Montemor: Canas vence! Francisco Borges emotivo e João Prates soberbo!

A tauromaquia terá um futuro garantido se mantiver a sua principal marca como eixo do espetáculo: O Toiro!

As corridas concurso são para mim umas das que despertam maior expectativa! Este tipo são também para muitos aficionados, corridas especiais… Vamos na expectativa de ver bravura e o melhor que cada ganadaria tem em casa. O trapío dos toiros que disputam os prémios e a importância de vários factores da sua lide: Se acomete de largo com casta e nobreza ao cavalo, como perseguem a montada, como investem aos capotes e para a pega e também o empenho sério de todos aqueles que integram o cartel. Por esta razão, os Concursos de Ganadarias têm sido classificados como o último refúgio do aficionado romântico e também onde se vê ou deveria ver a mais verdadeira expressão da bravura do Toiro Bravo. No sábado passado, dia 11 de Maio em Montemor, só um… pouca coisa! O que viria a ganhar o prémio de bravura, um jabonero de Canas Vigouroux. Quanto à apresentação houve brio por parte de ganaderos e empresa em apresentarem ao público uma corrida séria e com trapio digno de uma praça com tantos pergaminhos.
Quis a empresa Toiros com Arte que voltassem em Maio os Concursos de ganadarias a Montemor e que o toiro fosse novamente o principal protagonista da Festa, cerca de meia casa forte preenchia as bancadas da velhinha praça para ver este acontecimento…
Abriu praça um Murteira Grave que foi devolvido aos currais por sair com um corno partido dos curros. Saiu então um toiro grande e pesado de Fernandes de Castro que estava destinado a ser o segundo da corrida. Toiro complicado, com pouco recorrido sempre com a cara alta e a medir, cavaleiro, bandarilheiros e forcados.
O segundo foi um bonito toiro berrendo em negro de São Martinho, teve pouca classe, humilhou pouco, vindo a menos com o decorrer da lide. De Silva foi o terceiro, toiro também grande e pesado, algo basto de tipo, não foi claro, teve pouca entrega, acabando por não romper. O quarto foi o sobrero um bonito colorado de Pégoras, reunido, baixo, foi nobre e acabando por cumprir. Um jabonero de capa de Canas Vigouroux fez quinto, toiro fino de tipo, composto de cara, foi nobre, teve recorrido, acometeu com nobreza a cavalos, bandarilheiros e forcados, bom toiro! Fechou a tarde um castanho chorreado de Pégoras, com pouco ritmo e entrega mas não apresentando dificuldades de maior.
Luís Rouxinol lidou o segundo e o quarto, visto que o seu primeiro foi devolvido aos currais. O cavaleiro de Pegões teve uma passagem positiva pela arena montemorense.
No seu primeiro, tentou abrir os caminhos a um toiro pouco claro, lidou com sabedoria, escolheu os terrenos indicados, cravando os ferros com desenvoltura e rematando as sortes com brio.
Com o sobrero de Pégoras viu-se um cavaleiro mais a gosto e aproveitando as qualidades do oponente, cravou com desembaraço os compridos, lidando bem. Na série de curtos os ferros tiveram brio, vendo-se o cavaleiro a gosto e sempre com vontade de agradar. Rematou bem as sortes e o público aplaudiu o visto na arena.
João Moura Jr. diante do difícil primeiro andou com profissionalismo a tentar dar a “volta a uma tortilha” complicada. O toiro mirava por cima da montura do cavalo, media e esperava no momento das sortes, o cavaleiro de Monforte deixou a ferragem da ordem com desenvoltura e eficiência.
Com o quinto da tarde Montemor presenciou a lide mais redonda da tarde, Moura aproveitou as qualidades do de Canas e agarrou o triunfo. Cravou bem os compridos, lidando e interessando o toiro na lide. Com os curtos houve bons momentos de toureio a cavalo, escolheu bem os terrenos de lide, citou de largo, encurtou distâncias, cravou bons ferros, rematando de forma toureia as sortes. Rematou a sua lide com uma bonita e mourina e um palmo que fez as delícias dos presentes.
Marcos Bastinhas diante do de Silva andou correcto nos compridos,  recebendo o oponente na porta dos curros, cravando com desenvoltura os ferros. Nos curtos diante de um toiro reservado no momento do ferro cravou a ferragem da ordem com solvência, lidando e rematando as sortes com brio.
No que fechou praça , Montemor pode desfrutar do toureio de marca Bastinhas, lide variada, com muita comunicação com as bancadas e ritmo. Cravou os compridos com eficácia, partindo para lide uma lide de curtos na qual andou muito ligado ao de Pégoras, cravando com eficácia os ferros da ordem. Rematou a lide com um par de bandarilhas com assinatura da casa.
Dois grupos de forcados em praça, Montemor na comemoração dos seus 85 anos e Coruche em ano de despedida das arenas de seu cabo José Tomás. Tarde boas pegas, havendo um par delas de excelência.
José Maria Pena Monteiro diante do difícil primeiro teve que lhe bater as palmas por três vezes, toiro a entrar com a cara por cima e a derrotar e atropelar o forcado da cara. O Zé Maria teve a ama e a calma necessária para resolver com eficácia os problemas apresentados pelo toiro.
Francisco Borges em ano de despedida das arenas, brindou de forma emotiva a seu pai em dia de anos, O Francisco mais uma vez realizou uma grande pega à primeira tentativa, bem a citar, recuar e reunir na cara do de Silva, o grupo ajudou com eficiência e foi consumada a sorte.
Vasco Ponce à segunda tentativa fez uma bonita pega ao de Canas, deixou vir o toiro, esperou, fechando-se de pernas e braço. Bem o grupo a ajudar.
Uma palavra para o rabejador do grupo, Francisco Godinho que esteve superior em todas as tentativas de pega desta tarde.
Pelos Amadores de Coruche o cabo José Tomás abriu a tarde, numa boa pega à primeira tentativa, tudo bem feito, o grupo ajudou com decisão e foi consumada a sorte.
Martim Tomáz também à primeira tentativa, numa pega bonita, citando com decisão, recuando e reunido com brio, ajudando bem o grupo.
João Prates, futuro cabo dos Amadores de Coruche realizou uma soberba pega à primeira tentativa a fechar a tarde. Citou com alma, encurtou distâncias, recebeu com braços de ferro, suportou os derrotes encastados do de Pégoras, o grupo ajudou, a praça aclamou de pé esta sorte do João. Olé!
A corrida era concurso de ganadarias havendo dois prémios em disputa, bravura e apresentação:
Prémio de Apresentação: Ganadaria São Martinho.
Prémio de Bravura: Ganadaria Canas Vigouroux.
A corrida foi dirigida por Agostinho Borges, sendo o médico veterinário Carlos Santana.

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