Francisco Palha e Vasco Coelho dos Reis, vencem! Ferrera saiu a ombros…

Há três quintas-feiras no ano para mim que brilham mais que o sol… Quinta-feira Santa, Corpo de Deus e o Dia da Ascensão.
Quinta-feira da Ascensão é dia da espiga… Dia de toiros, convívio, amizade, júbilo… É Dia Santo! É dia de apanhar o ramo da espiga que é composto por: espiga de trigo, que representa fartura de pão; malmequeres, riqueza; papoilas, amor e vida; oliveira, azeite e paz; videira, vinho e alegria; alecrim ou o rosmaninho, saúde e força. Haverá lá ramo mais taurino!?
A Chamusca é uma Festa durante a Ascensão mas nesta quinta-feira ultrapassa tudo! Uma onda de entusiasmo e de emoção invade a vila. Só quem já vivenciou um dia de espiga por estas paragens sabe o seu significado.
Ao som dos: “Os toiros estão na rua!” milhares de aficionados e visitantes perfilados pela avenida principal brindaram à tradição, vindo em busca da emoção de ver passar os toiros conduzidos pelos campinos montados nos seus cavalos, cujo soar dos cascos no solo causam uma sensação mágica e única que se traduz numa recriação de outros tempos, numa época em que a população esperava a chegada dos toiros bravos das ganadarias para a vila, para a tradicional corrida de toiros em Quinta-feira de Ascensão.
Pela tarde é hora de rumar à bonita e centenária Praça de Toiros, corrida de tradição muito antiga e paragem obrigatória de aficionados. Cartel bem montado este de 9 de Maio do ano de 24, Francisco Palha e António Ribeiro Telles (filho) nas lides a cavalo. Na lide a pé o matador de toiros António Ferrera. Os dois grupos da terra Amadores da Chamusca a comemorar 50 anos de fundação e Aposento da Chamusca a comemorar 40 anos também da sua fundação. Toiros de duas ganadarias de postin. Passanha para a lide a cavalo e Murteira Grave para a lide a pé. A resposta do público a este cartel foi muito positiva: três quartos de casa à vista.
Dos campos do Alentejo rumaram os toiros desta tarde correctos de apresentação tanto os lidados a cavalo como os lidados a pé.
Abriu praça um nobre Passanha, meteu bem a cara nos capotes, veio a mais durante a lide, bom toiro! O segundo mais fino de tipo foi bravo! Acometeu ao cavalo com bom tranco, pronto quando citado, vindo também a mais com o decorrer da lide. De Murteira Grave foi o terceiro exemplar saído esta tarde, alto de agulhas, quanto ao comportamento teve mobilidade e durabilidade mas faltou-lhe entrega e classe. O quarto de Passanha foi um toiro com muita classe, nobreza, meteu a cara de maravilha nos enganos, talvez lhe tenha faltado um bocadinho mais de chispa para ser redondo. Mais basto de tipo foi o quinto, sendo o mais reservado dos da Herdade da Pina, faltou-lhe romper. Fechou a tarde um bonito exemplar vindo da Herdade de Galeana, este Grave teve um comportamento interessante, humilhou, pediu mando, temple e as coisas bem feitas.
Quando o Francisco toureia ninguém fica indiferente ao visto, para o bem e mal… Quando as coisas lhe correm bem há um misto de emoções, verdade e toureio bonito de coragem, firmeza e entrega e foi o que aconteceu na arena da Chamusca.
Francisco Palha abriu a tarde com uma boa lide! Cravou dois bons compridos, lidando a preceito. Nos curtos a sua actuação teve bons momentos, exemplo disso a brega com que interessou o de Passanha na lide, do segundo e o quarto ferros, entrando bonito ao toiro e cravando de alto a baixo, rematando as sortes com brio.
No quarto foram vividos os melhores momentos de toureio a cavalo da tarde! Um comprido com a sorte bem desenhada que teimou em não ficar cravado, cravando um segundo comprido. Francisco percebeu as qualidades do de Passanha e pediu para passar para curtos ao director de corrida. Ladeou com temple, deixou o toiro colocado e em curto cravou um bom ferro, no segundo deixou vir o oponente de largo, aguentou a acometida templada do toiro e cravou novamente um ferro de nota. Mudou de montada e os ferros que se seguiram tiveram emoção, verdade e sentimento. O quarto foi mesmo o ferro da tarde, entrando em terrenos de muito compromisso e cravando de alto abaixo ao estribo! Rematou as sortes com sabor toureiro e agarrou um triunfo indiscutível nesta quinta-feira de Ascensão.
