Sem Restrições!!

Sem Restrições!!

  • 5 de junho de 2022, Santarém
  • Corrida da CAP
  • Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Rui Fernandes e João Moura Jr
  • Forcados: Santarém
  • Ganadaria: Murteira Grave
  • Direção de Manuel Gama assessorado por José Luís Cruz
  • Praça com perto de 8.000 espetadores

Após um Sábado algo inconstante, com algumas chuvadas e em algumas partes mais fresquinho, o Domingo foi soalheiro e levou para dentro da Celestino Graça o calor que é um dos condimentos necessários a uma boa tarde de toiros.
No campo artístico, do cartel, ressaltava o facto de voltarmos à normalidade, o reaparecimento do “Sir” António Ribeiro Telles, o Grupo de Santarém en solo e os 6 Graves de estampa.

Uma adenda: creio estar na hora de fazerem alterações ao regulamento de forma a que o espectáculo se torne mais ágil, menos extenso e por consequência, menos pesado… 3 horas a correr bem, é uma barbaridade! Tirando as contingências normais, deveriam ser anuladas todas as partes possíveis de serem dispensadas. Lembro-me de algumas medidas impostas pela pandemia e que abreviaram as corridas em cerca de pelo menos 40 minutos.
Vamos à crónica!

Um dos atractivos era mesmo a matéria prima…os toiros. Pelas imagens que todos fomos recebendo ao longo destes meses, a imponência, a seriedade e o trapio eram alguns dos predicados que foram sendo ouvidos e que levaram os amantes do “toiro” à Celestino Graça. Foi uma corrida de respeito, com 4 toiros com quase 6 anos e os outros dois de 5 anos. Um desafio sério! Sem deslumbrar, foram cumpridores, destacando-se o 1º e o último da ordem, toiro que se descolou dos restantes pela sua abnegada entrega.

A corrida e após as cortesias, começou com uma cerimónia em que o Presidente da CAP – Engº Eduardo Oliveira e Sousa – distribuindo aos artistas uma lembrança pela sua participação.

1º Toiro – Pavon Real – 525 Kg
António Ribeiro Telles
João Grave

Tal como nas cortesias, António Ribeiro Telles recebeu e assim que entrou na arena, uma forte ovação de pé, pela sua volta e após tão grave lesão. O “Pavo Real” foi tardo na saída, mas deu boa conta dos pergaminhos da Galeana durante a lide. Nos ferros compridos, o António cumpriu com a habitual e artística desenvoltura, destacando o 2º da ordem pelo rigor clássico na forma de o cravar. Nos curtos luziu-se na forma como o levou, dando sempre a vantagem ou outras vezes provocando a investida. Sempre regular, sempre um gosto de ver bem montar, António e a sua toreria destacou-se no 1º e o quarto ferro da ordem, este de inquestionável beleza e qualidade.

Para pegar o 1º da Galeana, saltou para a pega João Grave, Cabo do Grupo de Santarém, que ofereceu a pega ao António, também ele antigo forcado do Grupo. O João esteve lindamente à frente do toiro. Com serenidade, muito toureiro e sobretudo eficaz. Citou calmamente o toiro, que arrancou logo após ao 1º carrego, ensarilhou, veio com a cara alta, fugiu ao grupo, aguentando o forcado sozinho e durante alguns momentos, os repelões que o Pavon fazia para se livrar dele. Bem o grupo a acudir e nota máxima para o João Grave a abrir praça. Deram volta os dois artistas, ficando o registo do “Maestro” da Torrinha a exigir que o forcado agradecesse sozinho nos médios e antes de se retirar. Enorme António!

Todos os toiros foram recolhidos por campinos a cavalo

2º Toiro – Alhambra – 580 Kg
Rui Fernandes
Francisco Figueiredo “Graciosa”

Ao cabo de alguns anos ausente de Santarém, o ginete da Costa da Caparica apresentou-se na Celestino Graça com um 1º comprido em sorte de gaiola. Foi nestes o destaque maior. Nos curtos andou regular, tendo pela frente um Grave imponente, algo distraído com os movimentos nas tábuas, obrigando-o a provocar as investidas e a entrar em terrenos mais apertados. Destaque para o 2º e o quarto ferro da lide.

Para pegar o 2º da ordem, foi escolhido o forcado Francisco Graciosa que o pegou à 1ª tentativa. O Francisco mandou colocar o toiro no lado da sombra, procurando com isso o sítio de onde o toiro se arrancasse de forma mais franca. Fez tudo bem feito mas no momento da reunião, dá a ideia que o toiro o pisou, ficando quase fora da cara do toiro. Valeu-lhe a força de braços e perseverança para aguentar ate os ajudas poderem eficientemente fazerem o seu trabalho. Olé Kiko! Volta para cavaleiro e forcado.

3º Toiro – Vencedor – 570 Kg
João Moura Jr
Francisco Paulos

O niño Moura mais velho, voltou a uma casa que é dele e onde sabe que é sempre bem recebido. Sinto enquanto Scalabitano que esperamos dos Mouras sempre um taco!
João passou pelos compridos de forma correcta, num toiro que mostrava e á medida que a lide se desenrolava, um handicap na visão. Tentou esforçado luzir toureio, ligado, dando as vantagens todas mas a condição do “Vencedor” a mais não deixava. Cravou os 4 ferros curtos da ordem e esteve corretíssimo na abordagem ao toiro.

