Primeira da Feira Taurina do Centenário da Praça de Sobral de Monte Agraço

Crónica

12.09.2021 – Praça de Toiros de Sobral de Monte Agraço – Corrida de Toiros Mista

  • Cavaleiros: Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr
  • Matador Manuel Dias Gomes
  • Grupos de Forcados Amadores de Lisboa, capitaneado, por Pedro Maria Gomes
  • Seis toiros da Ganadaria de Pontes Dias

Sobral de Monte Agraço, embora privado das suas festas anuais, fruto da situação pandémica que se vive, vestiu-se de gala, para comemorar o Centenário da sua Praça de Toiros, com uma Feira, composta por dois espetáculos, uma corrida mista e uma corrida à portuguesa. Hoje 12 de Setembro de 2021, segundo rezam os cartazes, reunidos pela Tertúlia Sobralense, que muito tem feito e continua a fazer, em prol da Festa Brava, faz precisamente um século, que se realizaram os primeiros espetáculos tauromáquicos, na Vila do Sobral de Monte Agraço, onde participaram as primeiras figuras do toureio nacional, a pé e a cavalo.

Para celebrar esta efeméride, estava anunciada uma corrida mista, composta por dois cavaleiros de alternativa, um matador de toiros e também um Grupo de Forcados, e um curro de toiros com o ferro de Pontes Dias de Portalegre, mas quis o destino que o cavaleiro Manuel Telles Bastos, sofresse uma violenta colhida, num espetáculo realizado na noite anterior, na Praça de Tomar, que o impossibilitou de comparecer no Sobral, pelo que foi substituído pelo também jovem cavaleiro de alternativa, Luís Rouxinol Jr, ficando assim o cartel composto, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr, o matador Manuel Dias Gomes e o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, comandado por Pedro Maria Gomes, que se enfrentaram com seis exemplares da Ganadaria de Pontes Dias.

Antes das cortesias, foi descerrada uma placa evocativa do Centenário da Praça e durante as mesmas foi prestado um minuto de silêncio, em memória de António Garçôa, João Aranha e Dr. Jorge Sampaio, figuras de destaque na festa brava, recentemente falecidas.

A Francisco Palha, coube abrir a função, frente a um exemplar de Pontes Dias, bem apresentado e disposto a colaborar com o labor do artista, mas nem sempre as coisas resultam, como se desejam. Mesmo assim, Francisco esteve em bom plano, lidando ao som de música, deixando ferros de frente, com batidas ao piton contrário, bem do agrado do público. No que encerrou a função, um Pontes Dias, com casta e recorrido, Francisco cravou o primeiro ferro comprido, a receber o adversário no centro da praça e um segundo de tábuas a tábuas, conquistando de imediato o público que preenchia a total lotação, das bancadas, permitida pela DGS. Já com a música a tocar, muda de montada e inicia o tércio das bandarilhas, utilizando uma brega cuidada, que  lhe permitiu eleger os terrenos certos, para cravar a ferragem curta, dando todas as vantagens ao adversário, deixando vir ao de cima, as boas condições do murlaco. Termina a função com três palmitos, de belo efeito, muito apreciados pelo público. Como prémio foi aos médios em ambas as atuações, acompanhado dos forcados de turno e no segundo, com a companhia da representante da ganadaria.

Lúis Rouxinol Jr, que brindou a primeira lide ao colega Manuel Telles Bastos e desejou uma rápida recuperação, teve duas prestações muito semelhantes, sendo a primeira, superior à segunda. Na primeira, enfrentou um Pontes Dias de poucas carnes, mas de muito génio, onde o cavaleiro de Pegões, teve que usar de toda a vontade e oficio, para sair vencedor da contenda, mas conseguiu. No que encerrou a função, um negro, acabanado e diferente dos seus irmãos, em tipo, Luís foi esgotando todos os argumentos, para conseguir a lide adequada, quer na brega quer na cravagem. Pôs os dois compridos da ordem e despachou a ferragem curta ao som de música, com acerto e alegria, a que o conclave respondeu com efusivos aplausos. No final foi aos médios com os forcados de turno.

Na parte apeada, o matador Manuel Dias Gomes, um jovem, com ilusão, estética e pundonor, pena que em Portugal, neste momento, poucas sejam as oportunidades à arte de Montes. Mesmo assim, mostrou ofício quer no capote, onde desenhou verónicas de belo efeito e cingidas chiquelinas, rematadas com elegantes meias verónicas. Com a flanela rubra, esteve diligente, tentando em ambos adversários, sacar o possível, como se diz, secar o poço. Ligou várias séries de muletazos, pela direita, rematados com passes de peito, mas as séries de maior sentimento, foram curtas e pelo lado esquerdo. Duas boas prestações de Manuel Dias Gomes, que foram premiadas com música e ovação no final. Destaque para a sua Quadrilha, composta pelos bandarilheiros, Cláudio Miguel, João Ferreira e Pedro Noronha, que preencheram os tércios de bandarilhas de forma soberba, pelo que receberam bastantes aplausos.

Completou a parte equestre, o Grupo de Forcados  Amadores de Lisboa, de Pedro Maria Gomes, que para pegar o primeiro da ordem, designou, o jovem Miguel Santos, que precisou de três tentativas para levar de vencida o Pontes Dias. Ao segundo, coube a sorte a António Galamba, que na primeira não reuniu da melhor forma, na segunda faltou clareza na investida, concretizando ao terceiro intento, com pronta intervenção do Grupo. Para o terceiro foi Nuno Santos, que na primeira tentativa, sofreu um violento derrote, caindo inanimado na arena, temendo-se o pior e sendo prontamente substituído por Daniel Batalha, que concretizou, à sua primeira tentativa, segunda do grupo. Encerrou a participação dos Lisboetas, Tiago Silva, que ao segundo intento, levou de vencida a investida do Pontes Dias, prontamente ajudado pelo grupo, durante a viagem até tábuas. Durante a corrida, os forcados Nuno Santos e Tiago Silva, foram assistidos, no Hospital de Loures, tendo regressado ao seio do grupo, no início da noite, tendo sido diagnosticado ao Nuno, um ligeiro traumatismo e ao Tiago uma pequena sutura junto ao lábio inferior, aos quais desejamos a rápida recuperação.

A direção da corrida esteve a cargo da delegada Sandra Strecht, assessorada pelo médico veterinário José Manuel Lourenço e pelo cornetim José Henriques.

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