Tarde quente e triunfos de Salgueiro e Rouxinol

Tarde quente na bonita localidade alentejana de Amieira, fazendo recordar uma tarde de verão, para receber aquela que foi a última corrida nesta castiça praça de toiros na presente temporada. O tauródromo registou meia lotação.

Em praça estiveram três cavaleiros de três diferentes estilos de toureio: Ana Batista, João Salgueiro da Costa e Luís Rouxinol Jr. Pegaram, em concurso de pegas, os Grupos de Forcados Amadores de São Manços, da Póvoa de São Miguel e de Monsaraz, que disputaram um concurso de pegas.

Lidou-se um curro de toiros da afamada Ganadaria Fernandes de Castro.

Os toiros da Ganadaria Fernandes de Castro, todos marcados com o algarismo 8, saíram bem-apresentados dentro das exigências da praça. Quanto ao comportamento, não encheram as medidas. O primeiro, tinha fundo de bravo, mas viu as suas claras intenções prejudicadas pela falta de faculdades físicas, acabando por não emprestar emoção à lide. O segundo, nobre, a cumprir, com mobilidade, acabou por transmitir. O terceiro foi complicado de lidar, sendo mais reservado. O que abriu a segunda parte do festejo andava melhor por trás que pela frente, faltando toiro no momento do ferro. Diz o ditado que “no hay quinto malo” mas esta tarde não foi tanto assim. O quinto, não sendo uma rolha, em pouco contribuiu para a atuação, deixando-se apenas lidar. O que fechou a corrida diferiu em tudo dos seus irmãos de camada. Cárdeno de pelagem, transmitiu, perseguindo o cavalo com alegria; pecou talvez por ser andarilho e custar a fixar-se. Na generalidade, faltou emoção ao curro.

Ana Batista abriu praça. Faltou, talvez, inspiração à cavaleira de Salvaterra de Magos. No seu primeiro, andou um pouco irregular. Ferros pouco cingidos tiraram algum brilho a uma atuação em que a brega se revelou positiva. Nota ainda para o último curto, superior aos restantes. No seu segundo, faltou o entendimento dos terrenos do toiro, o que resultou na ferragem pouco cingida e num forte toque na montada quando entrou em terrenos de maior compromisso na cravagem do que viria a ser o último curto da sua passagem pela arena da Amieira.

João Salgueiro da Costa vinha de grandes triunfos em praças de enorme importância, nomeadamente Campo Pequeno e Vila Franca de Xira. No seu primeiro, aproveitou da melhor forma o toiro que lhe calhou em sorte. Bons ferros e excelentes remates compuseram uma boa atuação do cavaleiro de Valada do Ribatejo. Diante do quinto, esteve claramente superior ao seu oponente. Lide de muitos quilates a vir a mais com a última troca de montada. Entendeu os terrenos do toiro, encurtou distâncias e conseguiu, nesta fase, os melhores ferros da sua atuação, com o público a levantar-se dos assentos. O ferro de palmo com que terminou a sua prestação foi de nota elevadíssima.

Completava a terna o mais jovem em cartel, Luís Rouxinol Jr. Na sua primeira lide, recebeu bem o oponente, para nos curtos compor uma faena a ir a mais, tendo o seu ponto alto nos últimos três ferros, montando o Amoroso, o primeiro dos quais a entrar pelo toiro dentro, com bastante mérito. Terminou a atuação com um violino e um ferro de palmo que chegaram facilmente às bancadas. No toiro que encerrou a corrida, e depois de brindar à sua equipa, Luís Rouxinol Jr. foi à porta dos curros receber aquele que foi o último toiro da sua temporada 2021. Aguentou bem a investida emotiva do toiro, para cravar bons compridos, destacando-se positivamente o segundo. Nos curtos, montando o Girassol, realizou uma lide de muitíssimo valor, a pisar os terrenos de um toiro que era incómodo ao não se fixar. Lide triunfal de Luís Rouxinol Jr. a fechar com Chave d’Ouro aquela que foi a sua 4ª temporada completa como cavaleiro de alternativa.

No capítulo das pegas, estiveram em competição três grupos de forcados alentejanos: Amadores de São Manços, capitaneados por João Fortunato, Amadores da Póvoa de São Miguel, capitaneados por André Batista e Amadores de Monsaraz, capitaneados por Ricardo Cardoso.

Pelos Amadores de São Manços, abriu praça Martim Moreno, que realizou uma boa pega ao primeiro intento, com boa primeira ajuda de Luís Teles. Para a cara do quarto foi Manuel Trindade, que pegou o toiro que mais dificuldades criou aos forcados. Nas duas tentativas iniciais, não conseguiu suportar os violentíssimos derrotes do toiro. Nas três tentativas seguintes o toiro não permitiu que o forcado se fechasse. Consumaram à sexta com o toiro a derrotar forte.

Pelos Amadores da Póvoa de São Miguel, António Banha consumou à segunda tentativa, com o toiro a fugir ao grupo, após uma primeira tentativa em que o forcado não se conseguiu fechar. No quinto da corrida, foi para a cara do toiro o forcado Fábio Caeiro. Não recebeu da melhor maneira na primeira tentativa, acabando por não se conseguir fechar. Na segunda também não se conseguiu fechar, saindo lesionado. Foi dobrado por Albino Martins que na sua primeira tentativa fechou-se bem, não aguentando a viagem. O toiro foi pegado a sesgo à quarta tentativa.

Os Amadores de Monsaraz pegaram o primeiro do seu lote, terceiro da corrida, por intermédio de César Ferreira. Na primeira tentativa, bom desempenho do forcado, mas a pega a não ficar consumada pois o grupo tardou em ajudar. Na segunda e terceira tentativas o forcado não se conseguiu fechar. A pega foi consumada à quarta tentativa. Fechou a tarde o forcado João Tiago que consumou a pega da tarde ao primeiro intento.

No final da corrida, o Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz foi o vencedor do Concurso de Pegas.

Dirigiu a corrida Domingos Jeremias, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.

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