Brilharam Bastinhas e Salgueiro em noite dura de Salvaterra 

Brilharam Bastinhas e Salgueiro em noite dura de Salvaterra 

  • Salvaterra de Magos, 22 de julho 2022
  • Cavaleiros: Ana Batista, Marcos Bastinhas e João Salgueiro da Costa
  • Forcados: Ribatejo e Alcochete
  • Ganadaria: Fernandes de Castro
  • Direção de João Cantinho assessorado por José Luís Cruz
  • Praça quase a 1/2 de lotação

 

Ontem, 22 de Julho, Salvaterra viveu a sua segunda corrida desta temporada de 2022, noite estranhamente fria, depois da canícula que nos tem assolado nos últimos tempos. Quase meia casa preenchida para assistir a um cartel interessante, Ana Batista a cavaleira da terra, Marcos Bastinhas triunfador de Agosto passado nesta praça e João Salgueiro da Costa um dos triunfadores da temporada 2021. Seis Castro, toiros que são sempre um grande desafio para cavaleiros e forcados, neste caso Ribatejo e Alcochete. A noite teve coisas interessantes para quem assistiu, por exemplo o estoicismo com que ambos os grupos resolveram as dificuldades impostas pelos toiros e as lides de Bastinhas e Salgueiro da Costa.

 

Os Castro estavam díspares de apresentação sendo o mais bonito dos seis o que fez terceiro. Quanto ao comportamento, fizeram juz à sua fama, não deram facilidades, pedindo muito oficio a todos os que se lhes puseram por diante. O primeiro foi um toiro que foi acentuando as suas dificuldades com o decorrer da lide; O segundo foi nobre, com mobilidade, bom toiro; O que fez terceiro foi encastado, teve querença em tábuas mas de lá saiu sempre que solicitado: O quarto pedia que os terrenos lhe fossem pisados com decisão, nunca rompeu vindo a menos com o decorrer da lide; O quinto não teve bom estilo nos capotes e nos forcados mas teve mobilidade e acometeu aos cavalos com casta; O que fechou praça veio a mais com o decorrer da sua lide, acabando por ser um toiro que serviu ao seu cavaleiro.

 

Ana Batista era a cabeça de cartaz, a passagem pela praça da sua terra foi modesta, esforçada e dela há pouco que contar. Em ambos os toiros sentiu algumas dificuldades para deixar a ferragem da ordem, muitas passagens em falso, um ou outro toque nas montadas. Em ambas as actuações não escutou música, nem lhe foi concedida volta à arena.

 

Marcos Bastinhas veio a por todas e a querer revalidar o triunfo de 2021 nesta praça e conseguiu! O público entregou-se a ambas as lides, ovacionado de pé o cavaleiro de Elvas. O primeiro foi recebido na porta dos curros, cravou bons compridos e foram bonitos os remates dos ferros. Os curtos foram cravados ao piton contrário, sendo de boa nota, rematando os mesmos com piruetas de belo efeito que entusiasmaram os presentes, não lhe regateando estes ovações de luxo.

No quinto rematou o triunfo, mostrou os caminhos ao toiro nos compridos, cravando dois ferros, rematando a preceito. Nos curtos foi empolgante a sua lide, cites terra a terra, desafiando o Castro, cravando ferros de frente que levantaram o público dos assentos, rematando bem as sortes. Bonita foi a preparação do segundo curto, levando o toiro sempre muito ligado ao cavalo, deixou-o de de largo, partiu recto e cravou um bom ferro. A lide foi rematada com um par de bandarilhas e as bancadas responderam de pé a Bastinhas.

 

João Salgueiro da Costa, teve duas lides muito coesas, bem estruturadas, sentindo-se em tudo o que fez na arena de Salvaterra, o ferro com que fechou a sua noite foi de antologia. A lide do terceiro foi laboriosa, desenganado o toiro da sua querença em tábuas, bregando bem e escolhendo bem os terrenos. Bom foi o seu primeiro comprido e a série de curtos foi de nota, destacando eu o segundo e terceiro da sua actuação: O primeiro de largo, dando vantagens ao oponente e o segundo pondo tudo da sua parte foi de grande valor.

Com o sexto veio a inspiração do cavaleiro de Valada, grande lide de princípio a fim! Bem a lidar, com um conceito de lide muito adequado ao toiro que teve por diante, bregando e mostrando os caminhos ao Castro, que em honra da verdade foi agradecido e veio a mais. No segundo curto, aguentou a acometida do toiro meio solta e cravou um grande ferro, o terceiro com respectivo remate foram dos bons, o quarto foi superior e o quinto foi a cereja em cima do topo do bolo do bem tourear a cavalo. Citou de largo, encurtou distâncias, partiu recto, entrou em terrenos de compromisso e cravou ao estribo um grande ferro.

 

Noite muito dura para os rapazes da jaquetas das ramagens, dezassete tentativas, uns quantos forcados que tiveram que ser assistidos na enfermaria e posteriormente no hospital.

Pelos Amadores do Ribatejo abriu praça Bruno Inácio à quinta tentativa, toiro a bater e sacudir tudo e todos, só se deu por vencido a sesgo e com ajudas carregadas.

Rafael Costa, à primeira tentativa, toiro a vir duro, com uma viagem longa, quando se sentiu pegado tentou tirar a cara, mostrando aí o Rafael muita alma para lhe ficar na cara aguentando um par de derrotes, o grupo entrou novamente e foi concretizada a pega que viria a ganhar o troféu para a melhor pega da corrida.

O quinto da noite foi um toiro que entrava por cima e quando sentiu o forcado ou forcados na sua cara derrotou com uma violência extrema. André Laranjinha foi quem lhe bateu por primeira vez as palmas, saiu visivelmente maltratado e teve que recolher à enfermaria. Para a dobra saltou outro forcado Ricardo Jorge, que foi mais duas vezes ao toiro saindo este forcado também bastante combalido. O cabo Pedro Espinheira dobrou os seus colegas de grupo e a sesgo resolveu a papeleta à quinta tentativa.

 

Pelos Amadores de Alcochete abriu a noite António José Cardoso, numa boa pega à primeira tentativa, bem a citar, receber, com o grupo a ajudar bem.

Victor Marques, numa pega dura à segunda tentativa, na primeira tentativa, pareceu-me que foi pisado pelo oponente, acabando por sair. Na segunda aguentou violentos derrotes, o grupo entrou e foi concretizada uma pega que se antevia complicada.

Fechou a noite Leandro Bravo à terceira tentativa, toiro a vir com a cara por cima, metendo um só piton acabando por tirar o cara. Na terceira o Leandro encheu-lhe a cara e a pega foi concretizada com o grupo a ajudar de forma eficiente.

 

Havia um troféu em disputa, Pulvilava, para a melhor pega ganho por Rafael Costa dos Amadores do Ribatejo.

Dirigiu a corrida João Cantinho, sendo o médico veterinário José Luís Cruz.

 

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