O ferro de João Telles

 Por Miguel Ortega Cláudio

O ferro de João Telles

  • Moita, 27 de fevereiro de 2022
  • Dia da Tauromaquia
  • Ganadarias: Vinhas, Romão Tenório, Passanha, Varela Crujo, David Ribeiro Telles e Jorge Carvalho
  • Cavaleiros: Ana Batista | João Moura Jr | João Ribeiro Telles | João Salgueiro da Costa
  • Matadores: João Silva “Juanito” | Filipe Martinho
  • Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo e Aposento da Moita capitaneados pelo Exmo. Senhor António Pena Monteiro e pelo Exmo. Senhor Leonardo Mathias
  • Direção, acertada, do Sr. Fábio Cardoso, assistido pelo Dr. Jorge Moreira da Silva
  • Praça a 3/4 da lotação

A Moita hoje, sábado gordo, foi a capital da tauromaquia desta Ibéria que venera esta arte tão nobre do toureio, e o toiro é um dos seus símbolos.

Hoje foi o Dia da Tauromaquia na Daniel Nascimento, grande entrada de público e mais de trinta mil euros angariados a favor de quem nos defende.

Iniciou-se o festival com a atuação do tenor João Mendonza cantando “Granada” e seguiu-se 1 minuto de silêncio pela Paz.

Foram lidados seis exemplares de diversas ganadarias e comportamento desigual. Quem me lê, já lá vão mais de 10 anos… não devem ter lido esta designação de  toiro Bravo por exemplo… Hoje vou ser igual aos outros e que me desculpem os que possam a vir a estar ofendidos… Se hoje era o dia da nossa Festa devia ser exigido pelos organizadores um Guapo ou o mais Guapo de novilhos ou Cuatrenhos… O que vi foi mais um desfile tipo… Nem vou por designações… Do meu gosto e este é o meu… o Passanha bem sei muito fechado de cara mas era um taco. O de Romão Tenório um novilho com bom tipo de Murube. O ciqueño de Varela pode ter apaixonado muita gente no campo, mas…O que fez primeiro de Vinhas era muito a menos para um festival de praça de primeira. O de David Ribeiro Telles foi um novilho condigno para o Festival em causa. Deixo para o fim um toiro com cara , de quatro anos, sério mas que foi largado a um miúdo…

Quanto ao comportamento houve de tudo como na farmácia. O andarilho mas com casta de Santa Coloma de Vinhas, tinha coisas… Nobre mas a vir a menos o de Romão. O Passanha foi um toiro interessante, saiu sempre que solicitado mas teve alguns terrenos eleitos defesa… Gostei.

O de Crujo tinha cinco anos… Não foi pêra doce… foi o mais complicado, com o decorrer da lide começou a dizer que os cinco… O Ribeiro Telles teve tanto de nobre com de manso… Deixou-se estar sem nunca romper uma investida na muleta. O que fechou praça tinha cara de Bilbau…teve algumas coisas interessantes…. Mas toiros de quatro anos, estes para o senhores que têm alternativa… e o Novilheiro no meu conceito tem que lidar novilhos, mais o Filipe que nem com picadores fez o debute….

Abriu praça numa lide de menos a mais Ana Batista, os compridos foram comprometidos e com dois toques nas montadas. Diante do Vinhas o segundo curto teve destaque de maior. A brega foi toureira.

João Moura Jr. que raparecia desde Setembro de 2021, teve uma lide condizente com a figura do toureio que é. Faltou toiro para a coisa rebentar nas bancadas de forma mais exuberante. O segundo comprido foi de nota alta e o cavaleiro sentiu o feito. O primeiro e segundo curto fizeram pensar numa lide redonda mas o oponente veio a menos e o João tentou solventar a pouca alma do novilho. Rematou com um palmo de grande nota.

Joao Ribeiro Telles, teve a lide a cavalo mais triunfal da corrida, para isso ajudou o nobre de Passanha. O segundo comprido e o segundo curto fizeram antever o culminar desta lide. O penúltimo ferro foi de livros, a brega teve momentos bonitos,  rematou com um ferro no Ilusionista que levantou as bancadas. O João e a Moita começam a ser um caso…

Existem dias em que nada bate certo… Hoje o João Salgueiro da Costa teve um deles. O Crujo não deu facilidades e veio a menos. Com um 7 na espádua acusou a idade. Nos compridos vi um Salgueiro empolgado e pensei isto vai ser grande… mas o toiro não quis fazer parte deste dia… Das tripas coração fez o de Valada para cumprir com os que pagaram para o ver. Houve esforço, dignidade e disposição mas ele existem dias…

Juanito, recebeu o de Ribeiro Telles de joelhos em terra mas o da Murteira (David Ribeiro Telles) não quis investir… por chiquelinas aqueceu o conclave e larga foi de cartaz.

Na muleta as ganas foram do matador, o toiro na defensiva, cara por alto, a soltar a cara… animal complicado. O João anda com fome de toiros e vê o toiro por todos os lados. Acabou por meter o Ribeiro Telles na canastra e o público gostou e aplaudiu com força.  Terminou a lide com ajustadas Bernardinas… possivelmente em homenagem ao toureio da Catalunha que nos deixou esta semana.

Fechou o nosso Dia da Tauromaquia Filipe Martinho diante de um toiro…pouco me apetece escrever… não passei bem… posso ser um tonto… mas os novilherios e mais sem picadores não têm nem devem lidar toiros, mas sim novilhos… Depois e tal, e coisa e tal o toureiro a pé em Portugal…

Grande tercio de bandarilhas e a Daniel Nascimento de pé… quarto pares de boa nota. Na muleta uma tanda pela direita e o toiro ganhou sentido… até podia ter tido uma faena… mas a um miúdo só lhe posso agradecer que tivesse diante dele. Obrigado Filipe!

Nas pegas Montemor e Aposento da Moita para honrar as jaquetas das ramagens.

Montemor abriu praça com Miguel Sampaio diante um Vinhas que veio por cima, pega vistosa, bem ajudada.

O quarto o taco de Passanha tinha o defeito se ser demasiado fechado e foi para a volta, António Pena Monteiro e Luís Vacas executaram a pega à primeira.

Pelo Aposento da Moita abriu praça um nome com história no grupo José Maria Duque, o de Tenório acometeu alto e o forcado não perdeu os passos necessários e o novilho não perdoou. Para a dobra foi Fábio Matos resolveu à segunda bem ajudado.

André Silva, à terceira tentativa resolveu  uma papeleta difícil.

Dirigiu a corrida Fábio Cardoso e Jorge Moreira da Silva.

 

 

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