Os Castro foram duros mas houve um Miguel que triunfou!

Crónica

 Por Miguel Ortega Cláudio

Os Castro foram duros mas houve um Miguel que triunfou!

  • 30 de abril 2022, Vila Franca de Xira
  • 1ª Corrida da II Feira do Toiro
  • Cavaleiros: Ana Batista, Duarte Pinto e Miguel Moura
  • Forcados: Vila Franca de Xira e Ramo Grande
  • Ganadaria: Fernandes de Castro
  • Praça a 1/4 de lotação

Fernando Palha foi um personagem único, singular. Um ser humano que transbordava sentimentos nobres em todas as atitudes e acções que praticava, mas sem espaventos , sem nunca se pôr em bicos dos pés, com um sorriso, uma palavra, um silêncio… A nobreza no mais estrito sentido da palavra, como dizia o outro dia o seu neto Duarte um sonhador e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança… Certamente terá sonhado várias coisas na sua vida mas sonhou uma ganadaria irrepetível! Foi um ganadero único, os seus “Toiros Vasqueños”, saídos de uma qualquer pintura de La Lidia foram uma das suas grandes obras. Quis a Tauroleve em boa hora homenagear este Senhor de Vila Franca e dedicar-lhe a segunda Feira do Toiro, no ano em que se estivesse entre nós completava 90 anos de idade. Este ano o número marca esta terra Toureira, 90 anos do Colete Encarnado, 90 anos do Grupo da Terra e 90 anos deste grande Senhor. Coincidências!

Nesta Feira do Toiro, como não podia deixar de ser quis a empresa, que o Rei das Ibérias fosse Rei e Senhor, montando um confronto de encastes Atanazio (Castro) e Santa Coloma (Vinhas).
Acredito que as ilusões são metafisicamente um direito dos seres vivos, matar a ilusão sempre me pareceu um pecado de lesa-pátria, como quem mata um pintassilgo que foge da gaiola em busca da sua liberdade. Matar a ilusão pode ser muito simples, pois a vítima costuma ser um candidato a sonhador, alguém que se apega à esperança de conseguir algo difícil de alcançar. A corrida de hoje em termos de público não terá sido certamente a que a empresa sonhou, pouca gente… Mas como disse antes em relação ao Senhor Fernando Palha, sempre que um homem sonha o mundo pula e avança!

A tauromaquia, se entramos nas profundezas primitivas, assegurando que os toiros são um rito ancestral e remontamos à mais arcana das antiguidades, provavelmente estaremos a fazer um exercício de memória histórica irrefutável, mas não devemos deixar de reconhecer que, excepto em casos excepcionais em que aparece a obra-prima (a obra de arte por excelência), os toiros são um espectáculo, ou seja, a representação de uma função voltada para o público, em que tanto os intérpretes como os que os contemplam adquirem um protagonismo mais activo . Actores: toiro e toureiro; espectadores: o público. E hoje a obra não aconteceu… Houve sim as ganas de um toureiro… Miguel Moura é um toureiro que por vezes parece triste mas têm uma alma que o faz ser diferente… Não bordou o toureio mas triunfou em Vila Franca! Mostrou vontade, raça, garra. Miguel até com um dedo magoado (partido) não voltou a cara ao Castro e ao público. A sua ambição fez com que cravasse mais um ferro que tem um grande valor e mostra a vontade do cavaleiro.

 

Dia 30 de Abril deste ano de 22 abriu esta Feira, foi a vez dos Castro! Toiros de perfis de cabeça subcôncavos a retos, cabeça volumosa, testas encaracoladas e focinho largo. Pescoço longo e morrilho pouco desenvolvido. Toiros pesados, altos, grandes e de capas variadas. Díspares de apresentação, uma estampa o primeiro, bonito o quinto mais bastos de tipo os restantes. Vila Franca não se meteu com nenhum, portanto bem apresentados. Em termos de comportamento, corrida variada. Houve de tudo…. como na farmácia… Bravo sim o primeiro! Nobres e com algum som terceiro e quarto. Gostei do destarlado sexto, os grandes e pouco bonitos também podem ter qualidade. Pena humilhar pouco mas para cavalo não foi um mau toiro. Enganador o quinto, mais de público e mostrou tudo o que era quando teve o rapaz da jaqueta das ramagens por diante. Para mim um tanto ao quanto mentiroso. Muito complicado o que fez segundo… Manso!

