Francisco Palha teve um regresso triunfal em Terras de Salvaterra

Crónica

Francisco Palha teve um regresso triunfal em Terras de Salvaterra

  • 8 de maio de 2022, Salvaterra de Magos
  • 6ª Corrida dos Agricultores de Tomate do Ribatejo
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Francisco Palha e António Ribeiro Telles filho
  • Forcados: Santarém e Coruche
  • Ganadarias: Prudêncio, Veiga Teixeira, António Silva, Passanha, Canas Vigouroux e São Marcos
  • Direção de Marco Cardoso acessorado pelo veterinário José Luís Cruz
  • Praça a 3/4 de lotação

 

Salvaterra recebeu ontem o seu já tradicional Concurso de Ganadarias cujo cartaz foi iluminado com nomes de figuras como Rouxinol e Palha e com o do jovem António Ribeiro Telles, alto representante da nova leva de toureiros que, alicerçados na boa arte de Marialva e num espírito renovado, rompem, finalmente, a hierarquia do “escalafón”. Seis toiros a Concurso e dois Grupos de pergaminhos Santarém e Coruche. Uma boa entrada de público em tarde de calor abrasador.

 

Abriu a tarde um bonito e rematado toiro de São Marcos. Baixo de harmônicas hechuras. Foi um toiro de uma bravura muito formal, sempre pronto, teve mobilidade, foi nobre, toiro para fazer desfrutar o toureiro. O que fez segundo foi um Canas encastado, de início não mostrou facilidades, mas veio a mais com o decorrer da lide. O terceiro foi um toiro aberto de cara de Teixeira, rematado por todos os lados. Teve laivos de bravura interessantes, como a casta, a repetição, metia bem a cara nos capotes. Bom toiro. O quarto foi um comboio que aguentou bem os seus 610kg. Tinha o ferro Prudêncio, teve nobreza mas ao qual lhe faltou algum “sal e pimenta”. O quinto foi um bonito listão com o ferro Silva. Toiro alegre, com mobilidade, arrancou de largo, teve emoção e venceu o prémio de Bravura. Fechou a tarde um Passanha de 620kg, comprido, com cara, grande, mas bem proporcionado. Teve som nas acometidas ao cavalo, vindo a menos com o decorrer da lide. Venceu o prémio de Apresentação.

 

Luís Rouxinol foi o encarregue de abrir a tarde, lide templada, com bons momentos de toureio a cavalo. Cravou os compridos a preceito, nos curtos o Luís andou a gosto, aproveitou as excelentes qualidades do São Marcos, desenhou uma brega bonita, cravou bons ferros. O público esteve com o de Pegões e este ciente disso, trocou de cavalo e presenteou o público com um ferro em sorte de violino e um par de bandarilhas. No quarto a brega montando o Douro, tentou abrir os caminhos ao toiro, cravou em curto ferros com qualidade, a lide teve bons momentos mas acabou por não romper. Rematou com um bom ferro de palmo.

 

Francisco Palha, teve ontem uma atuação cheia de maestria e dedicação na sua reaparição em Salvaterra de Magos, depois da colhida de Setembro do ano passado na Palha Blanco que o retirou das arenas estes meses todos.

Palha parecia ontem, pela sua atitude, um jovem aspirante à glória, um desses toureiros estreantes e de pleno direito de quem os toureiros dizem estar “com a idade na boca”.
Dedicado, sempre pronto durante a corrida, pisando sem sombra de dúvida os terrenos mais difíceis e instalando-se na arena para lidar os toiros, Palha mostrou que os toureiros do seu corte também têm grandes doses de coragem, que são necessárias exatamente para fazer o toureio com essa pureza. Francisco é um toureiro experiente e conhecedor de todos os “resortes” da melhor tauromaquia para poder expressar diante dos toiros com a mais absoluta simplicidade: a difícil facilidade dos eleitos. A sua segunda lide foi redonda, mostrou o toiro de Silva, triunfou forte e meteu todos de acordo. O segundo comprido foi excelente. Os curtos que se seguiram tiveram garra, graça e muita verdade. Procurou mostrar o toiro, citando de largo, deixando este tomar a iniciativa. Os presentes reconheceram a lide aplaudindo com força. No seu primeiro houve grandes detalhes de bom toureio como a preparação das sortes e os remates das mesmas. Uma lide mais intermitente, mas cheia de valor da parte de um cavaleiro que passou as de Caim nestes últimos tempos.

 

António Ribeiro Telles filho, no que fez terceiro, desenhou uma boa lide, tentou procurar fazer bem as coisas, tentando perceber o Teixeira que tinha por diante. Correto nos compridos, nos curtos houve ferros de boa nota, cravando ao estribo e rematando os mesmos de forma toureira. Os dois últimos ferros foram marca da casa e assim o reconheceram os presentes que não lhe regatearam os aplausos. No sexto o António diante do Passanha, não se viu tão a gosto, o toiro requeria possivelmente uma lide mais em curto. Houve bonitos pormenores toureiros, dois grandes curtos mas a coisa acabou por não explodir…

 

Grande tarde de pegas! Seis tentativas em seis toiros, bem os forcados de cara e ajudas. Não houve falhas e os rapazes da jaqueta das ramagens triunfam forte em terras de Salvaterra.

Abriu a tarde pelos Amadores de Santarém, Salvador Ribeiro de Almeida, numa boa pega à primeira tentativa, também ele vindo de uma seria colhida no passado ano na Monumental Celestino Graça. O grupo ajudou de forma coesa e a sorte resultou em pleno.

Francisco Paulos, bem a citar a receber, com grupo a entrar a tempo e deixar o cara brilhar à primeira tentativa.

Fechou Francisco Graciosa pelos de Santarém, a deixar vir o toiro de largo, recebeu bem e a pega foi vistosa.

 

Pelos Amadores de Coruche, Tiago Gonçalves fez um pegão que levantou o público dos assentos à primeira tentativa. Também este forcado o passado ano tinha saído mal tratado da arena de Évora, fazendo assim a sua volta às arenas.

João Prates com eficiência que se lhe conhece pegou um toiro que parecia mais complicado que afinal foi na pega. Grande ajuda do primeira, que deu uma merecida volta.

Fechou a tarde António Tomás numa boa pega à primeira tentativa. Esteve bem a citar, reunir e o grupo eficaz a ajudar.

 

Foi guardado um minuto de silêncio no início da corrida evocando-se a memória de José Samuel Lupi, Vasco Taborda e Francisco Martins.

Foram júris do Concurso de Ganadarias, Vasco Lucas, António Barata Gomes, Pedro Graciosa e eu próprio.

Dirigiu a corrida Marco Cardoso, sendo o médico veterinário José Luís Cruz.

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