Com certeza que Nené se levantou aplaudir de pé a tarde vivida em Alcochete 

Crónica

Alcochete, recebeu o dia grande do seu calendário taurino, o tradicional Concurso de Ganadarias, corrida que o saudoso Nené vivia como nenhuma e ontem lá dos céus teve que se sentir orgulhoso. Cheia a praça, casa à cunha, seis pesados toiros a Concurso, o seu grupo em tarde brilhante, o seu filho com uma monumental pega, grandes lides a cavalo, o seu João Ribeiro Telles regressava a esta data e pôs todos de pé na lide do quinto da ordem, as suas gentes a saírem a da praça contentes e com vontade de voltar, em suma uma grande tarde de toiros.

A concurso estavam cinco ganadarias, o toiro da ganadaria de José Palha por dificuldades ao ser embarcado foi substituído por um da ganadaria Canas Vigouroux fora de Concurso lidado em quinto lugar.

Abriu a tarde um toiro da ganadaria Prudêncio com 540kg, despegado do chão, não muito bonito de cara, mas arrobado e com trapio. Não foram bons os seus inícios, meteu mal a cara nos capotes, sempre por alto e andou distraído durante os compridos. Veio a mais durante a lide sem ser um toiro bravo acabou por cumprir e oferecer o triunfo ao cavaleiro.

O segundo foi um negro entrepelado da ganadaria Vinhas, deu na balança 600kg. Era alto, comprido, alagado, aberto de cara, Foi um toiro sempre pronto para investir aos capotes, humilhando e por vezes fazendo o avião, galopou atrás do cavalo com nobreza, acometeu ao cavalo com franqueza, um toiro bravo com o senão de lhe faltar um bocadinho de picante.

O de Canas Vigouroux, foi o terceiro da ordem, bonito, bem posto de cara, um negro zaino com 555kg. Foi um toiro que veio de mais a menos, por vezes saia desligado do cavalo e teve algumas querenças perto da música.

O quarto luzia o “bonito” peso de 645kg, tinha o ferro da ganadaria Silva este negro chorreado, grande, com cara mas com bom tipo. Foi um toiro que suportou o peso, foi nobre, pronto sempre que solicitado pelo cavaleiro, bandarilheiros e ao forcado arrancou com alegria, veio um tanto ou quanto a menos com o decorrer da lide.

O que fez quinto estava fora de concurso, tinha o ferro de Canas Vigourox, toiro reunido, bem posto de cara, bem apresentado, foi anunciado com o peso de 580kg. Foi um toiro que por vezes frenou as sua investidas, precisava de ligação para o ajudar a romper, foi duro na pega.

O sexto um negro, negro, bragado, meano, corrido, grande como ele sozinho 625kg, com pouca cara, tinha o ferro de Fernandez de Castro. Foi um toiro encastado, a vir a mais, acabou a sua lide a sair com alegria para os cites do cavaleiro, perseguindo depois o cavalo com emoção, teve o senão de se doer no inicio da lide aos ferros.

Luís Rouxinol, veio a Alcochete “a por todas” e para triunfar. Abriu a tarde com uma lide ligada, desenganado o toiro que teve por diante, cravando bons ferros, limando as dificuldades e aproveitando as qualidades do oponente. Rematou a lide com um violino e um ferro de palmo de enorme valor. O quarto era um toiro que imponha só de olhar para ele quanto mais andar a poucos centímetros do “rapaz”. Rouxinol não se intimidou e desenvolveu uma grande lide, sempre ligado, bregou na perfeição, cravou ao estribo e rematou a lides com arte e toureiria. Exprimiu o Silva até ao fim rematando a lide com um par de bandarilhas e um palmo, público rendido ao cavaleiro de Pegões.