O João Grave deu este toiro ao Francisco Paulos (Idanha). Nem sempre as pegas repetidas são sinonimo de mau. Foi o caso. O Francisco esteve imponente nas 6 tentativas que fez a um toiro sério, grande e violento. Foi um valente que cresceu para o toiro e de tentativa em tentativa, sacudia o pó e voltava com mais vontade ainda. Em todas, lembro-me de ver o toiro à procura do forcado, virando a cabeça para um lado e para o outro, reagindo apenas à voz, com uma carga desequilibrada e um primeiro derrote demolidor. Acredito que na 1º tentativa podia ter ficado, caso os ajudas tivessem sido mais lestos e assertivos a entrar. Esta opinião não retira “um nico” de dificuldade a ajudar num toiro complicado.

4º Toiro – Esmeralda – 545 Kg
António Ribeiro Telles
José Fialho

O ginete do Biscaínho iniciou a lide ao seu último Grave, com dois ferros compridos com a marca que já nos habituou. Após mudança de cavalo, veio para os ferros curtos cheio de ganas mas a verdade é que o “verde Esmeralda” pouco cooperou, condicionando a passagem do António neste reencontro com Santarém, ficando na retina o 3º e 4º ferro da ordem.

Foi escolhido para pegar este toiro o forcado José Fialho. O Zé é daqueles forcados que nos habituou ver dar ajudas extraordinárias e apesar de vez em quando pegar de caras, a verdade é que o seu desempenho nesta faceta é perfeitamente idêntico à forma como ajuda. E hoje não foi excepção! Numa pega limpinha à 1ª tentativa, o Zé caminhou calmamente para o toiro, deixou-se ver, “encheu-lhe a cara”, mas o reservado Esmeralda só se arrancou em terrenos de algum compromisso, vindo parte da viagem de cara alta, a fugir ao grupo e este já tarimbado do toiro anterior, reagiu rapidamente, agrupando no retorno. Volta para cavaleiro e forcado

5º Toiro – Camarero – 525 Kg
Rui Fernandes
Salvador Ribeiro d´Almeida

Como é hábito, acaba por ser na 2ª parte que grande parte dos artistas se recria e até porque numa corrida de 3 cavaleiros não existem mais possibilidades. Foi isso que senti quando o Rui entrou em Praça. Com 2 ferros compridos de nota elevada, com a mudança de cavalo e de tércios, crava o 1º curto de forma exemplar. Acreditei que no plano dos cavaleiros e faltando apenas o último toiro para João Moura Jr, que estivesse relançada a competição em Praça. Não foi tanto assim e a verdade é que os toques sucessivos nos cavalos e a insistência em cravar quando já não há toiro, poderá ter implicações na reação do publico. Foi pena! Destaco o 1º e o 2º ferro curto.

Para pegar o 5º toiro, saltou à Praça o Salvador Ribeiro d´Almeida. O Salvador tem vindo a habituar-nos a grandes pegas e esta não foi excepção. Pegou à 1ª e apesar do toiro se arrancar intempestivamente e de largo, o forcado nunca se descompôs, recebendo-o na perfeição, com uma eficiente 1ª ajuda do João Manoel e com o Grupo a fechar em pleno.
Parabéns ao Salvador e ao cavaleiro que não foi autorizada volta pelo director. Volta para o forcado.

6º Toiro – Granada – 555 Kg
João Moura Jr
Francisco Cabaço

Quem toureia em último tem a vantagem de ter sido testemunha das outras 2 que lhe antecederam e por isso Moura Jr sabia que podia tirar vantagem artística dessa condição.
Começou com os compridos de boa nota, em que o 2º sobressai pela escolha dos terrenos, dando vantagens e as distâncias necessárias para um praça-a-praça. Cravou 6 ferros curtos, sendo os 2 últimos as espectulares Mourinas. Dos 3 cavalos usados na lide deste ultimo Grave (que se arrancava de todo o lado), destaco o coração do que foi usado nos 2 últimos ferros. Destaque nos curtos e além do 5º e 6º (Mourinas), o 4º pelas vantagens dadas ao toiro e a entrada nos terrenos em que entrou.

Foi escolhido para pegar o “Gravado” o forcado Francisco Cabaço. Numa pega brindada á madrinha do Grupo de Santarém, o Francisco esteve sereno e muitíssimo bem à frente do toiro. Carregou mas o toiro demorou uns momentos a reagir. Arrancou depois quando atentava a algum movimento nas tábuas. O Francisco sem nunca perder a cara do toiro que o poderia ter descomposto, recuou o suficiente, fechou-se com convicção e o grupo ajudou de forma perfeita. Pega consumada à 1ª tentativa. Deram volta o forcado e o cavaleiro.

Acabou a corrida CAP. Uma corrida que se viu bem, mas demasiado extensa, com o Grupo de Santarém a sair triunfador, assim como João Moura Jr no seu último toiro. Dia 10 há mais!!!

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