Crónica – Coruche Homenageou Mestre David Ribeiro Telles

17 de Agosto, dia maior, para as gentes sorraianas, dia dedicado a esses bravos homens, que escolheram como ofício, estar junto do gado, seja ele manso ou bravo e que respondem pelo nome de CAMPINO.

 

Chegados ao equador, das Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo, padroeira de todos os Coruchenses, que com o seu manto, abençoa e protege a lezíria, banhada pelo Sorraia e a todos que nela labutam dia à dia, congregaram-se as vontades, para neste dia do ano de 2017, homenagear um Homem do Campo, que como prefaciou a sua filha Mariana, na nota biográfica que deixou à imensa moldura humana, que preenchia a totalidade dos lugares da monumental do Sorraia, foi um Homem, que dedicou toda a sua vida, ao campo, aos cavalos, aos toiros e sobretudo à família, tendo sempre a porta de sua casa aberta, na herdade da Torrinha, a todos os que precisaram.

 

E foi neste ambiente de festa e emoção que foi descerrado um relevo, junto ao burladero do sector 6, na praça de toiros de Coruche, local onde habitualmente, assistia às corridas, com o seu inconfundível chapéu de aba larga.

 

A empresa de “De Caras e Tauromaquia”, uma vez mais ganhou a aposta e por isso o público respondeu em massa, enchendo o tauródromo local, não só para homenagear, Mestre David, mas também para ver evoluir em praça a sua dinastia, composta pelo seu filho António Ribeiro Telles e os seus netos Manuel Telles Bastos, João Ribeiro Telles, Jr e António Ribeiro Telles filho., ainda cavaleiro amador, frente a um poderoso curro de Pinto Barreiros, que foram pegados pelos Forcados Amadores de Coruche, em solitário.

 

Os seis exemplares de Pinto Barreiros, agora propriedade do ganadeiro alentejano, Joaquim Alves, estavam de apresentação irrepreensível e deram jogo regular, com destaque para o lidado em terceiro lugar, ostentando o numero 23, no costado e que apesar de acusar na balança o peso de 630 Quilos, nunca virou a cara à luta. O novilho, para o cavaleiro amador, com o ferro da casa Ribeiro Telles, serviu na íntegra, apesar da escassa apresentação, mas os regulamentos assim o obrigam.

 

António Ribeiro Telles, a jogar em casa, lidou o primeiro e sexto, e diga-se em abono da verdade, que o fez, como sempre nos habituou, com profissionalismo com maestria e sobretudo, verdade na execução das sortes. Andou sempre ligado, numa brega vistosa buscou na maioria das vezes as sortes de frente, nem sempre correspondido pela prontidão da montada, escutou música e deu volta no final de ambas as lides.

 

Manuel Telles Bastos, lidou o segundo e quinto, devido a compromissos firmados, para a noite e em tarde de festa e homenagem a seu avô, seguiu num tom maior, sendo que quanto a nós esteve melhor no que lidou em primeiro lugar do que no segundo, no entanto, podemos considerar duas lides de calibre superior, premiadas com música e volta à arena no final.

 

João Ribeiro Telles Jr, tocou-lhe em sorte, o tal de 630 quilos, que saiu em terceiro lugar, permitindo ao cavaleiro um excelente triunfo, terminando a lide com o habitual “palmito”, muito do agrado do conclave. No que lidou em segundo lugar, sétimo da ordem, desenvolveu uma lide em crescendo, terminando com dois violinos, com a sua marca pessoal, escutou musica e deu volta em ambos.

 

António Ribeiro Telles filho, o mais jovem representante da Torrinha, ainda amador, saiu em quarto lugar, para dar lide a um novilho da casa Telles e em boa hora o fez, entrou nervoso, pois a ocasião não era para menos, mas pouco a pouco foi tomando conta da situação, denotando um sentido de lide fantástico e procurando deixar os ferros em seu sítio, foram dele os dois melhores curtos da tarde, em nossa opinião. Foi bastante acarinhado pelo público, toureou ao som de musica e deu volta no final.

 

O Grupo de Forcados Amadores de Coruche, escolheu esta data, à semelhança de anos anteriores,  para comemorar mais um aniversário, razão pela qual, se fardam Antigos e Atuais, aproveitando o ensejo para pegar a corrida em solitário.

 

Abriu praça o novel cabo, José Macedo Tomaz, não sendo ele um cara de raiz, frente a um adversário que se defendia, no momento da reunião, conseguiu consumar a sorte à segunda tentativa. Para o segundo da ordem, foi destacado o forcado José Marques, esteve correto a citar, no entanto, ao recuar desequilibrou-se e adiantou-se demasiado, erro permitido pelo toiro, consumando à primeira tentativa. Para o terceiro, foi destacado Paulo Oliveira, forcado rodado e calhado, para os toiros duros, que apesar dos esforços, só à terceira conseguiu consumar a sorte com ajudas carregadas, pois as dificuldades não eram para menos. O quarto da ordem, foi o novilho e o grupo aproveitou a oportunidade para rodar um jovem, pelo que Eduardo Poeira, apenas à segunda consumou a sorte sem problemas de maior. Para o quinto, o cabo jogou pelo seguro e enviou o seu irmão António Macedo Tomaz, embora jovem, mas já com créditos firmados, consumando uma excelente pega à primeira tentativa, uma vez que o toiro saiu com velocidade e quando abrandou, bateu, valendo a experiência do veterano Paulo Pinto, numa eficaz ajuda. Para o sexto da tarde foi destacado José Sousa, um tanto nervoso, acusando o peso da responsabilidade, não esperou que o toiro estivesse colocado no sitio correto e tentou aproveitar uma viagem desconcertada, sendo atropelado pelo murlaco, ficando inanimado na arena, pelo que foi substituído pelo jovem João Ferreira, que numa tentativa, resolveu a papeleta, enchendo a cara ao toiro, fechando-se à barbela, com pronta intervenção das ajudas. Para fechar a atuação do grupo e em dia de despedida do primeiro ajuda Mário Rosa, foi designado Pedro Coelho, que lhe dedicou a sorte e o levou consigo nas primeiras e com facilidade citou, templou e reuniu com correção, permitindo ao primeiro ajuda, entrar e todo o grupo responder com eficácia, no final volta para forcado da cara e primeiro ajuda.

 

Nota final, a corrida foi dirigida pelo Delegado  senhor João Cantinho, coadjuvado pelo médico veterinário, Dr. José Luis Cruz e abrilhantada pela Banda da Sociedade de Instrução Coruchense, que executou vários passedobles dedicados ao homenageado Mestre David Ribeiro Telles, todos os toiros foram recolhidos a cavalo pelos campinos Joaquim e Gabriel Silva, da Casa Agrícola de Manuel José da Úrsula, nota menos positiva a duração do festejo que ultrapassou as três horas e meia.

 

Artigos Similares

Destaques