João Ribeiro Telles, aproveitou e de que maneira o bravo Vinhas! Desenvolveu um lide compacta, cravando bons ferros que por vezes não chegaram as bancadas com o impacto devido, ferros cravado em “su sitio”, boa brega, bons remates. No quinto a história foi outra, público de pé, sorriso de orelha a orelha de satisfação do pai João ao ver o triunfo do filho… Bem nos compridos e nos curtos. Cites com raça, a querer o triunfo, cravando no alto do morrilho, com ligeira batida, bonitos remates toureiros. Muda novamente de montada e vêm à praça com umas das estrelas da sua quadra e crava dois ferros monumentais! De praça a praça, cita e carrega direito ao toiro, reúne num palmo de terreno e crava, o público parecia que tinha molas eis que se levanta dos seus lugares em uníssono tributando ao João uma ovação de época. Bravo! Duas voltas à arena.

Francisco Palha na lide do seu primeiro não rompeu de todo… Teve bons ferros, bonitos detalhes, boa brega, mas novamente o público frio… Mas como aconteceu com o seu primo a história do sexto foi bem diferente. O Francisco veio com a raça que o caracteriza, grande lide e grande triunfo! Nos compridos disse ao que vinha, bem desenhados e cravados com correcção, nos curto lide sempre em crescendo, ferros à Palha com entradas descaradas pelo toiro dentro, bem a bregar e rematar as sortes. Mas um dos momentos da tarde estava guardado para os dois últimos ferros da corrida, dois ferros de arrepio, dois ferros monumentais, dois ferros de génio…Toiro colocado de praça a praça, cavaleiro na porta dos curros, cita com senhorio, o toiro arranca a dois tempos mas com alegria e Palha não sei bem como saiu da sorte e cravou o ferro… Ferro incrível! as bancadas iam vindo abaixo, repete a façanha e novamente um ferro magnifico… Olé! Duas voltas à arena.

À córnea ou à barbela bateram as palmas em solitário aos seis imponentes toiros desta tarde os Amadores de Alcochete e foram sem dúvida os triunfadores da tarde! Cinco pegas à primeira tentativa e somente a do sexto da ordem à segunda. Novamente mais uma tarde histórica para o Forcado Amador!

Abriu praça Diogo Timóteo numa grande pega, com o toiro a bater e o grupo a ajudar de forma coesa e a tempo. António Cardoso brindou a sua sorte a Joaquim Quintella, irmão do saudoso Fernando. O António esteve enorme na cara do Vinhas, em tarde de fortes emoções para ele. João Machacaz fez a sua despedida de Alcochete, com uma pega monumental… Aguentou derrotes e mais derrotes, com o toiro em tábuas a tentar fugir ao grupo mas com braços de ferros ficou na cara do toiro…Momento alto da tarde, duas voltas à arena. Para a cara do Silva foi o cabo Nuno Santana e que dizer desta pega, tudo perfeito… Até pareceu fácil pegar um toiro daquela envergadura. Para a cara do quinto saltou Manuel Pinto e que dizer deste forcado?! Cresce tarde a tarde na arte de bem pegar toiros! Cita com calma, com uma graça toureira incrível, trás o toiro embebido e quando acha oportuno fecha-se à barbela com raça, praça de pé e duas voltas à arena. Fechou a tarde João Belmonte à segunda, na primeira tentativa o toiro fez um estranho no momento da reunião. Mas à segunda o João fez um pegão duro com um toiro a pedir contas e com uma grande ajuda de João Rei que também deu volta à arena.

Estavam em disputa os prémio de apresentação “António José Cardoso” e o de Bravura “Estêvão Augusto de Oliveira” ganhos respectivamente pelo toiro lidado em terceiro lugar marcado com o Nº 539 de Canas Vigourox e pelo toiro lidado em segundo lugar da ganadaria Vinhas marcado com o Nº 82.

Eram júris do concurso os senhores Simão Comenda, António José Pinto e António Barata Gomes.

Dirigiu a corrida Ricardo Dias assessorado pelo médico Veterinário Jorge Moreira da Silva.

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