A Moita tem um Toureiro, Filipe Martinho 

Se observarmos atentamente os cartazes que vão sendo divulgados tanto em Espanha, Portugal e França, constataremos que os nomes dos espadas que os compõem são repetidos com muita frequência nas últimas temporadas. Matadores com muitos anos de alternativa, toureiros que, por uma razão ou outra, mantêm um lugar privilegiado num escalafón cada vez mais imperfeito que perdeu frescura de forma vertiginosa.
Os novos nomes que vão chegando, capazes de empolgar os aficionados, só o fazem depois de vários anos de alternativa. Isso faz com que o amadurecimento do toureiro seja cada vez mais lento, levando muitos, por falta de contratos, a abandonar o sonho, ou engrossando as fileiras dos toureiros de prata ou dedicando-se a outras coisas distantes do mundo do toiro.
Os festejos menores, principalmente as novilhadas, foram desaparecendo, não só dos grandes ciclos, mas também das praças onde sempre foram comuns. O pretexto sempre foi o seu alto custo, semelhante ao de uma corrida, então, aos poucos, o caminho natural para a renovação dos espadas tem ido desaparecendo.
Por tudo isso, é preciso louvar o detalhe da empresa da Daniel Nascimento, com a inclusão novamente desta novilhada na Feira de Maio na Moita e já agora do ciclo de novilhadas da Azambuja.
Foram lidados hoje 22 de Maio do ano 21 quartos novilhos das ganadarias: Palha, bonito, encastado, ficava cruto na muleta e de investidas rebrincadas; Eng. Jorge de Carvalho mais alto, nobre, com som na muleta por ambos os lados, bom novilho. A ganadera Raquel Carvalho foi chamada à arena após a lide do pupilo da casa; Calejo Pires, bonito e reunido, humilhou mas ficava curto e rebrincava as investidas; Fechou a manhã um bonito cardeno claro de Falé Filipe, nobre, com invedtidas largas e com qualidade por ambos os lados. Bom novilho. O ganadero também foi chamado à arena.
Eric Oliveira calhou com o pior lote. No primeiro o recibo à Veronica teve garbo e gosto, rematada com uma bonita meia. No quite Filipe Martinho toureou por chiquelinas. Da faena de muleta uma tanda pela direita foi o melhor da faena.
No quarto novamente recebeu por Veronica bonitas e com corte de toureiro caro. Respondeu Martinho também por Veronicas. Na muleta o início foi de joelhos em redondo, rematado por um bonito passe de trincheira. A faena foi larga, houve passes de bom traço mas acabou por não explodir devido ao novilho ter vindo a menos.
Filipe Martinho bonito no recebimento de capote. Nas bandarilhas andou brilhante, rematou o tercio com par ao violino. Na muleta faena redonda, com tandas pela direita e ao natural de bom traço, rematadas com passes de peito de piton a rabo. Finalizou a faena por manoletinas. Boa faena.
No sexto a obra de Filipe Martinho teve altos quilates. Recebeu o bonito novilho com faróis e largas afaroladas de joelhos em terra. Voltou a andar brilhante com a bandarilhas. Na muleta a faena foi de menos a mais. Embarcou as bravas investidas do oponente em tandas largas, com bom traço por ambos pitons. Ao natural olés brotaram com força das bandadas e ainda tenho em mente um passe de peito só ao alcance dos eleitos. Rematou a faena com manoletinas de joelhos. A Moita têm um toureiro de nome Filipe Martinho!
Dirigiu a corrida Ruben Cardoso e foi veterinário Jorge Moreira da Silva.

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