Club de Aficionados Práticos Taurinos – Descobrindo a Verdade e a Liberdade!

Crónica

Os Toureiros, que Homens são esses?… Defrontar um animal bravo, simplesmente munido de um capote ou muleta e com esses instrumentos levar conduzida a torrente selvagem da investida, que Magia o torna possível?… Que sentimentos e sensações são transmitidos que levam a que tantos e tantos arrisquem a sua vida defronte do poderoso Toiro?…

Montemor e Herdade dos Cabreiros (Ganadaria de Manuel Calejo Pires), sob a direcção do Maestro Eduardo Dávila Miura, durante o fim-de-semana de 15, 16 e 17 de Setembro, um grupo de cerca de vinte alunos deu o melhor de si para tentar responder e compreender estas questões, na esperança e na ilusão de, ainda que por breves momentos se poderem sentir, não “Matadores”, mas, pelo menos, cúmplices dessa magia que admiram há tantos e tantos anos desde os seus lugares de bancada por essas Praças fora…

Sexta-Feira à tarde, primeira toma de contacto e que difícil é desde logo aprender algo aparentemente tão simples como pegar correctamente num capote ou numa muleta… “Cruzate”, “el palillo paralelo al suelo”, “el toque suave”, “la muleta plana”! Sucedem-se os conselhos e explicações, mais difíceis ainda de assimilar quando, ao fim de dez minutos, se instalam as primeiras dores de braços e costas, pelo simples peso dos “trastos”. Logo vem o Maestro Victor Mendes, fazendo jus ao termo espanhol da sua palestra: “Classe Magistral”! E fala-nos da técnica e da sua suprema importância, porque sem ela e sem um profundo conhecimento do toiro muito dificilmente a Arte e a Beleza assomam… Mas fala-nos, sobretudo, com Paixão, uma imensa Paixão e, a pouco e pouco, sentimo-nos a entrar no segredo… Técnica sim, mas forjada a Fogo, Amor, Entrega e Sentimento… A noite cai e com ela um frio muito alentejano… Não importa, ninguém arreda pé, usam-se os capotes à moda de samarras e deixamos invadir-nos pelas palavras do Maestro, que ecoam de forma sublime pelas bancadas da vazia Praça para logo descansarem em nós… Pura Magia…

O Sábado amanhece triste, tão triste, pela morte de um Toureiro que ali, naquele “Pai-Nosso” rezado no meio da arena nas duas línguas irmãs da “Piel de Toro”, mais do que nunca, todos sentimos como um de nós. E ainda me soam as palavras do Nacho: “Que sigamos adiante neste Curso, com alegria e dedicação, certos que, mais do que ninguém, o Fernando Quintella assim o desejaria, como uma das melhores formas de honrar a sua memória…” Quão apaixonados teremos de estar, quanto respeito e admiração teremos de sentir para, no desaparecimento de um dos nossos Heróis, continuar precisamente no nosso empenho de aprender a defrontar o animal que o fez tombar?… Porquê? Porquê?…

E no Domingo, frente aos fabulosos bezerros e bezerras de Calejo Pires, a resposta surge, de rompante, como uma iluminação, que sentimos no âmago ser comum a todos aqueles que em alguma ocasião defrontaram uma rés brava… Não há maior Verdade do que esta Arte criada ali, à beira do abismo, onde cada célula do nosso Ser nos diz para recuarmos, mas optamos por obedecer à voz do Maestro e restante equipa: “p’ alante, p’ alante”… Não há maior Felicidade do que sabermos que, quando chega o momento, o nosso Coração consegue vencer a Razão e não somos mais do que nervos, medo, sangue e alma, frente à investida que, quando passa, nos envia para uma outra dimensão, uma na qual, acredito, só os Toureiros conseguem entrar… Rematas a série, melhor ou pior, não interessa, os teus companheiros aplaudem-te e regressas à realidade… Invade-te uma tristeza imensa, porque de imediato percebes que nunca foste tão Feliz e Livre, como naquele segundo anterior, quando o bezerro deslizava por ti e eras verdadeiramente dono do teu destino…

E então entendes o Mistério e o Porquê… Verdade e Liberdade, aspirações máximas do Ser Humano que encontraste em todo o seu esplendor frente à Bravura e à Nobreza do teu oponente… E esses momentos ficar-te-ão para sempre gravados…

Ao Club de Aficionados Práticos, nas pessoas da maravilhosa equipa que nos acompanhou, Maestros Eduardo Dávila Miura e José Maria Fijo, Rafael Peralta, Nacho Moreno de Terry e Emilio, ao empresário da Praça de Montemor, Paulo Vacas de Carvalho, ao Exmo. Sr. Ganadero Diogo Passanha, ao Matador Manuel Dias Gomes e, sobretudo, aos Exmos. Srs. Ganaderos Calejo Pires (quanta arte de bem receber!) o meu eterno agradecimento por esta inesquecível experiência.

Ao Fernando Quintella, a Homenagem e a certeza de que ficámos um pouco mais perto da tua Verdade e Liberdade!

Muito obrigado a todos!!!

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