Ventania não abana Oliveira madura

A tauromaquia desde sempre foi grata, ou pelo menos devia ser, a quem por ela lutou, se empenhou em fazê-la melhor, em quem a defendeu com unhas e dentes.

Dito isto, e dado que terminou neste sábado as eliminatórias do Ciclo de Novilhadas em Azambuja, mérito da empresa Ovação e Palmas que junto à Câmara Municipal e à Associação Poisada do Campino o promoveram, e em boa hora o fizeram, dando praça a quem tenta a sua sorte neste tão difícil mundo.

Diogo Oliveira abriu a novilhada, prestando provas de praticante e perante um novilho de bom tipo de Veiga Teixeira, baixel e que arreava forte depois da jurisdição. O cavaleiro de Bucelas mostrou estar preparado para novos desafios, noções de lide e de público muito importantes para quem começa, vontade de fazer bem e tourear com serenidade. Dispensou os bandarilheiros em quase toda a lide, foram cinco curtos em sortes frontais, e já nos compridos nos tinha deixado bom sabor na boca fazendo os aficionados presentes na Dr. Ortigão Costa levantarem-se dos assentos por diversas vezes.

À estreante Mariana Avó dos currais saiu um novilho do Dr. António Raul Brito Paes, pequenote e justo de forças que proporcionou à pupila de Paulo Jorge Santos uma lide agradável. Se nos compridos apenas deixou a ferragem, já nos curtos agigantou-se e acoplando-se à investida suave do que lhe calhou, Mariana colocou três bons ferros, mas o terceiro, sem desprimor dos demais, de levantar o mais sético aficionado.

Pelos Amadores de Azambuja foram caras João Marcamaque à primeira, com alguma dificuldade por partes dos ajudas e Daniel Leiria também à primeira.

Na segunda parte da novilhada, Arte de Montes, os novilheiros Sérgio Nunes recém-chegado do México onde encetou contactos para regressar dentro em breve e Duarte Silva da Escola de Toureio José Falcão de Vila Franca de Xira.

Para o novilheiro Sérgio Nunes saiu dos chiqueros um novilho do Eng. Jorge de Carvalho que ficou preso aos tornozelos do novilheiro desde cedo, sem recorrido. Nunes mostrou-se variado no capote, replicando um quite de Duarte Silva por gaoneras e rematando com revolera. De muleta e perante a ventania que se fazia sentir, não conseguiu tourear ligado e com o novilho a ficar cada vez mais curto, prejudicou em demasia o labor do de Sintra. A melhor serie que se viu foi quando passou a muleta para a mão esquerda e consegui levar a investida do Jorge de Carvalho por baixo e despacio. No final da lide e sem eu entender o motivo, a representante da ganadaria, juntamente com o novilheiro, foi chamada à praça para receber meia-dúzia de aplausos vindos da bancada.

O também novilheiro Duarte Silva, calhou-lhe um bonito colorao de Varela Crujo, com fijeza e motor. O discípulo de António João Ferreira, mostrou ganas ao se ajoelhar na porta dos sustos com uma larga afarolada. De seguida bandarilhou com valor, o novilho apertou-o em todos os pares e nem assim ele se fez rogado, cravando dois a quarteio e um a quiebro junto às tábuas. Na faena de muleta e perante o carbon do hastado de Crujo, Duarte fez-lhe uma faena plena de técnica e bom gosto, deixando um bom ambiente na praça principalmente pelo piton direito, em que os muletazos tiveram traço toureiro.

No final o júri premiou Diogo Oliveira e Duarte Silva como justos vencedores da eliminatória. Mariana Avó após acordo entre a empresa e o ganadero Pedro Canas Vigouroux, passou também para a final.

Ultimos Artigos

Artigos relacionados