Joaquim Bastinhas: a história do toureiro mais carismático de sempre

Joaquim Manuel Carvalho Tenório, eterno Joaquim Bastinhas.

INFÂNCIA

Nasceu em Elvas no dia 8 de Março de 1956. Filho de Sebastião e Gertrudes Tenório.

Fez a escola primária em Elvas, donde transitou para o colégio Britânico também em Elvas. Passou pelo colégio dos “Maristas” em Carcavelos e ingressou depois, em 1969 na Escola de Regentes Agrícolas de Évora.

Graças ao seu pai, muito cedo se apaixonou pelos cavalos. Começou a montar com cerca de 6 anos de idade.

Dedicado ao arranjo e ao comércio de cavalos de toureio, o pai de Bastinhas tinha como clientes, tinha, entre outros, Simão da Veiga, Mestre Batista e David Ribeiro Telles, que frequentavam a casa e que despertaram, também eles, a chama do toureio no então “jovem aprendiz”.

Para ajudar o pai, Joaquim Manuel montava a cavalo diariamente. Diariamente foi aperfeiçoamento os seus dotes como cavaleiro e aguçando a paixão pelo toureio.

OS INÍCIOS

Aos treze anos de idade, estreou-se no Campo Pequeno, na garraiada de Carnaval.

A garra e a alegria, foram as palavras de ordem que soaram desta primeira actuação. Daí até à alternativa voltou à praça da capital para actuar em mais 11 festejos, 6 como amador e 4 como cavaleiro praticante. Nesta primeira praça do país actuo mais de uma centena de vezes na pródiga carreira.

Provou e não mais duvidou que tivesse para si outro destino senão o de ser toureiro.

No tentadero do pai continuou a ajudá-lo e a treinar diariamente.

Um ano depois, pela mesma ocasião do Carnaval repetiu no Campo Pequeno e provou o quão esmerado fora o treino. Mostrou-se esmerado na preparação das sortes e procurando um toureio frontal. Um êxito.

Os primeiros anos de Joaquim Manuel como cavaleiro foram a ganhar “traquejo”, rodando nos pueblos da estremadura espanhola.

Dez anos depois da estreia, tirou a prova de cavaleiro praticante. Foi em 1979, no dia 9 de Setembro, na praça de toiros de Vila Viçosa, em mais um dia de grande êxito, sobressaindo pela toureio frontal e pela cuidadosa preparação das sortes.

Este êxito catapultou-o. Era o cavaleiro revelação e o seu nome reconhecido motivo de interesse.

Dois anos depois, depois de muitas actuações pelas nossas praças, apresenta-se em Madrid onde alcança um grande triunfo. Destacou-se dos seus pares Curro Bedoya, Fernando Sommer e Luís Miguel Arranz.

A ALTERNATIVA

Êxito e após êxito, decidiu tomar a alternativa em Évora, numa corrida de grande responsabilidade: o concurso de ganadarias.

No dia 15 de Maio de 1983 passou a profissional. Teve como padrinho de alternativa José Mestre Batista e como testemunha João Moura.

Na sua alternativa lidou o toiro da ganadaria de João Núncio de nome «Magala» e concretizou mais uma grande lide, de grande triunfo.

No ano seguinte, em 14 de Julho de 1984, confirmou a alternativa no Campo Pequeno.

Como padrinho teve João Palha Ribeiro Telles e por testemunha Paulo Caetano. Deste dia, conta-se, que o toureio de Bastinhas sobrava em valor. Em aguentar de largo as investidas prontas dos toiros de António José Teixeira cuidadoso, sempre, na preparação das sortes. Exímio, ao fim, no par de bandarilhas a duas mãos.

Este foi um grande ano.

Foi o cavaleiro que mais actuou e somou êxitos. Ao fim, coroou a temporada encerrando-se com seis Graves na praça de toiros de Setúbal, em 20 de Outubro de 1984.

Triunfador em várias temporadas, consagrou-se entretanto como o mais carismático cavaleiro português.

