Um Génio, Morante!

Um Génio, Morante! 
  • 5 de outubro de 2022, Vila Franca de Xira
  • 3ª da Feira de Outubro
  • Cavaleiro: João Ribeiro Telles
  • Matadores: Morante de La Puebla e João Silva “Juanito”
  • Ganadaria: Manuel Veiga
  • Direção de João Cantinho assessorado por Jorge Moreira da Silva
  • Praça Cheia!
A 5 de Outubro D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão, assinaram o tratado de Zamora em 1143 e aí se deu início à dinastia afonsina e Portugal. Desde então muitos foram os Reis de Castela e Portugal que se visitaram e usufruíram das belezas de ambos os países irmãos. Este ano Vila Franca teve a visita do Rei dos toureiros, José António Camacho, Morante de la Puebla. O génio fazia parte do cartel com que se encerrava a Feira de Outubro. A cavalo João Ribeiro Telles e João Silva, Juanito também a pé. Forcados Amadores de Vila Franca. Na lide de seis toiros de Manuel Veiga. Cartel de relumbrón!
Outro entradão nos tendidos da Palha Blanco, foi bonito ver esta praça a transbordar de gente com os olhos à espera de novas emoções e toureio caro.Tarde de expectação forte, tarde como dizem nuestros hermanos, tarde de clavel. Quanto ao artístico, tarde de muitos detalhes, principalmente por parte de Morante, a lide do seu primeiro toiro foi arrebatadora.
Da Herdade de Talasnas, vieram seis toiros com o ferro de Manuel Veiga. Bonitos de tipo, baixos e variados de capa, desde o carbonero primeiro, ao bonito castanho que fez terceiro ou à estampa de pelo burraco que saiu em quarto lugar. Quanto ao comportamento cumpriu primeiro; Teve boa condição o nobre segundo mas veio a menos; Vibrante pelo piton direito o terceiro na sua condição de rachado, pela esquerda não teve a mesma condição; O quarto foi um toiro sério, pediu que lhe fossem pisados os terrenos, encastado; O quinto teve poucas condições de lide, ficando curto por ambos os lados; O que fechou praça teve bons inícios mas a péssima lide até à faena de muleta poderão ter condicionado de alguma forma o seu comportamento.
João Ribeiro Telles lidou o primeiro e o quarto com duas lides correctas, cheias de detalhes toureiros. Cravou em ambos os compridos de forma solvente, abrindo os caminhos aos oponentes. Nos curtos no que abriu praça cravou os ferros em su sitio, lidou com brio, escolheu bem os terrenos para deixar o oponente para depois cravar bons ferros. O público ainda pouco metido na corrida aplaudiu de forma suave o visto.
No quarto a história foi outra, nos curtos o João mostrou a raça e garra que leva dentro. Lide a acabar em plano de triunfo com a Palha Blanco a reagir de forma entusiasta ao visto. Novamente andou bem a lidar, rematando as sortes de bonitas maneiras. Cravou grandes curtos, executados de forma perfeita. Fechou a lide com um ferro que levantou as bancadas, de praça a praça, citou, atacou o Veiga, bateu ao piton contrário e de forma ajustada cravou um grande curto, montando o seu cavalo Ilusionista.
Pegaram esta tarde novamente os forcados amadores de Vila Franca. Abriu a tarde Luís Valença fez uma pega ao primeiro intento soberba. Alma, raça, e querer foi o que se viu neste forcado, com um toiro a fugir ao grupo mas o Luís nunca se deu por vencido. Saiu com um tornozelo partido mas uma Palha Blanco de pé rendida à sua pega.
Para o quarto da tarde saltou Rafael Plácido que também à primeira tentativa e com o grupo a ajudar de forma coesa pegaram o último toiro da Feira.
Morante de la Puebla era o chamariz maior deste cartel e no seu primeiro toiro, foi a beleza do toureio! De capote o de la Puebla, colocou a cintura e passou o toiro à sua frente num manojo de soberanas verónicas, com um belo embroque, lento e ritmado, transbordando beleza. Como engancha e leva templado e suave os toiros, como compõem a figura, como crava o queixo no peito e como toureia à verónica!!! Olé! Rematando com uma meia de cartaz!
A faena de muleta foi “Canela em Rama”.O início de faena muito de Gallito, ajudados por alto e depois com ajudados por baixo foram um verdadeiro deleite para quem viu, rematando a série com um de peito superior, um afarolado pelas costas e novo passe de peito. Genial! Um par de séries em redondo de largo traço, harmónicos, de fundo calado, salpimentados e inspirados em cada momento da sua lide com a mão direita, em terrenos de dentro. O vento teimava em fazer das suas e não quis perder a tarde de Vila Franca. Mais um par delas por naturais, tão majestosas e lentas que colocaram parte do público de pé. Um público que, enfim, conseguiu se desprender “olés” que trouxeram de casa, depois de alguns silêncios –sevilhanos! Morante é pura inspiração. E a inspiração é a filha legítima da genialidade, Morante é isso: um génio.
No quinto pouco há que contar… Os toiros complicados e rachados não entendem a arte e recuam diante da beleza do toureio. Isso faz com que se defendam ou talvez até os ofenda… Saberá Deus! Morante mostrou as características do oponente por ambos os lados e realizou uma faena breve e sem história.
João Silva “Juanito”, canta por outro palo, é teimoso, perseguidor do triunfo a todo custo. Um toureiro em pleno tempo de triunfos, avassalador indomável com sua ânsia de não se deixar vencer, saia como o toiro saia. Uma vezes resulta outras vezes… não, como no último da corrida, tinha o pássaro na mão e deixou-o fugir desnecessariamente.
Recebeu o bonito castanho por verónicas de bom traço. Na muleta é preciso valorizar os passes de conteúdo largo e vibrantes, de evidente proximidade que João deu ao de Veiga, principalmente as primeiras tandas em redondo pelo piton direito. Rematando os mesmos com passes de peito de píton a rabo. Pela esquerda o toiro ficava curto e caçava moscas… pouco havia fazer por este piton. Boa faena, com o público entregue ao seu toureio.
No sexto Juanito meteu a Palha Blanco de pé com o capote, no tércio, receitou uma série de largas e faroles exuberantes. No quite por zapopinas ou lopecinas levaram a praça ao delírio. Quis o João cravar bandarilhas e a sorte não o acompanhou… Quarto pares pouco ortodoxos, uma colhida pelo meio, zangaram o público. Na muleta o João já meio combalido e diminuído fisicamente, tentou meter o Veiga na faena mas este ainda tomava o primeiro muletazo por ambos os lados mas nos seguintes, soltava a cara e ficava curto. Talvez se não tivesse havido tercio de bandarilhas… o toiro poderia ter dado mais de si e a faena tivesse alcançado outras dimensões.
Dirigiu a corrida João Cantinho, sendo o médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Artigos Similares

Destaques