Um Concurso bem apresentado, mas com pouca transmissão

Crónica

02.08.2019

Arena de Paio Pires

Corrida de Toiros Concurso de Ganadarias

Cavaleiros:

  • Duarte Pinto
  • Francisco Palha
  • Miguel Moura
  • Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e Ramo Grande capitaneados, respetivamente, por Pedro Maria Gomes e Manuel Pires

Ganadaria a Concurso:

  • Sommer D’Andrade; Vinhas; Fernandes de Castro; Passanha; Souza D’Andrade e Canas Vigouroux

A novel Arena de Paio Pires, por ocasião das suas festas maiores, apresentou ao seu público , um cartel aficionado, centrado no toiro e num elenco de novos valores da cavalaria nacional, por forma a ir ao encontro de todos os gostos.

Assim, apresentaram-se a concurso, por ordem de saída, para disputar um prémio de bravura e outro de apresentação os seguintes ferros: Fernandes de Castro, Sommer D’Andrade, Souza D’Andrade, Canas de Vigouroux, Passanha e Vinhas. E se no que toca a apresentação, o júri composto pelos senhores médicos veterinários, António Vasco Lucas, Frederico Cunha e José Macedo Tomás, tiveram que esgrimir os seus argumentos, porque toda a corrida estava irrepreensivelmente bonita, já no que toca aos comportamentos, todos os exemplares se deixaram lidar, embora uns mais fáceis do que outros, com pouca transmissão, indo o veredicto final, para o saído em primeiro lugar, pertencente à casa Fernandes de Castro e o prémio de apresentação, para o lidado em quarto lugar, que ostentava o ferro de Canas de Vigouroux.

No que toca à terna de ginetes em praça e que disputavam também um prémio para a melhor lide a cavalo, Duarte Pinto, teve por diante, os exemplares de Fernandes de Castro e Canas de Vigouroux, os toiros ganhadores e dentro do seu estilo clássico, realizou duas lides muito idênticas, sendo a primeira mais intensa, indo de menos a mais, facto reconhecido pelo publico que não lhe regateou aplausos e pela direcção da corrida que mandou tocar a musica em ambas as ocasiões, já na sua segunda participação, andou um pouco aliviado nas sortes, mesmo assim, conseguiu na ferragem curta, cativar as bancadas, pelo que no final foi premiado com volta à arena, em ambos os toiros, sendo que no quarto da ordem foi sozinho, porque o forcado de turno, pertencente aos Amadores do Ramo Grande, recolheu à enfermaria, após concretizar a pega.

Francisco Palha, elegeu a temporada de 2019, para se juntar ao patamar da primeiras figuras, pelo que em todas as tardes e noites, procura tirar dos adversários, tudo o que têm de melhor, por forma a ser reconhecido pelo público, como o artista que em todas as participações “põe a carne no assador”, só que o homem põe, Deus dispõe e o toiro descompõe, e Francisco a quem coube dar lide aos exemplares de Sommer D’Andrade e Passanha, porfiou bastante para conseguir um êxito redondo, mas as coisas, não lhe iam saindo do seu agrado e se no primeiro um Sommer desinteressado, ao qual cravou a ferragem da ordem e saiu, no segundo um Passanha, voluntarioso, que prometeu muito na saída, mas que veio a menos para o final, não permitiu a Francisco, esgrimir todos os seus argumentos toureiros, para almejar o tal triunfo que buscam as figuras. No final de ambas as lides, foi premiado com volta à arena, que declinou, por respeito para com o conclave.

O Jovem Miguel Moura, tem vindo em crescendo, seguindo a pisadas de seu mestre e progenitor, em todas as actuações procura fazer as coisas bem feitas, colocando em cada ferro uma marca especial e uma alegria, que chega com facilidade às bancadas. Em Paio Pires, não foi excepção, conseguindo duas lides muito redondas, frente a exemplares de Souza D’Andrade e Vinhas, este o toiro mais pesado da noite com 600 quilos de peso, um “pedaço” de toiro, que permitiu ao Miguel colocar a ferragem da ordem com classe e ligação necessária, embora no remate da lide ao deixar um ferro de palmo, o cavalo escorregou e por muita sorte, se conseguiu equilibrar e sair daqueles terrenos sem comprometer uma brilhante actuação, que lhe valeu o prémio para a melhor lide a cavalo.

Para disputar o troféu para a melhor pega, estiveram em Praça, o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, comandados por Pedro Maria Gomes, em ano de Comemoração dos 75 Anos de Actividade e o grupo Açoriano, dos Amadores do Ramo Grande, capitaneados por Manuel Pires.

Aos da capital a noite era de compromisso, pelo que o cabo, procurou soluções que lhe dariam maiores garantias de sucesso e para abrir praça, escolheu Vitor Epifâneo, que não esteve na sua noite e só à terceira vez conseguiu consumar a sorte, com ajudas carregadas, para a segunda intervenção, foi indigitado o Duarte Mira, que na primeira tentativa teve quase a sorte consumada, mas que a falta de decisão nas terceiras ajudas, permitiu um violento derrote que mandou fora o forcado da cara, pelo que só ao terceiro intento, conseguiu consumar a pega. Para fechar a participação dos Amadores de Lisboa, coube ao jovem Bernardo Reboredo, enfrentar o Passanha, que era rijo na reunião e que obrigou o Bernardo a efectuar três tentativas, para consumar a sorte com uma boa ajuda (carregada) do João Abreu. A direcção da corrida autorizou a volta aos três forcados, mas apenas Vitor e Duarte, a deram, sendo que Bernardo por respeito ao cavaleiro de turno, Francisco Palha, que se quedou em tábuas, também não saltou à arena.

Pelo Grupo Insular, do Ramo Grande, foram solistas José Sousa, à terceira tentativa, com as ajudas a facilitar um pouco, César Pires ao segundo intento, numa rija participação, o que obrigou o forcado a recolher à enfermaria, após a pega e fechou com chave de ouro o cabo Manuel Pires, com uma brilhante pega ao primeiro intento, em que o toiro investiu com velocidade, levando tudo pela frente até às tábuas, que partiram, entrando o forcado pela trincheira, não fosse a prontidão do pessoal que permitiu o reagrupamento das ajudas e a concretização da sorte.

O prémio para a melhor pega, sem quaisquer dúvidas, foi para Manuel Pires dos Amadores do Ramo Grande.

A organização do festejo está de parabéns, pela forma como montou a corrida, que teve uma moldura humana, que preencheu cerca de três quartos, fortes da lotação, com a particularidade dos lugares de “peão”, que permitem desfrutar dos bares, sem incomodar quem está sentado. Dirigiu sem problemas o delegado senhor Ricardo Dias, assessorado pelo médico veterinário Carlos Santos.

Arena de Paio Pires, 02 de Agosto 2019

João Galamba

Imagem – referente ao ano 2018 em Paio Pires

 

 

 

 

 

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