PELO MUNDO

Nos seus inícios Joaquim Bastinhas rodou muito em Espanha. Como costuma dizer-se, ali “tragou” muitas corridas em pequenas povoações, que lhe deram muito mais traquejo do que notoriedade. Essa alcançou-a principalmente cá, entre nós.

Em França foi presença regular nas praças de Arles, Mont-de-Marsan, Fréjus, Air-sur-L’Adour, Vic-Fezensac e Dax.

Para além da península ibérica, só em 1994 Joaquim Bastinhas viria a viajar como cavaleiro ao outro lado do Atlântico, numa digressão ao México em que alternou com os cavaleiros Rodrigo dos Santos e José António Hernandéz.

Toureou em Cuchiácan, em Mazatlan e Aguascalientes.

Na Venezuela actuou na Feria de Sol e em Merida.

Passou também pela Califórnia em Gustine, Stevinson e Turlock.

Joaquim Bastinhas esteve também nas inéditas corridas na Grécia e em Macau.

CAVALOS

Ao longo da pródiga carreira vários foram os cavalos que se distinguiram.

O Guiso com o ferro do seu pai, Sebastião Tenório, foi o primeiro cavalo de bandarilhas e que lhe a primeira grande projecção junto do público.

Trinco ferro Romão Tavares foi outra estrela dos pares de bandarilhas, que ajudou Joaquim Bastinhas a confirmar-se como toureiro.

Piropo ferro também com o ferro de seu pai, foi o cavalo com que mais toureou. Com este somou mais de quatrocentos toiros.

Palmela com ferro D. Pedro Palmela, foi outra estrela da quadra, em especial para os curtos.

Xeque-Mate com ferro Pinto Barreiros, saía para os curtos e para bandarilhas. Um cavalo espectacular e exuberante que chegava com facilidade ao público.

Vip com ferro Duarte Lopes, destacava-se pela beleza natural, própria e pela forma como atacava os toiros.

Outros cavalos importantes foram, Átila com ferro Vacas de Carvalho, Slide, com ferro Brito Paes, Jackpot com ferro Camões, Zig Zag com ferro Quinta da Foz, Platina, com ferro José Lavrador, Bric à Brac com ferro António Palha, Diamante com ferro Gustav Zenkl, Fado com ferro Francisco Caldeira, Rouxinol, com ferro Rio Frio, Jaguar, Cognac, Tão Fino, Queimadoro, Nilo, Tivoli e mais recentemente Palmela II, Cartier e Carnaval.

ALTERNATIVAS QUE CONCEDEU

João Carlos Pamplona

António Ventura

Baptista Duarte

Jorge de Ourique

Nuno Pardal

Tito Semedo

Carlos Miguel

José Soudo

Diogo Passanha

Cláudio Travessa

Jason Palma

Ana Batista

Rui Santos

João Carlos Folgado

Gilberto Filipe

Miguel Duarte

Tiago Pamplona

Gaston Santos

Marcos Bastinhas

Tiago Carreiras

 

CARREIRA

O notável início de Joaquim Bastinhas como cavaleiro pautou-se pelo toureio clássico, frontal, de aguentar a investida, de arriscar em terrenos de compromisso. Desde sempre, foi exímio nos pares de bandarilhas.

De personalidade invulgar, extrema simpatia e alegria, transmitia ao público uma vibração contagiante. O público que ao longo de trinta anos o tratou como primeríssima figura que era. Aclamado pelo público como um ídolo, era o nome transversal conhecido de toda a gente. Um bastião da tauromaquia.

 

MORTE

Faleceu no Hospital da Cruz Vermelha em Lisboa, no dia 31 de Dezembro de 2018.

A última aparição pública de Joaquim Bastinhas foi na feira de Golegã, onde recebeu os amigos com a mais alegria e simpatia de sempre.

Ingressou no hospital para realizar uma cirurgia aos intestinos e contraiu uma bactéria que lhe provocaria a morte, semanas depois,

O falecimento de Joaquim Bastinhas abalou o país.

 

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