António Ribeiro Telles (filho), vive com a paixão e dedicação o toureio é um cavaleiro da nova vaga de quem se espera muito, tem ele e outros da sua geração aos “seus ombros” o levar isto por diante, tarefa árdua… Ontem na Chamusca, terra que lhe diz tanto certamente… O António mostrou a sua raça, desenvoltura, o gosto por o fazer bem feito, dizendo que ali se está forjando uma figura do toureio.
Diante do bravo segundo houve grandes momentos de lide, um conceito muito vincado de mexer nos toiros com toreria, tentando sempre fazer as coisas bem feitas. Cravou três compridos, no primeiro o remate foi dos bons. Nos curtos preparou bem as sortes, citou de largo, encurtou terrenos e cravou ferros de boa nota, destaque para o segundo da série.
Diante do quinto, três compridos rematados de bonitas maneiras toureiras, empregando elegância ao feito! Na série dos curtos o toiro não rompeu, pediu que lhe fossem pisados os terrenos. Lidou novamente com formas e conceitos de bom toureio, cravou os ferros com eficiência, destaque para o terceiro da série, outro dos ferros da corrida entrando pelo toiro dentro e cravando ao estribo.
Para a lide a pé contratou a empresa o mais portugues dos matadores espanhóis da actualidade. António Ferrera conhece Portugal como poucos… Aqui se fez como toureiro, aqui viveu, aqui vem tentar muitas vezes e aqui toureia com frequência. Ferrera é um consentido para muita da aficion portuguesa que  gostam e vibram com o seu toureio. “Para gustos colores”!      
Ontem na Chamusca o toureiro de Bunyola divertiu o conclave e de que maneira… Sendo aclamado várias vezes, algumas de pé pelas cerca de 2000 mil almas presentes na centenária praça… Contra factos há poucos argumentos! No fim saiu a ombros sem que se ouvisse discórdia alguma por parte do respeitável… Terá sido merecida? Resposta minha não se ouviu nem um pito, antes pelo contrário foi ovacionado… Portanto se calhar foi porque quem manda é quem paga bilhete!
Quanto às lides do matador espanhol, houve variedade de capote, verónicas, delantales, serpentinas, revoleras e um sem número de lances de capotes intercalados uns com os outros. Com a muleta houve uma “bulha” constante com dizem os de Sevilha… Muitos passes, muitas séries, muitos desplantes e também houve uns quantos redondos de boa nota e uma série de naturais dizendo que o que é o seu toureio mas aí o conclave aplaudiu menos… Voltando Ferrera à “bulha”. Resumindo, Ferrera tentou agradar e agradou!
Como diz o fado “Chamusca é mãe de noiva de forcados” e isso foi bem notório ontem! Um público apaixonado pelos seus grupos que comemoram este ano datas assinaláveis 50 anos os Amadores, 40 os do Aposento.
Abriu praça para dizer adeus às arenas Mário Ferreira, numa boa pega cheia de emoções à segunda tentativa, entregou a jaqueta das ramagens muito emocionado depois de uma aclamada volta à arena ao seu cabo. Obrigado Mário!
Nuno Marques pegou o quarto da tarde à terceira tentativa, toiro a humilhar muito no momento da reunião, tirando o forcado da cara nas duas primeiras tentativas. Na terceira houve a conjugação entre os dois e a pega foi realizada com brio.
Tomás Duarte pelo Aposento, tentou realizar a pega por duas vezes, na primeira tentativa, diante de um toiro também muito humilhador não houve o acople pretendido entre forcado e toiro. Na segunda tentativa o forcado quando o toiro se arranca ao recuar entrou em desequilíbrio caindo-lhe na cara, sendo atropelado, saindo visivelmente magoado da sorte.  Foi dobrado por Francisco Barreiros que também se desiquibou na sua primeira tentativa, na segunda mostrou raça e valor, suportou um par de derrotes e a pega foi consumada com as ajudas a desempenharem bem a sua função.
Fechou a tarde Vasco Coelho dos Reis numa grande pega à primeira tentativa, bem o grupo a ajudar.
Nesta corrida da Ascensão havia dois prémios em disputa, melhor lide e melhor pega. Foram os jurados destes prémios o Dr. Vasco Lucas, João Santos Andrade e Manuel Romão. Decidindo que a melhor lide foi a realizada por Francisco Palha ao quarto da tarde e a melhor pega a realizada por Vasco Coelho dos Reis ao quinto da tarde.
Dirigiu a corrida Marcos Cardoso, sendo o médico veterinário José Luis Cruz.

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