No Montijo faltou-nos a alma a quase todos…

“Quando o corpo está bem, a alma baila”… E isto nos toiros é inequívoco… O estado de ânimo, pode fazer “cantar o público”… sendo este um altifalante da alma da nossa Festa!. Quando se vê uma boa tarde ou noite de toiros, os sorrisos e a boa disposição impera entre as gentes dos toiros, “cantando” os presentes a corrida de forma entusiasta… Quando a coisa não resulta uma surdina invade-nos a alma… E ontem a surdina invadiu a alma de muitos… Na Amadeu Augusto dos Santos! Ontem houve um misto de perda em que a tristeza e a ansiedade ganharam força e por vezes uma ideia de “alma”um pouco confusa. E falo de quase todos! Excepção feita ao Grupo da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e do Ganadero.

A empresa Toiros com Arte, nova gestora desta importante praça de toiros portuguesa montou um cartel com alguns ingredientes que fariam querer que a resposta do “respeitável” fosse outra… Senão vejamos, seis toiros da ganadaria Fernandes de Castro, para serem pegados em solitário por um dos grupos da terra, um cartel de figuras consagradas e uma jovem promessa do toureio. Apostou também a empresa numa publicidade arrojada num canal de televisão nacional, feita por figuras públicas dando a cara pela corrida e na oferta de um carro a dos elementos do público possuidor de bilhete… Mas a resposta foi fraca! Cálculo o estado de alma dos empresários.

Aos cavaleiros também lhes faltou a chama para elevar a tarde a altos patamares, houve bons ferros, bons pormenores de toureio mas nenhuma das lides foi redonda. O público também foi ou se foi contagiando pelo espírito da tarde e o desânimo foi se apoderando da alma dos presentes.

 

Da Herdade da Ervideira saíram os toiros desta tarde, corrida bonita, nada exagerada de caras e pesos. O quarto foi aquele dos saídos que apresentava maior trapio, o primeiro e sexto os mais terciados do lote. Quanto ao comportamento e sem me alongar… Foi mansote o primeiro e durou pouco; O segundo foi um toiro interessante; O terceiro teve pouca mobilidade e durabilidade mas nos capotes meteu bem a cara. Que bonito foi ver o bandarilheiro Duarte Alegrete lidar este toiro; O quarto foi um manso encastado que pediu mando e as coisas bem feitas; O quinto teve muita mobilidade, durabilidade mas pouca “fijeza”; O sexto foi bravo!

Luís Rouxinol a jogar em casa abriu a tarde numa actuação em que lidou bem, cravando os ferros da ordem com correcção, a pedido do público acedeu a rematar a lide com um palmito, que teimou em não ficar da primeira vez e depois foi o cabo dos trabalhos… o toiro já muito rachado dificultou muito a labor do de Pegões.

 

Filipe Gonçalves, teve esta tarde uma lide variada, em que os pormenores de brega e o rematar das sortes tiveram boa nota, no momento de cravar houve um ou outro toque nas montadas. Rematou a lide com um bom par de bandarilhas.

 

João Moura Jr. fez tudo bem feito, lidou correctamente, cravou correctamente, rematou as sortes correctamente mas não pisou no “acelerador” para redondear a sua lide. Destaque para o segundo curto, citou de praça a praça, encurtou distâncias entrando em terrenos de compromisso e cravando o ferro.

 

Marcos Bastinhas andou em plano lidador, longe da alegria que lhe é característica. Dois compridos a abrir e nos curtos mexeu bem num toiro com muita querença em tábuas mas que de lá saia com raça, cravando a ferragem da ordem com correcção.

 

Duarte Pinto, teve uma tarde de pouco brilhante no Montijo, parece-me que mandou pouco no toiro, deu demasiadas distâncias, resultando as sortes sem o brilho de outras actuações.

 

Joaquim Brito Paes, de início fez-nos acalentar a alma! Bons compridos, bem a lidar, um par de ferros emocionantes com batida ao piton contrário e aí o público reagiu aplaudindo com entusiasmo o visto na arena mas os últimos dois curtos já não foram iguais aos primeiros e lide acabou por não romper em triunfo.

 

Os Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo tiveram uma digníssima actuação nesta tarde de celebração dos seus 65 anos. Foram caras esta tarde, Joel Palma à primeira tentativa; Armando Costa também à primeira tentativa; Márcio Chapa, antigo cabo do grupo à segunda tentativa; Luís Carrilho, cabo actual, também ao segundo intento; Pedro Galamba, à primeira tentativa, a emendar Tiago Feitor, que saiu lesionado depois de duas tentativas; Fechou a tarde Pedro Tavares à segunda tentativa na pega da tarde.

 

Dirigiu a corrida Lara Oliveira, sendo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

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