Francisco Palha destaca-se em corrida dura em Moura

A Praça de Toiros de Moura recebeu ontem a sua tradicional corrida de toiros da Feira de Maio, que contou com um cartel aliciante. Com cerca de meia casa preenchida, as bancadas registaram a presença de muita gente jovem, a indicar que a festa está viva e tem futuro.

O cartel contou com a presença dos cavaleiros João Moura, Francisco Palha e Tristão Telles Queiroz. As pegas estiveram a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de São Manços, Real de Moura e Beja. Foram lidados seis toiros da ganadaria Palha.

O toiro é o Rei da festa e ontem em Moura foram lidados seis toiros com o ferro de Palha, bem apresentados na generalidade, mais justo de trapio o primeiro da ordem. Quanto ao comportamento a tónica dominante na corrida foi a transmissão. O primeiro foi um toiro que, não complicando a função, foi algo reservado. Deixou-se lidar. Segundo e terceiro da ordem foram os de melhor comportamento, transmitiram e colaboraram com a função. O quarto, sério, vendeu cara a luta e não facilitou. O quinto da ordem teve alguma crença em tábuas, mas foi encastado. O último foi também encastado e pediu que se lhe fizessem as coisas bem feitas.

João Moura foi o responsável por abrir praça. Diante do primeiro da ordem, cravou com correção a ferragem da ordem, destacando-se positivamente a forma como rematou os segundo e terceiro ferros curtos. Diante do segundo do seu lote, depois de cravar um bom segundo comprido com o toiro a arrancar de largo, optou por abordagens ao pitón contrário que nem sempre resultaram da melhor forma. Alternou bons ferros com algumas passagens em falso. Trocou de montada e cravou mais dois bons curtos, com que terminou a sua passagem por Moura.

Francisco Palha veio com ganas de triunfo e foi autor dos melhores momentos de toureio que se viveram em Moura. Diante do primeiro do seu lote, esteve bem a recebê-lo e cravou com correção a ferragem comprida. Nos curtos esteve em bom plano e cravou uma série de ferros de nota elevada, bem como os remates e a preparação das sortes. Trocou de montada e chegou com força ao público ao cravar um bom violino e um ferro de palmo em terrenos cambiados. Terminou a função com mais um ferro de palmo. Diante do seu segundo, um toiro com crença em tábuas e que não permitia erros, Francisco Palha voltou a estar em plano superior e deu a volta ao oponente. Deu a devida importância aos ferros compridos, deu distância e cravou dois bons ferros, com destaque para o segundo, de nota elevadíssima. Nos curtos meteu a carne no assador e cravou um bom primeiro curto e um excelente terceiro, sendo colhido contra as tábuas no remate deste, felizmente sem consequências. Terminou a função com dois ferros de palmo.

Tristão Telles Queiroz veio a Moura depois de tirar a alternativa no passado dia 19 de março em Santarém. Teve o mérito de enfrentar toiros de uma ganadaria dura. No primeiro toiro do seu lote, iniciou a função com dois compridos, pecando apenas na colocação traseira. Na fase de curtos cravou com correção a ferragem da ordem, consentindo um toque no terceiro curto. No final da atuação não deu volta ao ruedo, embora autorizada pelo diretor de corrida. Diante do último da corrida, um toiro mais complicado, consentiu um toque aquando da cravagem do segundo comprido. Nos curtos cravou uma boa série de ferros, sendo colhido contra as tábuas aquando do remate do terceiro ferro. Terminou a função com mais um ferro curto. Faltou alguma ligação à faena para que chegasse ao público. No final voltou a não dar volta.

No capítulo das jaquetas de ramagens, abriu praça o GFA São Manços. Diogo Brejo concretizou uma grande pega ao primeiro intento ao primeiro toiro da ordem. Manuel Trindade pegou o quarto. Tropeçou a recuar, mas conseguiu fechar-se e concretizou uma boa pega também ao primeiro intento.

Pelo Real GFA Moura João Ferreira concretizou ao primeiro intento uma grande pega, vencedora do troféu em disputa. José Maria Costa Pinto concretizou mais uma boa pega ao segundo intento ao quinto toiro da ordem.

Pelos Amadores de Beja, Miguel Pavia escorregou a recuar na primeira tentativa ao terceiro da ordem. Na segunda não se conseguiu fechar. Concretizou à terceira tentativa. Fechou a corrida Manuel Maria Vicente que consumou uma boa pega ao primeiro intento.

Foi respeitado um minuto de silêncio em memória do ganadero Isidro Silva, recentemente falecido.

A corrida foi dirigida por Domingos Jeremias, assessorado pelo médico-veterinário Dr. José Luís Cruz.

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