os toiros que aqui lidou e fez meia dúzia de ferros à “porta gaiola”, transmitindo segurança ao seu cavaleiro para os tércios seguintes. Moura está moralizado, imprime um traço nas lides ligado e artístico, com uma base sólida que se traduz nos triunfos constantes que vai obtendo nas suas atuações. As já famosas mourinas estão dando brado, mas é nós ferros de frente, ajustados e muito bem rematados, que vemos o seu alto valor como toureiro.

João Telles

Sempre nos impressionou o corte de toureio do João. Não é um toureiro operário, que quer ter possilidades de triunfo em tudo o que lhe sai pela frente, mas quando lhe toca o toiro que investe, João solta o seu perfume toureiro e surgem os rasgos artísticos que nos encantam. Foi aqui nesta corrida na lide do segundo do seu lote, onde deixou esta marca, que envolve as bancadas e delícia o aficionado.

 

Forcados

Tertúlia Tauromáquica

Tarde de êxito como já referi, com as estrelas do grupo na cara, mas com o grupo muito coeso e harmónico por detrás, não deixando nada ao acaso. Francisco Matos, Luís Sousa e Bernardo Belarique foram os caras.

Ramo Grande

Uma despedida de um dos fundadores do grupo, Alex Rocha, não resultou como se esperava, mas as coisas são a realidade e não aquilo que queremos que sejam. A pega do cabo Manuel Pires é um compêndio de como se deve estar na cara de um toiro, aqui com o grupo a ajudar muito bem . O sexto era daqueles de “ meter todos na cama”. Duro e castigador, distribuiu cornadas por tudo quanto tinha à frente.

Foi boa a corrida? Sim foi. Quando o público se emociona, quando se levanta à passagem dos artistas nas voltas à arena, o êxito está garantido.

Os prémios em disputa, melhor lide e melhor pega foram para João Moura e Luís Sousa, lide e pega feita ao terceiro da tarde.

 

Francisco Morgado

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