Triunfaram Bastinhas e Moura; Venceram Romão Tenório e Lopes Branco

A praça de toiros de Arronches encheu até ao pau das bandeiras ontem sexta-feira dia 21 de Junho. Foi uma noite grande de toiros!

Noite grande para os Forcados Amadores de Arronches em noite festiva de celebração dos seus 20 anos de grupo. Os toiros não foram fáceis. Pelo contrário. Fácil, sim, foi a garra e foi a raça com que todo o grupo lhes fez frente. Noite de muito valor para os forcados da cara, mas de muito valor também para todos os elementos do grupo com que formaram em cada pega um só todo, ajudando e permitindo a concretização das sortes.

Nesta corrida foi realizado o quinto concurso de ganadarias de Arronches e saíram a concurso seis toiros de divisas alentejanas.

Abriu praça um bonito “colorado” da ganadaria Mata o Demo, teve classe e som nas investidas, vindo a mais com o decorrer da lide.

O segundo tinha o ferro de Sommer de Andrade, toiro alto e comprido, teve mobilidade, pediu contas e não foi nada fácil estar diante dele.

O terceiro foi um berrendo em negro de São Martinho, manso e sem classe.

O quarto foi um bonito entrepelado de Dias Coutinho, toiro frio de saída, vindo a crescer ao castigo mas no momento do ferro esperava e derrotava por alto.

O quinto foi um super classe de Romão Tenório, toiro pronto, com recorrido, acometendo sempre que solicitado com alegria aos cavalos e metendo bem a cara tanto nos capotes como no momento da reunião da pega. Bravo!

Fechou a noite uma estampa de Lopes Branco, toiro encastado, com recorrido a vir a mais com o decorrer da lide, não foi tão claro como o anterior nos capotes, sendo também um toiro bravo.

Ana Batista, no primeiro do seu lote, esteve em bom nível, evidenciando as qualidade de grande lidadora, pondo a carne no assador, arriscando, pisando terrenos de compromisso, numa lide que resultou em cheio.

O seu segundo toiro era mais reservado e a lide não teve o brilhantismo desejado, por falta de matéria prima. O toiro esperava, arreava no momento da reunião e a lide foi uma luta constante, de querer e sem nunca se dar por vencida.

Marcos Bastinhas, no seu primeiro teve uma lide, com muita “bulha” e acelerada, talvez pelas características do toiro, que se adiantava no momento do ferro e cortava caminho, levou um violento toque na montada no remate de um violino na porta dos curros felizmente sem consequências mas chegando com muita força ao público presente que não lhe regateou aplausos.

No quinto da corrida foi, talvez, a melhor actuação que vi a Marcos Bastinhas nos últimos anos. Pelo sentimento, pela arte, pelo temple que impôs em todos os momentos, sem uma falha, sem nada a apontar, apenas e só, com uma desenvoltura apoteótica e inigualável. Lide empolgante, a galvanizar o público, que se levantava, eufórico, braços no ar, de ferro em ferro. Não adianta referir este ou aquele, foram todos ferros de uma tremenda emoção, de uma verdade intensa. Actuação memorável e o público a pedir mais e mais ferros. Rematou a lide com um grande par de bandarilhas.

Miguel Moura enfrentou em primeiro lugar um toiro demasiado manso, sem som, que não transmitiu nada e lhe permitiu luzir-se sobretudo com a arte da sua brega. Faltou toiro e faltou emoção, mas a verdade é que sobrou arte e classe e o público esteve com o mais novo dos Mouras.

Esteve enorme na lide do seu segundo toiro, dando toda a prioridade ao oponente na cravagem dos compridos, o primeiro uma sorte gaiola, a aguentar barbaridades de praça a praça. Brilhante nos curtos, fantástico a bregar com arte, a citar e a cravar com verdade e de frente.

Em solitário pegou o grupo de Arronches e foram caras:

Abriu praça, Filipe Redondo, à terceira tentativa, na primeira sofreu um violento derrote que o tirou da cara do toiro caindo de má maneira na arena, felizmente sem consequências.

Paulo Florentino, saiu maltratado da cara do segundo da noite na primeira tentativa, sendo dobrado pelo cabo Manuel Cardoso que a sesgo resolveu à quarta tentativa.

Rafael Pimenta, bonito no cite, bem a entrar nos terrenos do toiro, bem à primeira tentativa.

Luís Marques, tecnicamente perfeito e com o grupo a ajudar bem, realizou a quarta pega da noite.

Fábio Mileu executou com o brilhantismo que lhe é peculiar a pega ao quinto toiro da corrida. Esteve valente e cheio de técnica, consumando à primeira, com o grupo a ajudar em pleno.

João Rosa fechou a noite, o forcado esteve grande a mandar na investida, a recuar e a fechar-se com ganas de não mais sair. E não saiu. O primeiro ajuda, não mais o largou e ajudou de forma decisiva à concretização da pega.

Foram justos vencedores do Concurso de Ganadarias:

Francisco Romão Tenório prémio de Bravura e Lopes Branco prémio de apresentação.

Dirigiu a corrida correctamente o director Marco Gomes, assessorado pelo médico veterinário José Guerra.

 

Imagem meramente ilustrativa, não pertence ao espectáculo em questão

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