Ana Batista teve uma tarde complicada na Palha Blanco! Brindou a Luis Palha o seu primeiro. O comprido a abrir teve boa nota, o seguinte teve a toque. Bom o primeiro curto. A lide não rompeu, não escutou música, nem teve direito a volta à arena.
No quarto, também sem o som da música, cravou a ferragem da ordem sem o público exigente da Palha Blanco dizer grande coisa. Não deu volta.

 

Duarte Pinto para mim, gostei mais de o ver com complicado segundo, que com que fez quinto mas isto são gostos… Penso que o segundo curto é merecedor de música.. e por vez as lides vêm para cima.Tem que se ser aficionado Senhor Director… e ver as dificuldades do que anda em cima da montura diante de tamanho “regalito” e não da cadeira da inteligência. Sendo o primeiro comprido um bom ferro e o quarto curto de boa nota. No quinto Duarte, andou com vontade, tentando fazer a coisas como mandam as regras, de nota grande o terceiro curto. A lide não rompeu. Mas escutou música… merecida.

 

Miguel Moura, foi bafejado pelo lote ou assim o fez querer. Quis triunfar! Abriu a sua lide com uma porta gaiola, bonito o remate. Mais um comprido. O segundo curto é marca da casa e o remate fez sorrir o mestre certamente, que viu a corrida entre barreiras. Boa lide por fim ao som da música, rematada com um palmito e um remate cheio de sabor.
O sexto era grande, alto, comprido, tipo o comboio que passa todos os dias ali perto da arena… Miguel outra vez à porta gaiola. Grande ferro! Os curtos tiveram a raça do Miguel, aquele Moura que se encasta perante as dificuldades. O toiro teve coisas boas mas a cara andou sempre por cima. Moura cravou bons ferros, andou com garbo na brega e os que estiveram presentes aplaudiram. A quando do cravar o remate do Castro o polegar do cavaleiro saiu do sítio… o de Monforte não voltou a cara e rematou com palmito que os presentes reconheceram de pé.

A tarde para os forcados foi dura, muito dura e até inglória…
Pegar Castro é sem dúvida muito complicado, ainda me lembro daquele Setembro em Reguengos que o João José jogou com a mais feia…. Hoje Graças a Deus a desgraça não andou por aqui… Certamente o Chapéu Toureiro de Fernando Palha fez mais que um quite e pediu a Nossa Senhora que o mal fosse menor.

Abriu praça Pedro Silva por Vila Franca à segunda tentativa. Na primeira tentativa, como todos os toiros quando “sentiram peso” em cima deram derrotes e tentavam tirar a cara. Boa pega!
Rafael Plácido com um toiro a meter e a derrotar por alto tirou o cara. Corrigiu qb esse defeito ao Castro e fez um boa pega, com o grupo a ajudar de forma coesa.
Luís Valença à quarta tentativa. Toiro a bater e despejar.

 

Pelo Ramo Grande Jose Sousa foi derrotado pelo Castro três vezes. Foi para a dobra César Pires que à sua segunda tentativa venceu o oponente.
André Lourenço em três tentativa não deu por vencido o toiro da herdade da Ervideira. Luis Valadão à quarta resolveu o problema.
O cabo Manuel Pires também à quarta tentativa teve que se ver com um toiro que quando sentia o grupo a fechar despejava de forma violenta.

 

Dirigiu a Corrida Tiago Martins e foi veterinário Jorge Moreira da Silva.

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