Évora homenageou o forcado amador

Tiago Correia Por Tiago Correia

Évora homenageou o forcado amador

  • 26 de março de 2022, Évora
  • Dia do Forcado
  • Praça com nível 1 completamente preenchido e nível 2 com algumas pessoas

 

“Existem homens que arriscam a vida por uma flor ou por um sorriso feminino, que a corpo limpo desafiam a força brutal de um touro, que num completo desprezo pelo perigo voltam à cara da fera tantas vezes quantas as necessárias para triunfar. Esses filhos de Portugal, que numa total entrega romântica praticam o amadorismo por amor à arte, sem nenhuma compensação monetária, são os forcados”, assim inicia Manuel Heleno o capítulo que dedica aos forcados no seu livro Tourada – Tradição Portuguesa.

 

Hoje a Arena D’ Évora, tradicionalmente conhecida como a Catedral do Forcado, homenageou e dedicou o dia a essa tão nobre figura que é o forcado amador. Uma excelente moldura humana preencheu a totalidade do nível 1 e alguns lugares do nível 2 de gente predisposta a aplaudir o que de bom se passasse na arena. Excelente organização da empresa gestora da Arena D’ Évora, que após dois anos sem poder realizar este evento devido à pandemia da Covid-19, conseguiu este ano voltar a realizar o Dia do Forcado.

 

Do programa faziam parte o já tradicional concurso de cernelhas e a execução de sortes antigas como são a sorte de gaiola, a casa da guarda, a pega de costas e a pega da cadeira. O júri do concurso de cernelhas foi composto por António José Zuzarte, António José Pinto e João José Comenda e estiveram em competição trinta e oito grupos associados na Associação Nacional de Grupos de Forcados. Cada grupo dispunha de um minuto e quinze segundos para a consumação de cada cernelha.

 

Dos trinta e oito grupos iniciais mantiveram-se em competição ao fim de três rondas e para disputar os quartos de final os Grupos de Forcados Amadores do Clube Taurino Alenquerense, de Montemor, de Alcochete, de Évora, de Coimbra, de Cascais, do Barrete Verde de Alcochete e da Moita. Seguiram posteriormente para a próxima fase, as meias-finais, os Amadores de Montemor, de Alcochete, de Cascais e do Barrete Verde de Alcochete.

 

Por não consumação de pega por parte das restantes duas formações, ambas com muito mérito tal como as restantes formações participantes, apuraram-se para a final os Amadores de Montemor e de Cascais.

 

No final, o Grupo de Forcados Amadores de Montemor, representados pela dupla de cernelheiros José Maria Cortes e Luís Vacas de Almeida sagraram-se vencedores da competição e levaram para o seu grupo o Troféu António Zuzarte e Simão Comenda.

 

Além do concurso de cernelhas foram ainda realizadas as sortes antigas. Os Amadores de Évora realizaram a Sorte de Gaiola, numa excelente consumação em que o novilho fugiu ao grupo. O grupo aproveitou ainda para realizar mais uma pega de caras, consumada à primeira tentativa.

 

O Grupo do Barrete Verde de Alcochete realizou a Casa da Guarda, uma sorte de difícil execução em que os moços de forcados esperam o toiro junto à trincheira e o param com os forcados. Pegaram ainda de caras ao primeiro intento.

 

A Pega de Costas foi tentada por duas vezes pelo Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, saindo o forcado que tentou consumar lesionado. O grupo pegou depois de caras ao primeiro intento.

 

Por fim os Amadores de Coruche realizaram por duas vezes em duas brilhantes execuções a Pega da Cadeira.

 

Tarde de festa a vivida hoje na Arena D’ Évora, catedral do forcado, em que certamente todo o público se divertiu e em que mais uma vez se pode homenagear a figura do Forcado.

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