Morante o sabor añejo del toreo 

Céu de um azul infinito, tarde linda, praça à cunha… Assim reza o poema da ilustre chamusquense Dona Maria Manuel Cid, que um dia foi cantado pela fadista Maria do Rosário Bettencourt e rezou também o ambiente vivido ontem na Praça de Toiros da Chamusca, no Festival de Homenagem a Ricardo Chibanga. Dito acontecimento foi organizado pela Misericórdia local em que se angariavam fundos para os mais necessitados daquela bonita e toureira vila Ribatejana. Novamente a Festa foi solidária com os mais necessitados e aos cofres de dita instituição benemérita terão ido parar uma quantia monetária que certamente irá amparar os mais necessitados.
O cartel era de acontecimento grande, a expectativa era enorme e houve detalhes durante a tarde que valeram bem a ida à Chamusca.
Foram lidados toiros e novilhos das ganadarias, por esta ordem: Passanha, Rosa Rodrigues, Manuel Veiga (terceiro e quarto), Garcia Jimenez (quinto e sexto) e Calejo Pires.
Abriu praça João Ribeiro Telles, diante de um Passanha bem apresentado para o acontecimento, nobre que veio um tanto a menos durante a lide. O cavaleiro, cravou dois compridos, nos curtos a lide teve bons pormenores de brega, tentando lidar bem o oponente, cravando curtos de boa nota, lide agradável deste cavaleiro que fechava ontem a sua grande temporada 2021.
O segundo da tarde pertencia a Rosa Rodrigues, teve boas condições de lide, foi nobre, metia de maravilha a cara nos capotes, humilhando e querendo tudo por baixo. Quanto à apresentação desmerecida pelo fechado de cara que era… Têm que se ter em atenção que em Portugal  existem forcados e estes toiros com estas conformações de cara dificultam e de que maneira as vida a quem tem que lhe bater as palmas, os forcados… Calhou em sorte a Tristão Ribeiro Telles, lide de pormenores! Se não andou muito acertado de mão a cravar, o primeiro curto é de nota, a brega, os bonitos detalhes a lidar e o violino com que fechou a lide fazem desta actuação uma passagem positiva por este festival.
O terceiro da ordem foi um eral, burraco de capa, terciado de apresentação mas bravo, tinha o ferro de Manuel Veiga. Foi lidado pelo cavaleiro amador Vasco Veiga, que andou desembaraçado, cravou com solvência os compridos e nos curtos segundo e terceiro são de boa nota. Lide positiva deste jovem cavaleiro goleganense.
No capítulo das pegas estiveram em praça os dois grupos das terra Amadores e Aposento da Chamusca.
Abriu praça Diogo Marques que à segunda tentativa pegou um toiro que derrotou com um só corno tentando tirar o forcado. Foi o que aconteceu no primeiro intento, na segunda tentativa o Diogo, tentou tirar esse defeito ao oponente e com o grupo a ajudar bem resolveu o problema.
Para o segundo da tarde foi  Afonso Melara Dias que fez uma grande pega ao tal toiro fechado, suportou vários derrotes, teve alma e consumou a pega com o grupo a ajudar de forma coesa.
No terceiro e último destinado à lide a cavalo os Amadores da Chamusca convidaram os do Aposento a compartilhar forcados para a pega. Manuel Aranha Condesso envergando a jaqueta dos primeiros pegou à primeira tentativa.
Se o cartel da parte a cavalo estava bem montado, o da parte a pé era de qualquer grande monumental do toureio… Elenco de acontecimento grande!
José António Morante de la Puebla recebeu o nobre Veiga com um ramillete de verónicas com un sabor añejo, com mãos de seda e de cintura quebrada,a meia de remate foi de cartaz de toiros e os primeiros olés foram ouvidos. No quite por chicuelinas mais que toureou interpretou uma verdadeira dança com o capote, melhor quase impossível!
Brindou a faena de muleta à família Chibanga e por baixo começou o recital de muleta, foi curto é verdade muito por culpa do nobre toiro que se esfumou pronto, mas intenso! Não me apetece enumerar os redondos ou naturais, passes de peito, trincherillas e adornos diversos. Morante toureou superiormente, porque Morante é simplesmente o Toureio! Quem esteve ontem nas bancadas da Chamusca teve oportunidade de poder saborear algo diferente mas ao mesmo tempo de uma beleza quase indescritível. Olé!
David Fandila “El Fandi”, teve por diante um novilho demasiado terciado… Levava o ferro da casa Matilla, era nobre, teve recorrido, metia a cara de maravilha e foi o que teve mais durabilidade. O toureiro de Granada formou na arena da Chamusca um verdadeiro, remolino! Foram de bom traço as verônicas a receber, a meia de remate foi superior, brilhante mesmo. No quite as chicuelinas e tafalleras, rematado com larga, agradaram e de que maneira aos presentes. Em bandarilhas levantou o público dos assentos, sendo o último em sorte de violino. Na muleta há uma tanda em redondo genial, deixando a muleta na cara do oponente, embarcando as investidas do novilho em muletazos largos e de bonito traço, rematando com um passe de peito de píton ao rabo. A faena foi intensa e variada, chegou com facilidade aos presentes, este toureiro conhece bem os gostos do público português, sabendo o que fazer para este se lhe entregar.
De Alicante veio José Mari Manzanares, e o Matilla de capa carbonera que lhe tocou em sorte não foi claro, pelo direito metia-se de início uma barbaridade e pela esquerda ficava curto e rebrincava as investidas, soltando muito a cara. Manzanares andou poderoso tanto com o capote, como na muleta, tentando corrigir os defeitos do novilho. Há um par de naturais largos que me ficaram na retina, um passe de peito poderoso e um remate por manoletinas toureiro. Pouco mais se podia fazer com este oponente vindo dos campos Charros. Valeu a disposição Manzanares.
Fechou a corrida um novilho de Calejo Pires que também não foi de nota… Negro de capa e toureiro de cara, ficava curto nos enganos, rematado por cima. O matador João Silva “Juanito” quis triunfar e tudo fez para tal acontecer. Faena de muito querer, brindada a Álvaro Nunez Benjumea, metido entre os pitons do novilho para o fazer investir na muleta e lhe roubar os muletazos… Foi colhido por duas vezes mas Graças a Deus sem consequências. Labor de se não “investe o toiro investe o toureiro”, com desplantes  tremendistas a meter o público na faena. Valeu a vontade deste nosso matador que fechou a sua temporada e este Festival que se não foi mais redondo nas lides a pé foi muito por culpa de algumas rezes lidadas.
 No início  foi guardado um minuto de silêncio em memória de João Pedro Oliveira e de José Infante da Camara. No final foi prestada homenagem a Ricardo Chibanga por parte da Misericórdia.
Dirigiu a corrida Manuel Gama que não autorizou as voltas à arena evocando as normas da DGS (coisa que desconheço mas que foi anunciado aos presentes por parte do director de corrida) e foi o veterinário José Luis Cruz.

Ultimos Artigos

Artigos relacionados