Prudêncios aquecem noite na Chamusca

Prudêncios aquecem noite na Chamusca

  • 25 de junho de 2022, Chamusca
  • 400 Anos da Misericórdia da Chamusca e Centésimo Aniversário do nascimento da Poetisa Maria Manuel Cid
  • Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Duarte Pinto, Salgueiro da Costa, Joaquim Brito Paes e António Ribeiro Telles filho
  • Forcados: Lisboa, Chamusca e Aposento da Chamusca
  • Ganadaria: Prudêncio
  • Direção de Marco Gomes assessorado por José Luís Cruz
  • Praça a 1/2 da lotação

 

O coração do Ribatejo, mais concretamente a Vila da Chamusca, vestiu-se de gala, para comemorar os 400 anos da Misericórdia local e simultaneamente, homenagear um dos expoentes máximo da cultura Chamusquense, a Poetisa Maria Manuel Cid.

A função teve início com um minuto de silêncio, em memória de Evaristo Cutileiro, forcado fundador dos Amadores de Évora, recentemente desaparecido e de Maria Manuel Cid, seguindo-se uma breve cerimónia em que as autoridades municipais e a empresa, entregaram lembranças, aos representantes da Santa Casa da Misericórdia da Chamusca e aos descendentes dessa grande Poetisa, Maria Manuel Cid.

 

O curro de toiros enviado pelo ganadeiro, João Santos Andrade, estava excelentemente apresentado e deram bom jogo, com destaque para o lidado em terceiro lugar, um bom toiro e o que encerrou o espetáculo, tendo o ganadeiro sido, por duas vezes chamado à praça, por ordem da direção da corrida.

Em noite de muitos eventos populares, por esse ribatejo fora, e baixa temperatura atmosférica, a lotação da Monumental Chamusquense, registou uma entrada a rondar a meia casa o que convenhamos foi pouco público para uma finalidade que exigia muito mais.

 

A primeira lide esteve a cargo do Maestro António Ribeiro Telles, que perante um encastado produto das terras de Palhavã, deu uma extraordinária lição de como se toureia. Mostrou o toiro em todos os terrenos, cravou ferros em cingidas reuniões e corrida a corrida, toiro a toiro, temos de volta o Maestro da Torrinha, recuperando a forma e o lugar que detinha antes da lesão sofrida na transata temporada, o conjunto de guitarras, abrilhantou a função de uma forma original e bela, na simbiose de ligação Fado e Toiros.

 

Para o segundo da ordem, veio Rui Salvador, o cavaleiro arquiteto, que construiu uma faena em crescendo, com mais altos de que baixos, frente ao toiro mais pesado da corrida, seiscentos e vinte quilos de carne, uma autêntica “cama de casal”, mas com a mobilidade bastante para permitir ao cavaleiro da Quinta do Falcão, uma lide emotiva, ao estilo próprio de Rui, recheada de emoção nos tais ferros de secar a respiração.

 

A Duarte Pinto, coube dar lide ao terceiro da ordem, o tal “bom toiro”, a que o cavaleiro de Paço D’ Arcos, não desperdiçou e ferros a ferro, foi edificando uma lide alegre e variada, ao som dos acordes das guitarras de serviço e bem do agrado do publico.

 

Chegados ao equador do espetáculo, fizeram se ouvir as guitarras e as vozes dos fadistas de turno, que interpretaram vários fados, com poemas da homenageada, a Poetisa Maria Manuel Cid.

 

Coube a João Salgueiro da Costa, abrir a segunda parte do festejo, frente a um exemplar que sem ser de bandeira, cumpriu, mas que o cavaleiro de Valada, nem sempre o entendeu, comprometendo por vezes o bom desempenho das sortes, tendo a lide vindo a menos na parte final, mas mesmo assim com nota positiva, pelo esforço e pundonor.

 

Ao praticante Joaquim Brito Paes, em vésperas de doutoramento, já que está anunciada alternativa, para o próximo dia 21 de Julho na Monumental Lisboeta, coube dar lide ao quinto. Bem montado, com a cavalaria a dar notas de um arranjo cuidado, soube entender o adversário e desenvolver uma lide ajustada às características, sendo que por vezes a escolha da montada poderia comprometer a sorte no momento do ferro, terminou com duas sortes cambiadas com batidas ao piton contrária, sendo a ultima de boa execução.

 

Por fim e para encerrar o festejo, que já levava duas horas e meia, veio António Ribeiro Telles, filho, que teve que tocar todas as teclas de um Prudêncio com mobilidade e que não deu tréguas ao mais jovem da Torrinha. António esteve sempre atento às indicações do seu progenitor, que foram fundamentais, para levar o barco a bom porto. Conseguiu uma boa atuação, frente a um adversário que exigia bastante do binómio cavalo e cavaleiro.

 

A noite de competição entre a jaquetas grená dos Amadores de Lisboa e as ramagens dos Amadores da Chamusca e do Aposento da Chamusca, foi dura, exigindo dos forcados da cara e das ajudas, técnica e poder, para levar de vencida as contendas.

Pelos Amadores de Lisboa, o cabo Pedro Maria Gomes, escalou para a pega do primeiro toiro, Vitor Epifânio, um forcado seguro, mas que na noite da Chamusca, não era a sua noite, revelando algumas dificuldades em entender o toiro em especial no momento da reunião, recuou quanto baste, mas no momento da reunião, não se a copulava à cara do toiro, erro que este não perdoou e foram necessária três tentativas e já com as ajudas em curto, para dominar o Prudêncio. Para a sua segunda intervenção, os Amadores da Capital, enviaram Daniel Batalha, que saiu lesionado após três tentativas, tendo sido substituído por João Varanda que ao seu segundo intento, quinto do grupo, logrou consumar uma rija pega, mas sem o brilho desejado.

 

Os Amadores da Chamusca, comandados por Nuno Marecos, destacou para a pega do tal “cama de casal”, o forcado Francisco Rocha, que ao segundo intento, efetuou, uma rija pega de caras,  com o toiro a pedir meças, no seio das ajudas. Para a segunda pega, coube a sorte a Bernardo Borges, que necessitou de três tentativas, para levar de vencida as arrancadas do Prudêncio, que saia para “comer”, tudo o que tinha pela frente e era preciso sacar-se aquela mangada, uma pega dura mas emotiva.

 

Os Amadores do Aposento da Chamusca, também a jogar em casa, tiveram uma noite redonda, com duas pegas ao primeiro intento, através de Francisco Montoya e João Saraiva, destacando este último pela forma como citou, recuou e se fechou, com braços de ferro, na cara do Prudêncio.

 

A direção da corrida esteve a cargo do delegado, Marco Gomes assessorado pelo médico veterinário José Luís Cruz e pelo cornetim José Henriques.

Abrilhantou o espetáculo a Banda de Música da Sociedade Filarmónica da Carregueira e os Guitarristas João Vaz e João Chora.

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